Quarteto apresentou show similar ao que Brasil viu semana passada no Planeta Terra
Outro mês, outra Mercury Prize Session em Londres. A que rolou na última quinta, dia 12 de novembro, essa é sem dúvida uma das gigs mais legais (e exclusivas) a acontecer na capita britânica, pelo fato de que a organização se compromete a mostrar o melhor da música pop feita no Reuno Unido em um ambiente íntimo e sound system de primeira. E eles (quase sempre) entregam. Dessa vez no line-up estavam as bandas de pop-eletrônico de Brighton,
Metronomy, e o uma das maiores vozes do hip-hop inglês,
Roots Manuva.
O sarcástico e talentoso Metronomy, projeto de Joseph Mount, soa fresco e moderno, mas quem diria, já tem 10 anos de estrada. Mount, compositor, vocalista, guitarrista, tecladista e certamente muitos outros "-istas" da banda, remixou nesse tempo uma lista impressionante de artistas que vai de Klaxons e Architecture in Helsinki a CSS e o próprio Roots Manuva - mas só têm dois álbuns.
O último
Nights Out, de 2008, é o disco responsável por colocar o projeto na mira da imprensa musical, e é dele que veio a maioria das tracks do show. Apesar do background eletrônico (Mount cita Aphex Twin e Kraftwerk como influências), seus maiores hits "Heartbreaker" e "Thing For Me" são puro indie rock de pista, e é difícil entender como elas ainda não caíram nas graças da massas.
A gig dessa noite foi a última do projeto esse ano -
ao vivo, Metronomy é um quarteto - e uma combinação de senso de humor e ecletismo sonoro marca a apresentação dos caras. Começando dark e sinistro, com os quarto membros dedilhando em um teclado Roland as notas da instrumental "Night Out", logo se dissolve em um saracoteio pop a la MGMT e Scissor Sisters, cada um vestindo os botões gigantes iluminados, que piscam de acordo com a velocidade da música.
Meia hora de break e entra Rodney Smith, o Roots Manuva, sereno e confiante, carregando o que parece ser um leve desdém pela audiência puramente classe média (aquela que se orgulha de ter um gosto eclético que vai do hip-hop conceitual á... salsa). Acompanhado de dois backing vocals e um DJ, Roots anuncia que a idéia é "voltar no tempo, uma jornada pela minha discografia", mas a track list do show é definitivamente menos temperamental e sisuda do que os discos do início da carreira, "Brand New Second Hand" e "Awfully Deep".

Talvez seja porque o rapper, vindo do cruel sul de Londres, parece que conseguiu finalmente exorcizar os demônios e liquidar uma depressão em 2005. Ele abre com a melancólica "Movements", a primeira track do seu primeiro álbum, mas duas músicas adentro, o rapper já aparenta estar animado e sorridente. Fica de lado o rap estilo "papo-reto" e entra em foco uma sonoridade mais groove, com "Rebel Heart", o hit reggae "Again and Again" do último disco
Slime and Reason, "Nobody's Dancing" e o refrão sing-along de "Let The Spirit", produzido pelo Metronomy.
Como
as outras gigs, ambos os shows são compactos e direcionados, duas horas de entretenimento infalível, ainda que ligeiramente mediano. Mas nada que vá fazer classe média nenhuma sair insatisfeita.
fotos: Suzie Blake