Parceria com produtor inglês dá mais brilho à eletrônica experimental da dupla de Bristol
Em setembro de 2008, a gravadora ATP Recordings lançou
Colours Move, segundo EP da dupla inglesa de drone-music Fuck Buttons. Além da faixa-título, o pacote incluía um remix do renomado produtor britânico Andrew Weatherall (ele já trabalhou com Primal Scream e Björk) para "Sweet Love for Planet Earth".
Rigorosamente polido e menos barulhento que a original - esta incluída no álbum de estreia do Fuck Buttons,
Street Horrrsing (2008) -, o remix oferecia uma prévia de como soaria
Tarot Sport, segundo CD dos ingleses. É que o disco, que chegou no mês passado às lojas, foi completamente produzido por Weatherall.

Formado em 2004, na cidade de Bristol, pelos produtores Andrew Hung e Benjamin John Power, o Fuck Buttons faz música eletrônica experimental e repleta de dissonância. Seu talento está na capacidade de incluir algumas belas melodias a esse estranho conjunto, sem nunca soar pop e mantendo uma sensação permanente de anticlímax.
As sete faixas que compõem este álbum estão todas conectadas, como num mix, e chegam a ter quase 11 minutos de duração. A maior delas é "Olympians" (com 10 minutos e 54 segundos), cujo nome já entrega a atmosfera épica criada a partir de uma anestesiante infusão de teclados. É feita sob medida para longas viagens regadas a ambrosia lisérgica.
Em comparação a
Street Horrrsing, os timbres de
Tarot Sport soam mais cristalinos. Mas isso não significa que o ruído tenha se dissipado. Ele só está mais comedido - e o resultado parece ainda melhor. Como em "Rough Steez", que abre com um chiado grave de doer os tímpanos. Num instante, um conjunto de percussão é convocado para dar cadência ao arranjo, transformando o que era barulho em uma dançante frase de sintetizador.
Fuck Buttons - Surf SolarEssa sensibilidade técnica só pode ser atribuída ao trabalho em conjunto com Weatherall. Em
Tarot Sport, o desafio do produtor parece ter sido impor limites à capacidade impulsiva do Fuck Buttons em compor trilhas lunáticas. É assim que "Surf Solar" transborda de emoções, mesmo lançando mão de sons potencialmente dolorosos. Seus teclados, que remetem à house mais psicodélica dos anos 80, também entregam o sabor hipnótico deste disco.
Outra má notícia para quem procura por uma estrutura pop: não há vocais nem refrão por aqui. "Phantom Limb" (uma das mais próximas ao som de Street Horrrsing) e "Space Mountain" tencionam ao máximo a capacidade de nosso cérebro em extrair sentido de onde não há nem resquício dele. Mas, ao fim da audição, nos resta o consolo de que talvez seja mesmo necessário se desamarrar de qualquer racionalismo antes de compreender
Tarot Sport em todas suas nuances ininteligíveis.
A mão de Weatherhall fez toda diferença. Foi uma evolução e tanto de Street Horrsing pra Tarot Sport, em apenas um ano.
Sem dúvida temos aqui já um clássico da música eletrônica.
Estou impressionado com o Fuck Buttons e aposto que ainda vão crescer mais. Longa vida ao Fuck Buttons!