Eletronika - edição ano 10
Rubin Steiner
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 0.00/5
Nota: 0.0 (0 voto)
login para votar!
ficha técnica

Ano: 2009
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Eletronika - edição ano 10
Birdy Nam Nam e Stop Play Moon entre os destaques do festival mineiro, que comemora 10 anos
09.11.09 18:55
Em 1989, entre vésperas do fim do mundo e bug milênio, em um cenário fraco do rock nacional e cercado pelas novidades da chamada dance music, surgia o Eletronika - Festival de Novas Tendências Musicais. Aluizer Malab, Marcos Boffa, Jefferson Santos, Israel do Vale e Haroldo Botellho, produtores e idealizadores do festival, foram verdadeiros "bandeirantes", desbravando terreno, à frente de grandes eventos do gênero como o Skol Beats e Motomix. Ellen Allien, Stereo Total, Tortoise, Jaques Lu Cont, Amon Tobin, LCD Soundsystem, kruder e dorfmeister, The Battles, Asian Dub Foundation, Stereolab e vários outros artistas carimbaram passaporte primeiro em Belo Horizonte nestes 10 anos de festival, que também abrigou parcerias com o canadense Mutek e o espanhol Sonar, palco de um showcase do festival em 2004, catapultando o funk carioca ao estrelato mundial.

Birdy Nam Nam: turntablism ao extremo
Birdy Nam Nam: turntablism ao extremo
Para esta edição 2009 o Eletronika entrou no circuito das comemorações do ano da França no Brasil, e teve os franceses entre as grandes atrações. Birdy Nam Nam, Anoraak, Rubin Steiner e Minitel Rose foram os headliners do festival que ainda teve presença do novo cenário eletrônico nacional como Stop Play Moon e Copacabana Club e retornos como do Zémaria e da prata da casa Virna Lisi, cultuada banda no meio underground mineiro.

Primeiro Dia

Retomando suas raízes, o festival se apropriou do centro da cidade, em uma clara e feliz iniciativa de revitalização desta área um pouco deteriorada. Desta vez uma fábrica desativada e tombada pelo Patrimônio da cidade recebeu o Eletronika. Vigas metálicas, paredes de tijolo aparente e o reboco desgastado deram charme ao evento e parte da programação ainda aconteceu em outros três espaços: os clubes A Obra, Velvet e Deputamadre.

A programação primeira noite do festival foi exclusivamente dedicada ao rock no galpão do Espaço 104. O público chegava timidamente, quando os goianos do Black Drawing Chalks subiram ao palco na quente noite de quinta-feira. Esta foi a segunda apresentação da banda em BH, que apesar de conhecer pouco do repertório se empolgou com o show que reunia músicas dos álbuns Big Dia (2006) e Lei is a Big Holiday For Us (2009).

Com o galpão bem mais cheio e com boa parte da platéia beirando os 40 anos, os mineiros do Virna Lisi fizeram seu show de retorno no palco principal do Eletronika. A banda, que é uma das mais queridas do público, tocou todos seus hits acompanhado em coro por um público composto principalmente por fãs. A versão de "Eu Quero Essa Mulher", o maior sucesso da banda, provocou uma verdadeira histeria. Retorno histórico e bem vindo de uma das bandas mais importantes da cena pop rock do fim do último século.

Terminado o show o público se dividiu entre dois clubes: A Obra e Velvet. Eu corri para o Velvet, querendo matar saudade do sempre surpreendente set do Camilo Rocha, que dispensa maiores apresentações. Seu vasto conhecimento musical permitia tocar qualquer coisa, mas naquela noite o público levantava mãozinha pro alto em um set fino, basicamente de house e nu-disco, receita seguida de perto por Bray, o DJ que assumiu as cabines logo em seguida.

No inferninho A Obra, era a noite dos "one man band": Melda e Chucrobillyman. Melda é um projeto do dono da casa, o conhecido Claudão, verdadeiro alicerce da cena indie mineira. Claudão se apresentou na guitarra auxiliada por uma bateria eletrônica, performace que, dizem, foi divertido. Chucrobillyman foi uma verdadeira aula de coordenação motora: megafone, bateria e viola. Não é sem motivo que ele se intitula como "lendário".

Segundo dia

Iniciando o segundo dia do festival os mineiros do Dead Lover's Twisted Heart dão pitada folk a noite. Com publico cativo a banda empolgou os fãs presentes como "Huckleberry Finn" e "Hey Babe Have You Ever Been In Hell?". As influências musicais dos Lovers vão de Bob Dylan a jovem guarda, passando por Nelson Gonçalves e foram à dose certa para o começo da noite mais cheia do festival.

Segunda banda a se apresentar no palco Eletronika Lab, os paulistas dos Garotas Suecas, pesaram a mão no festival. Formado por apenas uma garota e cinco garotos, nenhum sueco, mostraram um rock bem pesado e meio distoante do restante da programação do dia. Mesmo assim, o público já se aglomerava para a próxima banda da noite, a também paulista Stop Play Moon.

A cantora Geanine Marques, do Stop Play Moon
A cantora Geanine Marques, do Stop Play Moon
Começava as atividades do dia no palco principal do festival. Posicionado no meio do galpão, de forma que os transeuntes da praça em frente pudessem ver toda a movimentação, seria o cenário perfeito para a mais celebrada apresentação da noite: Stop Play Moon. No palco o guitarrista Paulo Bega fazia fundo para a entrada triunfal da modelo Geanine Marques. Sempre que penso nela me vem à imagem do desfile do Herchcovitch anos atrás, sozinha e atraindo todas as atenções. E é bem isso a banda ao vivo, correta e impossível não se deixar levar. A voz de Geanine não tem alcances estrondosos, mas somada a músicos competentes, presença de palco, beats dançantes na medida certa e um figurino arrebatador fizeram desta a melhor apresentação da noite no Espaço 104. "Faking Faces" e "Take it All" empolgaram até mesmo o publico roqueiro presente. Finalizando o show "Hey", que é ainda mais gostosa ao vivo.

Minitel Rose
Minitel Rose
Copacabana Club foi a próxima banda no palco principal. Os curitibanos ganharam notoriedade depois de receberem aprovação de artistas internacionais como Kanye West e se tornarem um fenômeno na internet. Bem produzida e com músicas excelentes como "Just do it" e "Come Back" a banda decepciona ao vivo. O clima dançante e despretensioso do álbum não aparece e a performance fica abaixo do esperado pelas centenas de pessoas que estavam ali para ouvir "a banda do momento". Ponto alto com "Peach" e é claro "Just do It". Não deixou saudade.

Encerrando a noite de sexta no Espaço 104, os franceses do Minitel Rose, mostrando finalmente a França no festival. O trio responsável por "Magic Powder" eram um dos mais aguardados na programação do dia e não decepcionaram. A sonoridade indie e oitentista deram clima a voz suave de Raphaël D'Hervez. O álbum mais recente, Tem French Machine (2009), com apenas sete, mas incríveis músicas serviu de fundo a este live com jeitão de banda e clima low profile. Tanto que os três integrantes eram figuras acessíveis em todo festival, presentes nos shows e distribuindo conversa com quem topasse pela frente.



Fim do expediente no 104 era hora de seguir rumo ao Deputamadre, casa da eletrônica de qualidade em Minas Gerais. Killer on the Dancefloor e N.A.S.A. se apresentaram para um público que formava fila na porta desde antes do fim dos shows. Várias pessoas foram ali apenas para estes shows e nem se davam conta do restante da programação. Com single recém lançado, "Gringo Oba Oba", os meninos do Killer on the Dancefloor mostraram porque seu live é um dos mais divertidos da noite paulistana. Cheguei quase no fim da apresentação, com o publico pedindo bis, mas Philip A, Ali Disco e Fatú foram interrompidos pelas primeiras frase do MC que acompanhou a performance do N.A.S.A.

Aguardada, a apresentação do N.A.S.A colocou o Deputamadre, que já ficava pequeno, pra dançar. Farofa de músicas e estilos, o duo anglo-brasileiro misturava de Beastie Boys a Daft Punk, passando por "Love for Love" de Robin S. e as músicas próprias. Imprevisível e muito divertido, tirando a constante tentativa de Sam Spiegel arrancar gritinhos do público tentando dizer "Belo Horizonte".

Último dia

L'est e Zémaria eram as bandas a se apresentar no palco Eletronika Lab, com público ainda chegando ao festival e sem empolgar muito as bandas eram apenas um pequeno aperitivo ao prato principal: O encerramento de sotaque francês, com Rubin Steiner, Birdy Nam Nam e Anoraak.

Rubin Steiner foi o primeiro a se apresentar. Esta é a segunda vez que o projeto de Frederick Landier se apresenta no festival. Sua primeira participação em 2003 foi memorável e é uma das mais aclamadas do história do festival. A fusão rock, punk e jazz deu lugar a uma pegada bem mais rocker, distanciando de vez de 2003. Surpreendente é o mínimo que se pode dizer. A apresentação esteve focada nos dois últimos albuns Drum Major e Weird Hits, Two Covers & a Love Song, os discos mais rockers do projeto. Atual e bastante carismático, Rubin Steiner levou todos ao delírio quando o francês desceu a platéia para cantar no meio do público. Jogou por terra a apresentação de 2003, melhor e mais poderosa.



Anoraak
Anoraak
Após uma rápida mudança de equipamentos, Anoraak, a figura mais notória do coletivo Valerie de qual também faz parte Minitel Rose, encanta e da respiro ao público com sonoridade cadênciada cheia de influências da década de 80, de trilhas sonoras a barulhinhos de videogame (eu identifiquei Mega Drive). Synth pop francês permeado por alma rock, principalmente quando o Anoraak se rende a guitarra.

Fechando o eletrônica veio o quarteto Birdy Nam Nam. Em rápida conversa com Aluizer Malab, ele garantiu que seria a maior surpresa do festival. O produtor fechou com os artistas após assisti-los no Transmusicales de Renne em 2008. Escolha acertada! Ganhadores de vários prêmios, entre eles o famoso campeonato DMC, o Birdy Nam Nam é formado por 4 DJs : Crazy-B, DJ Pone, DJ Need, e Little Mike.Cada um deles é responsável por um elemento da música, seja ele base ou batida por exemplo. Cada apresentação é praticamente única e completamente baseado no turntabalism. Juntos e com uma técnica invejável, eles transformam sua apresentação em um verdadeiro carnaval, uma viagem aos olhos e ouvidos, de cair o queixo. O publico respondeu a altura do espetáculo pulando muito a cada intervenção dos franceses. Clima de festa no encerramento da edição ano 10 do festival. Vida longa ao Eletronika!



Fotos: Marina Abadjieff

Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
comentários