O poster

Típico filme da era pós reality- shows,
District 9 é a estréia de
Neill Blomkamp na direção, que usa como linguagem a estrutura de um falso documentário, uma engenhosa malha narrativa com imagens vindo de diferentes fontes.
A história começa com imagens da cobertura jornalística de um fato absolutamente extraordinário: uma nave espacial paira estacionada sobre a cidade sul-africana de Johannesburg.Os alienígenas estão em missão de paz, enfraquecidos e precisando de ajuda e acabam resgatados e alojados numa área da cidade restrita a eles, nomeada Distrito 9. Essa área logo se transforma num gueto alien e passa a gerar todo tipo de preconceito contra esses seres. Uma instituição muito suspeita - a Multi National United - é acionada para resolver o problema e relocar os alienigenas. Soma-se agora às imagens jornalísticas, imagens do vídeo encomendado pela organização para cobrir essa tarefa.
Essa diversidade de fontes cria uma colagem realmente brilhante, mas o tema discutido aqui é o apartheid, é essa a ferida social por trás da ficção científica.
Sharlto Copley interpreta o funcionário da MNU destacado para conduzir a tarefa de relocar os aliens, um típico burocrata que executa tarefas sem questionar, representando o comodismo de quem está do lado mais forte. Mas a história o fará mudar de lado, e com ele, o público vai experimentar a sensação dos excluídos. Não dá pra não lembrar da versão de
Planeta dos Macacos do Tim Burton, ou
A Mosca de David Cronemberg. É comum encontrar preconceito contra nigerianos na África do Sul, e eles estão representados no filme como miliciosos que se valem dos alienígenas segregados para obter dinheiro e armas. No filme tanto os brancos dominantes quanto os negros marginalizados tornam-se intolerantes e gananciosos diante dos ETs, mostrando que somos todos iguais na essência. Não é um filme otimista em relação à raça humana, e provoca um desagradável,mas reflexivo, desconforto. Talvez toda essa exposição criada pela nova era digital, tenha nos transformado em seres mais frios, menos humanos. Uma grande estraia desse jovem diretor.
10/10