Depois de ter se tornado sinônimo de novidade na vertente dance-rock, ou discopunk, ou sei lá mais que rótulo entre os tantos que gostam de dar pra eles,
James Murphy - que toca
esse sábado em São Paulo ao lado do colega e baterista do LCD, Pat Mahoney no festival Smirnoff Experience - e seus colaboradores do
LCD Soundsystem ficaram muito requisitados em festivais e em festas ou projetos promocionais levados a cabo por marcas. Afinal, desde que vender discos deixou de ser um negócio tão rentável, as parcerias e licenciamentos publicitários são a bola da vez para muitos produtores.
Originalmente concebido
como uma ação da Nike, em que a grife convidou artistas a criarem mixes para ouvir correndo ou fazendo exercícios, o LCD Soundsystem bolou o resoluto e impecável "45:33". A princípio pensado apenas como lançamento no iTunes, em novembro de 2007 a mixtape ganhou versão física com a adição de três novas faixas.
45:33 The Remixes surge agora para manter o LCD Soundsystem na ordem do dia, enquanto a gente aguarda o
promissor novo álbum marcado para sair no começo de 2010. Participam da obra Runaway, Trus'Me, Padded Cell, Prince Language, Prins Thomas, Riley Reinhold, Pilooski e Theo Parrish.
Sobrou para a dobradinha Prins Thomas & Theo Parrish remixar um dos pedaços mais legais do original, quando a trajetória do repertório dá aquele gás. "Diskomix" , de Prins Thomas, aposta no looping da deliciosa melodia e joga vocais lentos e desconfigurados por cima, dando a deixa de que, cedo ou tarde, os beats vão atingir o cume da explosão - mas isso não acontece, e a mesma métrica segue ao longo dos pouco mais de 13 minutos. Entre as desconstruções, Theo Parrish é o que mais se atém ao clima espacial imposto por Murphy, combinando os vocais femininos a ingredientes sintetizados enquanto preenche as passagens mais esparsas de "Space Cadet" com linhas de piano jazzístico, algumas distorções e quebras no tempo que quase se alinham ao sincopado próprio ao dubstep. Com pegada mais sacolejante, Pilooski dá um up nas frequências finais da jornada e incrementa com vozes robóticas, pancadas fortes nos beats e uma pungente linha de baixo.
O bacana da versão que agora foi repaginada é justamente o embalo funkeado, que evolui num tipo de odisséia sonora até chegar à levada synth pop para depois desembocar numa vibe mais festiva, que James Murphy conseguiu imprimir ao andamento do mix, fazendo o desenrolar das músicas funcionarem não só como trilha perfeita para suar ou viajar de carro, mas também para ficar chapado no sofá de casa prestando atenção na harmonia dos altos e baixos. Os segmentos dessa trip toda remixados, no entanto, apesar de agradáveis de escutar, tiram o brilho progressivo do conceito primeiro e injetam uma identidade mais inflamada e menos hipnótica através de recriações interessantes, entretanto sem a graça cósmica daquilo que James Murphy havia nos apresentado.