Compilação grandiosa reúne as melhores colaborações entre os produtores alemães
Tendo criado mais de vinte colaborações nos últimos treze anos, a dupla de produtores alemães
David Moufang e
Peter Kuhlmann (Move D & Pete Namlook) celebram a parceria com o lançamento da frondosa coletânea
The Evolution Of. Lançada pela
Ambient World, subselo do
Fax +49-69/450464, plataforma de lançamentos comandada por Namlook.
O álbum tem 19 faixas e 80 minutos de audição ininterrupta e mixada, reunindo vários lançamentos da dupla desde 1996; mais que uma compilação, é uma antologia pessoal e única que transita em interpretações sossegadas de techno, house e electro. É música ambient, chill out, denominações que vão parar em "ethnic", "lounge" e tudo mais que sua subjetividade auditiva permitir. Future jazz é um costumeiro rótulo a este som, já que faixas absurdas como "The Art of Love" (2005), marco da trajetória da dupla, bebe na fonte urbana da influência jazzÃstica que criou trip hop e afins.
Flash Content
Move D • Namlook - The Art Of Love (mp3)
Mas vamos começar pelo princÃpio. O álbum brota com uma trinca que parte da sublimação etérea do ambient para electro oldskool pesado e nervoso, em uma ponte aérea Europa-Detroit que já foi bastante celebrada com o projeto
Claro Intelecto, por exemplo. "Exploring the Psychedelic Landscape" tem de psicodélica só o nome e uns assobios de pássaros surreais ao fundo, para dar cabo à faixa 'siamesa' "A Day In the Live!". No final da trÃade, pancadão puro mas inofensivo, sem ser rÃspido: "The Retro Rocket" é uma boa interpretação de um mÃssel sonoro, com suas vozes abstratas e filtradas que parecem de comandos espaciais.
Flash Content
Move D • Namlook - A Day In The Live! (mp3)
David Moulfang aka Move D

Este oceano sonoro de 19 músicas requer disposição e entrega do ouvinte - coisa que se consegue fácil pela alta qualidade, e ao longo das faixas percebe-se que qualquer tentativa de definir Move D e Pete Namlook como "expoentes do ambient" ou de qualquer outra coisa é bobeira, principalmente porque o (sub)gênero teve seu ápice entre 1993 e 1995 (época em que Move D se destacou), e eles surgiram já em 1996.
A música de ambos é interpretativa e muito, mas muito subjetiva. Tem abstração em temas pontual, mas é sempre uma viagem além: metalinguagem e design sonoro e até mesmo visual. Não à toa o nome do selo de Namlook é o próprio número de seu fax, e a capa do imprescindÃvel disco "
Kunststoff" (1995), um marco de Move D na música ambient, tem uma bela cadeira na capa, e nada mais.
A relevância dessa coletânea em tempos em que o minimal fecha a sua torneira pingante e ruma à sensibilidades sonoras mais calmas e contemplativas - caminho seguido pela house e o techno, fundindo tudo numa grande era deep, é inquestionável. Os órgãos de "The Audiolounge" sintetizam a perfeição entre música inorgânica e alma humana; "Wired" é futuristÃtica e sombria, como qualquer pista tarde da noite pede; e "Sons of Kraut", o próprio nome já diz, soa como um culto lisérgico de referências progressivas dos anos 70, que de repente desembocam numa deliciosa linha 4x4.
Pete Namlook

TERRA / ESPAÇO: CIVILIZAÇÃOMais para o final, Move D e Namlook surgem polÃticos e antropológicos, nas grandiosas trincas "Raumland" (raum - espaço / land - terra, paÃs) e "Civilization". Enquanto uma divide-se entre "Exploration", "Montage" e "Sphare", a civilização proposta por esses alemães comandantes de máquinas é interpretada num IDM que retrata a rota da seda; silenciosos beats surgem para "Sexoid". Fechando, "There!" é o manifesto polÃtico com trechos de discursos de Barack Obama - (
Yes we can; yes we can heal this nation!), que quem ouviu o famoso RA de Move D se lembra muito bem. É uma amostra do que deve vir por aà no set do produtor na festa
Smirnoff Experience, neste sábado (28/nov).
The Evolution Of é uma sagaz compilação que contextualiza (e atualiza) o som de seus criadores, mas é principalmente um exemplo inequÃvoco da música eletrônica como literatura alemã. Com sua lÃngua sintética e tecnologia inerente, são músicos criados dentro de uma possibilidade de criação sonora única, que desestrutura temáticas ocidentais e inumanas, sem esquecer da verve sentimental e até mesmo selvagem que a dance music proporciona a seus ouvintes - tanto nos seus momentos mais pulsantes (o electro do começo do disco, o future jazz sensual), quanto nas viagens IDM que recriam todo um universo.
Agradecimentos: Rodrigo Roman
e é por isso que a gente gosta!
tô feliz q nesse ano apareceram algumas coisas boas como esse disco e o do Moritz von Oswald Trio!
que venham outros!
indispensável pra quem gosta de ambient, experimental e IDM.