Eu realmente não sei quem disse que o
Phoenix precisava de um álbum de remixes, mas aí vai um fato: eles não precisam - e isso é uma das coisas mais legais sobre a banda. Com uma pegada mezzo-Brooklyn, mezzo-Londres, o Phoenix apareceu com
Wolfgang Amadeus Phoenix, seu quarto álbum de estúdio, no início de 2009 e, graças ao som mais dançante e grudento de sua carreira, arrematou um bocado de hipsters por aí. O sucesso foi certo: era como se uma nova banda tivesse nascido e, pra surpresa de muita gente, seu berço não era nem os Estados Unidos, nem a Inglaterra - o quinteto havia nascido em Versalhes, na França.
O curioso é que, ao contrário do que o nome sugere,
Wolfgang Amadeus Phoenix passa longe de ter uma pegada clássica. O disco é, basicamente, a nova fonte de inspiração dos modernetes de todo o globo. Justamente por isso tenha ocorrido ao grupo (ou a gravadora, ou ao produtor, we never know), a idéia de aparecer com um disco com remakes das faixas de
Wolfgang...: de tão catchies e irresistíveis, elas foram ouvidas tantas vezes e por tanto tempo que muita gente cansou.
Mesmo assim, a idéia de remixar grandes músicas como "Fences", "1901" e "Lisztomania" parecia arriscada - não é como se elas precisassem de versões para a pista ou de remakes em dub. A surpresa é que, mais uma vez, o Phoenix chegou para animar até os mais pessimistas.
É verdade que algumas (ou a maioria, talvez 2/3) das faixas da
Remix Collection de
Wolfgang Amadeus Phoenix sejam mais que descartáveis - a sensação que fica na maior parte delas é algo do tipo "pra que ouvir isso, se eu posso ouvir as originais?". É certo que a produção pecou ao fazer uma compilação de 15 faixas enquanto a versão original do álbum conta com praticamente a metade disso, tendo apenas nove canções. O
Friendly Fires, por exemplo, decepciona em "Fences", assim como a versão de
YACHT para "Armistice" e, por mais que isso possa me doer, a adaptação do Animal Collective em "Love Like a Sunset" ficou com um débito altíssimo e, o que é pior, a faixa também não ganhou uma boa releitura nas mãos de
Turzi.
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Phoenix - Fences (Friendly Fires RMX) (R, Fences (Friendly Fires Remix) (mp3)
Os pontos positivos da coletânea são somados em dois pares de faixas, com a participação de
Devendra Banhart em "Rome", remixada pelo Neighbours em um clima quase nostálgico, soturno, embora a composição não tenha mais de um ano de vida.
Alex Metric também manda bem em "Lisztomania", que abre o disco progressivamente, com uma vibe ensolarada. Os novatos do
Passion Pit, um dos maiores hypes do ano, arrastaram o sucesso de Alex até "1901", regravada cheia de firulas e com o pé no acelerador.
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Phoenix - Rome (Neighbours with Devendra, Rome (Neighbours Remix with Devendra Banhart) (mp3)
As novidades não são muitas: O Boombass chega a brilhar em alguns momentos de "Fences", mas deixa seu ápice ser ofuscado pela prolongação exagerada da faixa. A maior revelação do álbum é o
25 Hrs a Day, simpático parisiense que já havia trabalhado com o Phoenix e que, também em "Fences", acertou justamente na maior falha do Boombass, modificando a música sem deixá-la repetitiva ou cansativa demais. Mais pra frente, no hit "Lisztomania", o cara tem sucesso novamente, adicionando batidas e sintetizadores leves à música, sem tirá-la do ritmo.
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Phoenix - Lisztomania (25hrs A Day Rmx), Lisztomania (25hrs A Day Remix) (mp3)
Mesmo assim, o único trabalho inovador de toda a coletânea saiu de San Diego, Califórnia, por uma trupe que atende pelo nome de
Soft Pack e que satisfez ao adicionar guitarras experimentais e uma batida punk à tão comentada "Fences". Vale a pena terminar a review com ela, inclusive. Ouve aí:
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Phoenix - Fences (The Soft Pack RMX) (RE, Fences (The Soft Pack Remix) (mp3)