Dirty Projectors, Grizzly Bear, Vampire Weekend, TV On the Radio, The National, MGMT, Matt & Kim... Ah, a cena musical do Brooklyn! Já há algum tempo exportando novos talentos, o bairro de Nova York ganhou um festival só para ele no último fim de semana no SESC Pompéia. Batizado
Ponte Brooklyn-Pompeia, a gig contou com três novas bandas que estão por lá, por aí, por aqui:
Chairlift,
Telepathe e
Bear Hands.
O trio Chairlift é, na verdade, de Colorado, e - como você pode saber - faz um som meio pop anos 80 (sintetizadores, tecladinhos e tal). O Bear Hands faz rock com percussões esquisitas. Os três são bacanas e interessantes, mas, de tanto ouvir falar no bem sucedido álbum de estreia do duo Telepathe,
Dance Mother, produzido por ninguém menos que
David Sitek, do
TV On The Radio, decidi conferir a apresentação das meninas Busy Gangnes e Melissa Livaudais. Elas, que ganharam muitos remixes de respeito de gente como Gold Panda, The Shoes, Frankmusik, Foals, e do próprio Chairlift, tinham tudo para ser a grande atração do festival. Mesmo desanimada com o comentário de alguém que já tinha visto um show decepcionante delas no festival
All Points West, na cidade-berço do duo, tomei coragem e limpei a cabeça de qualquer pré-conceito para ver qual era a da dupla.
Ao subirem no palco, Busy e Melissa já mostram a frieza de alguém que sabe muito bem o que está fazendo. Sem sequer uma palavra, jogaram de cara "Chrome's On It" no público, uma das melhores canções da dupla. Ali já era flagrante algum tipo de problema de som que impedia de ouvir as vozes, mas nada que tenha atrapalhado a apresentação. Depois de mandarem a canção "Michael", que ao vivo é cheia de sons esquisitos, ficou difícil evitar a comparação com o duo
High Places, que também é do Brooklyn e se apresentou em maio no Studio SP. Difícil porque o som feito pelo Telepathe tem algo de indefinível, mas ao mesmo tempo permeado por referências mil, assim como o High Places. E, se isso é algo já presente no disco, ao vivo é isso ao quadrado.
Talvez uma das maneiras de se explicar é que o som das meninas do Telepathe é fresco, fresquíssimo. Diferente, com doses acertadas de componentes lúdicos, mas que às vezes vão até um lugar mais escuro, como na música "Lights Go Down", em que Busy pediu para abaixarem as luzes, em uma das únicas vezes que a plateia ouviu sua voz (fora a cantoria, claro).
Durante pouco menos de uma hora de apresentação, o duo seguiu com suas composições experimentais de
Dance Mother, com sintetizadores e efeitos digitais se cruzando ao som da bateria tocada por Busy, vez ou outra adicionando alguns barulhinhos que parecem colocados fora do lugar de propósito. Sonoridades esparsas que quando mixadas ao som do Telepathe fazem todo o sentido. Apesar de tímido, o duo parece entrosado a ponto de uma quase saber o que a outra quer. Telepatia, sacou?
Uma pena que estivesse tão vazio. Uma pena que tão poucas pessoas saiam de casa numa sexta-feira para conhecer uma nova sonoridade. Mas, quem estava lá, garanto, saiu com a boa sensação de música fresca nos ouvidos.
F
otos: Thiago Freitas