Atlas Sound - Logos
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ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2009
Selo: Kranky, 4AD
Estilos: Shoegaze, indie rock, experimental
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Atlas Sound - Logos
Devaneios acústicos e melodias experimentais porém acessíveis no segundo álbum solo de Bradford Cox
17.11.09 10:25
O último mês de outubro marcou o intervalo de um ano desde o lançamento de Microcastle (2008), álbum mais recente do quarteto de rock americano Deerhunter. Nesse mês de aniversário, o excêntrico líder do grupo, Bradford Cox, lançou Logos, segundo CD de seu projeto Atlas Sound. Com esse trabalho, ele consolida sua empreitada solo como um corpo alheio à banda que o alçou ao cenário alternativo dos Estados Unidos.

Logos é um disco de arranjos exóticos (com algumas ideias discutíveis sobre como conduzir uma música), vocais distorcidos e melodias macias compostas, em sua maioria, para o violão. Ele começa vagaroso, com um prelúdio composto por duas baladas melancólicas: "The Light that Failed" e "Orchid".

Ambas colocam em jogo o conjunto instrumental que será utilizado pelo resto do álbum para dar vida aos devaneios acústicos do Atlas Sound. Acordes cativantes vêm acompanhados por texturas eletrônicas que, ora simulam uma interferência radiofônica, ora lembram o murmúrio de um veio de água. Tristonhas, soam como um mergulho contemplativo ante o sopro radiante que vem a seguir.

Talvez a melhor composição do álbum, "Walkabout" tem a participação de Noah Lennox, membro do grupo nova-iorquino Animal Collective. Sua empolgante frase melódica não deixa escapar o acento pop que Cox disfarça habilmente sob arranjos inusuais. Para tanto, vale lançar mão de uma introdução barulhenta, plantar alguns samples com vozes infantis à distância e redobrar a reverberação dos vocais. Com versos tão pegajosos quanto estes, o resultado é invariavelmente irresistível.

Flash Content
Atlas Sound - Walkabout (w/ Noah Lennox) (mp3)

É aí que fica óbvia a vocação do compositor em elaborar canções acessíveis. Nada soa complicado demais em Logos, ainda que um primeiro contato pareça indicar o contrário. Para apreciá-lo de maneira apropriada, basta insistir até que os ouvidos vençam o verniz do desconhecido e sigam pelas paisagens campesinas de canções como "Criminals" e "Attic Lights".

"Shelia" é outro trecho em que a verve pop do Atlas Sound transparece, através de um delicioso riff de violão puxando o título da faixa, pronunciado pelo vocalista numa frase arrastada.

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Atlas Sound - Shelia (mp3)

As canções de Cox parecem ter saído de um universo imaginário, habitado por seres invisíveis a espíritos menos sensíveis que o de seu criador. Não raro, têm uma levada que lembra algo do rock motorik alemão. É o caso de "Quick Channel", que conta com a voz aveludada da cantora francesa Laetitia Sadier, do projeto Stereolab.

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Atlas Sound - Quick Canal (w/ Laetitia Sadier) (mp3)

Ainda que alguns de seus momentos não passem do inofensivo, como em "My Halo", a maior parte das músicas se mantém acima da média. "Kid Klimax" se aprofunda no uso de interferências ruidosas para apimentar sua moderada frase de teclado, enquanto "Washington School" e a faixa-título mostram a capacidade de Cox em levar a estados de torpor graças a uma bem sacada combinação de vocais bruxuleantes e teclados.

Flash Content
Atlas Sound - Washington School (mp3)

Com essa equilibrada dosagem de formas ousadas e melodias cativantes, Logos é um brilhante tratado sobre como estimular sensações de uma maneira simples e atraente, sem lançar mão de fórmulas medíocres.

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
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1 comentários
Jade Augusto Gola
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