Indie Rock Festival 2009 (São Paulo)
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ficha técnica

Ano: 2009
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Indie Rock Festival 2009 (São Paulo)
Em noite de apagão, Gogol Bordelo e Super Furry Animals botam fogo no Via Funchal
13.11.09 15:05
O Indie Rock Festival tem nessa sexta-feira, dia 13/11, sua etapa carioca. Os shows são de Gogol Bordelo, Super Furry Animals, El Mató a Un Polizia Motorizado (Argentina) e os paulistanos do Holger, na Fundição Progresso. Infos completas aqui.
Faltavam poucos minutos para começar a apresentação da banda Super Furry Animals quando a Rua Funchal, onde fica a casa de shows Via Funchal, em São Paulo, apagou.

Naquele momento, as menos de mil pessoas que estavam ali para o Indie Rock Festival - que teria também show da banda Gogol Bordello - ainda não sabiam, mas outros 18 estados brasileiros haviam acabado de entrar na mesma condição. Estávamos ilhados em um dos poucos locais onde a situação de energia estava normalizada, graças ao gerador do local. Lá fora, aparentemente, a situação era de medo e desespero. Pais ligavam para seus filhos a todo momento para saber se estava tudo bem, ao que eram prontamente respondidos que sim. Claro. Na verdade, não havia melhor lugar para estar naquele momento. Apesar da situação estranha que ocorria no país, no Via Funchal estava acontecendo exatamente o que era esperado. O local virou uma espécie de ilha isolada do caos urbano para dar lugar a um outro tipo de situação caótica.

Canta, Nick!
Canta, Nick!
Mesmo com a queda de energia, Gruff Rhys subiu ao palco com seu Super Furry Animals pontualmente às 22h. Abriram com "Slow Life" e seguiram com "(Drawing) Rings Around the World". Apesar de ter ficado conhecido por suas exravagâncias dentro e fora do palco - no show que fez no Tim Festival de 2003 no Rio de Janeiro, a banda se vestiu com macacões peludos e uniformes de Power Rangers - dessa vez o grupo se mostrou muito mais tranquilo, mas não menos incendiário. Embora a única coisa diferente que os galeses tenham trazido dessa vez para o público brasileiro fossem cartazes com mensagens variadas, alguns com as palavras de agradecimento "obrigado" e "danke", outros pedindo aplausos e até mesmo um que pedia que a plateia gritasse "whoa!" - levantados na música "Crazy Naked Girls", o grupo de Rhys conseguiu levantar o Via Funchal.

Outro cartaz que também divertiu o público trazia uma foto do guitarrista do Franz Ferdinand, Nick McCarthy, que tem uma participação especial na música "Inaugural Trams", do ultimo álbum Dark Days/ Light Years, cantando frases em alemão. Aliás, se por um lado o Super Furry Animals estava escalado como banda de abertura pela organização do festival, deixando Gogol Bordello na posição de maior atração da noite, por outro a banda acabou surpreendendo e fazendo uma apresentação contagiante e enérgica. Os próprios integrantes pareciam estar se divertindo muito, e, mesmo interagindo pouco durante a apresentação, deram um final apoteótico para a a música "The Man Don't Give a Fuck", com Rhys, Huw Bunford (guitarrista) e Guto Pryce (baixista) cruzando seus instrumentos no alto, como espadas de mosqueteiros. A última música foi "Keep the Cosmic Trigger Happy", que terminou com o baterista Dafydd Ieuan jogando as caixas e pratos no chão e Rhys colocando um cartaz escrito "fim", em cima do que sobrou da bateria. Caos.

De nada!


Depois de quase uma hora de espera entre os shows, o Gogol Bordello finalmente entrou no palco. E, se o show do Super Furry Animals terminou em caos, o que a plateia poderia esperar de uma banda punk cigana que tem mais de dez integrantes de etnias diversas no palco, tocando instrumentos como acordeão e violino? Mais caos, claro! E talvez essa seja a palavra perfeita para definir o show da banda - impressão que tive também há um ano atrás, quando eles se apresentaram no finado Tim Festival, na Arena do Parque do Ibirapuera.

Do momento em que o Gogol Bordello entra no palco até o minuto em que o último integrante somiu dali, esqueça qualquer tipo de distração. Esqueça o amigo do lado, a cerveja, o mundo acabando lá fora. Tudo o que você consegue prestar atenção é no frontman ucraniano Eugene Hutz correndo de um lado para o outro com o violão pendurado no meio do peito com cara de maluco, no tiozão russo Sergey Ryabtsev tocando um violino escangalhado freneticamente e em todas as - muitas - coisas que acotecem no palco durante o show. Uma que chamou minha atenção especialmente no show de 2008 foi a grande participação das dançarinas e backing vocals Pamela Jintana Racine e Elizabeth Sun - que, como da outra vez, vestiam camisetas do Santos F.C. -, mas dessa vez ganhou mais destaque o percussionista equatoriano Pedro Erazo, que mostrou mais sua faceta MC na fase dub do show.

Só no Gogol


Vestido com uma camiseta com a bandeira do estado de Pernambuco, Eugene abriu o show cantando "Ultimate", que também abre o último disco, Super Taranta (2007). Porém, o que o som do Super Furry Animals teve de claro e harmonioso não chegou a acontecer para o Gogol Bordello. Culpa de algum problema de som que insistiu em sumir com o som de alguns instrumentos durante o show. Uma pena, mas nada parecia incomodar os fãs, que não paravam de pular e cantar um minuto sequer.
O show seguiu mesclando principalmente músicas dos álbuns Gypsy Punks: Underdog World Strike e Super Taranta, com algumas outras canções dos álbuns anteriores, menos conhecidos do público, mas que não deixou ninguém desanimado. Apesar de os refrões das músicas estarem na ponta da lingua de todo mundo, o show todo parecia mais uma grande festa cigana em que tocava a mesma música, o que, de certa forma, tornou o show de quase 2 horas cansativo para alguns.

Eugene Hutz
Eugene Hutz
Quando saíram do palco pela primeira vez, os integrantes do Gogol Bordello se despediram de toda a plateia, dando a mão para quem estava próximo a grade. Então, foi a vez de Eugene Eugene voltar sozinho para cantar "Alcohol", que apesar de ter sido tocada apenas com o violão, parecia estar vindo de uma banda toda, mostrando que o Gogol Bordello pode até ter mil integrantes vindos de todos os lugres do mundo e ter dezenas de pessoas correndo de um lado para o outro no palco, mas o que faz a diferença é Eugene. Esse ucraniano maluco é o que todo frontman de banda deveria ser: carismático e com uma energia e presença de palco incríveis, capaz de burlar qualquer adversidade, de um problema de som até uma pane elétrica no país inteiro.

Carol Nogueira
Carol Nogueira
twitter.com/carolnogueira
comentários
1 comentários
Lucio Caramori
Lucio Caramori(15.11.09)
2AprovadoQueima
O Gogol Bordello é mesmo uma grande pataquada, como diria minha mãe.
Mas por isso mesmo que é bom.
Fui no show do TIM e foi tudo isso aí mesmo que você descreveu.
Diversão pura, simples e descompromissada também é bom de vez em quando.
Boa resenha.
l.