Dinky - Anemik
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ficha técnica
Nota: 3.4 / 5
Ano: 2009
Selo: Wagon Repair
Estilos: Techno, minimal, techno pop
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Dinky - Anemik
Acústico e eletrônico se unem e encorpam o quarto álbum nada anêmico da produtora
29.10.09 09:30
 
A DJ e produtora chilena Alejandra Iglesias, aka Dinky, apaixonou-se pelo techno quando viajou para Berlim pouco antes de ir morar em Nova Iorque para estudar dança em meados da década de 90. Hoje, mora na cidade. Em 2000 já havia assinado com o seminal selo Traum Schallplatten, de Colônia, quando tinha apenas 23 anos. De lá para cá a moçoila não parou e já lançou faixas pela Cocoon, M-nus e Resist. Atualmente, tem residência no berlinense Panorama Bar, é dona do pequeníssimo selo Horizontal e toca por festas e festivais mundo afora.

As produções de Dinky vêm sempre tocada por um leve ar berlinense, cidade que ela totalmente se identifica para tocar e morar. Alguns dizem que ela é uma cópia latina de Ellen Allien, e embora sejam percebidas algumas inferências à música da produtora do Bpitch Control, as produções de Dinky pertencem a uma outra seara. O som de Dinky é feminino, dançante, melódico, micro.

Dinky @ Mothership em 2006 (D-Edge - foto por João Sal)
Dinky @ Mothership em 2006 (D-Edge - foto por João Sal)


Anemik, quarto CD de Dinky, tem essa "atmosfera de feminilidade." Foi lançado pelo selo Wagon Repair de Mathew Jonson, exatamente um ano após o seu elogiado May Be Later. Nesta nova etapa, Dinky procurou mesclar eletrônica e acústica enfatizando em alguma faixas os vocais como elemento de contraponto às batidas, agregando assim um valor harmônico.

Esse elemento acústico apresentado em Anemik aparece logo na segunda música, "Romaniks," com timbres de um instrumento de ritmo latino adicionado a pequenos samples de sua voz, filtrados. Ao fundo, um piano sintetizado e com efeito fazem um bobo "riff," mas o que chama atenção nessa desconstrução é o hipnótico mantra que começa pouco depois dos quatro minutos.

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Dinky - Romaniks (mp3)

Seguida a esta começa um jazz bebop. Bem, pelo menos em sua introdução. "Westoid," segue house e funky com a voz lamuriosa de Dinky sendo complementada com os tons barítonos do cantor pop Jorge Gonzalez (Los Updates).

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Dinky - Westoid (Featuring Updates) (mp3)

Nem só de desconstrução e experimentações vive Anemik. "Rain Fallic," por exemplo, é quebradiça e carrega em si uma melancolia viajante que lembra de longe ao Portishead, mas sem o poderoso vocal de Beth Gibbons. Dinky, mais uma vez canta, buscando aclimatar uma produção que mostre seus dotes musicais, e os intrumentos de ritmo acústico dão o tom melódico tão necessário à faixa. Bacana! Em um outro pólo está "Skyped," melódica sim, porém voltada à pista de dança. Os vocais fluidos que seguem, às vezes entrecortados - outras manipulados - imbuem a pista de leveza e ritmo, muito diferente dos tempos de "Acid In My Fridge".

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Dinky - Rain Fallic (mp3)

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Dinky - Skyped (mp3)

A grande pérola do álbum é "Epilepsia", toda construída por arpeggios melódicos muito bem pontuados e manipulados de forma analógica. Podemos perceber sua técnica como pianista e manipuladora harmônica. A cadência, pontuada novamente pela latinidade, vai serena, sintetizada. A faixa mostra uma Dinky muito além das comparações a outros produtores, e traz um certo ar urbano notívago por cima de sua melodia misturada a ecos de latinidade.

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Dinky - Epilepsia (mp3)

ENFIM, O AMADURECIMENTO
A carreira de Dinky sempre se viu cercada de comparações, mesmo desde 2000, quando caiu nas graças da mídia europeia. Talvez por fazer parte do mesmo círculo social de inúmeros artistas de Berlim, ou talvez somente pelo fato de morar na cidade. Estas comparações acabaram por lhe render alguns "apelidos," como "Ricardo Villalobos de saias"; ou a identificação com Magda e depois com Anja Schneider e, quase sempre ter suas produções medidas por aquelas de Ellen Allien. Quer sejam comparações, ou pura implicância, há sim alguma verdade por trás desses disse-me-disses.

Desde 2005, com o boom de "Acid In My Fridge," as produções da moça cairam no gosto do povo. Referências musicais são naturais e, até construir uma identidade própria, suas produções foram influenciadas em parte pelos nomes acima citados.

Dinky: feminina
Dinky: feminina


Em seu quarto ábum, entretanto, percebe-se esse seu amadurecimento. Ouvindo o álbum notam-se inferências a Neubaten e a Mazzy Star em "Fadik," um certo tom de Mulatu Astatke, um pouco de Portishead, um pouco de Ellen Allien e de Ricardo. E um pouco de mais aquilo que se desejar encontrar. É só procurar.

O amadurecimento da produtora está em reconhecer todas essas influências musicais e criar uma atmosfera própria e uma identidade única, agregando elementos e tratando as faixas como parte de um conceito. Aqui, talvez, tenha sido o mundo onírico.

Aliás, agradar gregos e troianos sempre foi um problema, não?

Catarina Liarth
Catarina Liarth
A vida é feita de altos-e-baixos...
comentários
4 comentários
powerpill
powerpill(02.11.09)
0AprovadoQueima
=)
God-Dog
God-Dog(01.11.09)
0AprovadoQueima
Divino.
ordeep
ordeep(30.10.09)
0AprovadoQueima
ta foda pra achar link pra esse disco na net.
se alguem se prontificasse seria ótimo.
Marcelo Godoy
Marcelo Godoy(29.10.09)
-1AprovadoQueima
exige uma compreensão mais filosófica!