Estreia da rapper americana chega com atraso, mas tem boas novidades para compensar
Faz dois anos desde que Melisa Young parou de tomar cerveja nos fundos da loja de roupas em que trabalhava, em Chicago. No ano passado, como
Kid Sister, ela se tornou uma das novidades mais legais no rap americano, fazendo rimas bem sacadas sobre bases eletrônicas produzidas pelo namorado, o DJ A-Trak. Tinha alguns singles e um hit na manga - a ótima "Pro Nails", feita em parceria com Kanye West - e tocou em São Paulo
durante o festival Nokia Trends, em novembro de 2008. Mas o álbum de estreia atrasou, atrasou...
E só foi lançado neste mês, com o nome
Ultraviolet (originalmente, se chamaria
Dream Date). Talvez Melisa tenha perdido o bonde, o calor do hype. Com a demora da gravadora (a cantora disse na época que o disco estava pronto e não sabia porque não havia sido lançado), muitas músicas foram escoadas através de blogs na internet.
Nessa leva, conhecemos a refrescante "Get Fresh", "Right Hand Hi", e uma porção de remixes de gente como Riton, Caspa e LA Riots. Apesar de isso fazer com que
Ultraviolet não soe muito novidadeiro, a demora parece ter servido para colocar no mercado um álbum muito bem resolvido, sem sobras ou canções que só preencham espaço.

Quando
Ultraviolet é ouvido por inteiro, cada uma das faixas - elas são todas conectadas entre si - parece soar ainda melhor. Elas vão passando de maneira suave, sem solavancos, intercalando momentos mais lentos com outros em polvorosa: a sequência da melodiosa "You Ain't Really Down" com o pancadão de "Control", por exemplo, é de matar.
COLABORADORES DE ESTIRPE Não espere, porém, por transcendência ou brilhantismo musical. A faixa mais interessante continua sendo "Pro Nails", com sua linha de baixo cheia de bolhas e ruídos digitais simulando um vinil arranhado. E as rimas mostram como é possível abordar temas triviais num verso de rap. Soam extremamente dançantes e deliciosamente pop, mas não têm potencial para mudar a vida de alguém.
Além de Kanye West, o álbum tem outras colaborações de nota, ainda que nenhuma consiga soar tão interessante quanto à do
american boy. "Daydreaming" poderia ter saído de
Day & Age, álbum mais recente dos Killers, e tem vocais do talentoso Cee-Lo (do Gnarls Barkley). Já a inglesa Estelle aparece no refrão de "Step".
Mesmo se você acompanha os lançamentos de Kid Sister em blogs desde o ano passado, não deixe de conferir este álbum por inteiro. Muito material soará como repeteco aos seus ouvidos, mas as novidades inclusas aqui - junto ao encaixe bem pensado das outras faixas no conjunto - nos obrigam a repassar a sonoridade do club rap neste final de 2009.