Dirty Projectors no Clash Club
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ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 2009
Estilos: indie, experimental, rock
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Dirty Projectors no Clash Club
Última apresentação da banda no Brasil foi acompanhada em coro da platéria
03.12.09 15:20
Você hesita um pouco a ceder, mas acaba se entregando. Durante alguns minutos você transita por diferentes estados de consciência. SInestesia. E, depois de um ápice de prazer, corpo e mente caem em um estado de profundo torpor. Anestesia. Esse poderia ser o relato de uma série de experiência com drogas, álcool e sexo, mas na verdade, é um grande apanhado de sensações que me peguei sentindo durante o show do Dirty Projectors, nesta quarta-feira (02/12), no Clash Club.

A terceira e última apresentação da banda no Brasil - as outras duas aconteceram no dia 28 no festival Goiânia Noise, e no dia 29 no Teatro Odisseia no Rio de Janeiro - encontrou um local talvez despreparado para recebê-la. O fato de o show ter acontecido em um dia de semana com ingressos a preços salgados resultou em uma casa com lotação bem abaixo de seu máximo. Some aí o ar-condicionado desligado ou insuficiente e alguns problemas de som e você tem a equação de algo que poderia ter sido bem irritante. Mas não foi.

E, se não foi, quem esteve lá deve agradecer a um homem: Dave Longstreth, o cabeça dos Dirty Projectors e maestro de uma orquestra formada por algumas guitarras, baixo, bateria, teclado e vozes. Três incríveis vozes femininas que às vezes remetem a um coral, outras a flautas e instrumentos de sopro.

Se ao ouvir o álbum Bitte Orca, o último da banda, a sonoridade parece complexa, ao vivo, embora tenha menos instrumentos, como violino e violoncelo, o grau de complexidade parece ainda maior. Enquanto o baterista Brian McOmber desce a mão na bateria de maneira quase punk, as meninas Amber Coffman, Angel Deradoorian e Haley Dekle fazem harmonias vocais angelicais e complementam os arranjos de Longstreth na guitarra ou no baixo. Mesmo durante algumas músicas, as guitarras sofrem alterações de afinação operadas por capotrastes. E tudo isso acontece ao mesmo tempo no palco, sob a batuta do líder da banda.

Dirty Projectors


Entre as vozes femininas se destaca a de Amber, namorada de Longstreth e dona de uma habilidade vocal impressionante. Fica bem claro que, além de Longstreth, os outros integrantes também devem ter formação clássica. E todos esses fatores colaboram para que a entrega ao show seja um caminho sem volta. Algo quase hipnotizante. E, mesmo sendo hoje uma das bandas mais incríveis por aí, o Dirty Projectors ainda arruma tempo para modéstia. A certa altura do show, Longstreth elogiou o Brasil e disse que sentia que, perto do que nós podemos fazer, aquilo ali era o melhor que ele podia tentar fazer.

Quem diria, no começo da apresentação, dada com a calminha "Two Doves" só com Longstreth e Angel no palco, que no final a coisa ficaria bem próxima de ser classificada como apoteótica? Mas assim foi. Em faixas como "Temecula Sunrise" e "Useful Chamber", tocadas lá pro final do set, a plateia ia ao delírio, assim como em "Stillness Is the Move", executada com ares de hit indie, cantarolada por grande parte da plateia desde os primeiros acordes. Uma plateia que, aliás, cantava de tudo, dos arranjos das guitarras até os coros femininos. Das músicas mais conhecidas do último álbum às desconhecidas como "Imagine It" e "Fucked For Life", do EP New Attitude.

No finalzinho do show, Longstreth agradeceu e disse que estava feliz porque aquele show era o último da banda. Calma: o último de 2009! Mas assustou bastante gente antes de terminar a frase. Fica a vontade de ver a banda novamente. Os próprios já prometeram voltar.

Fotos: Thiago Freitas

Carol Nogueira
Carol Nogueira
twitter.com/carolnogueira
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