Na busca por trazer nova dimensão ao techno, Renato Cohen escapa de quaisquer tendências e produz álbum personalíssimo
Em 2007, quando entrevistei pela primeira vez Renato Cohen, ele estava imerso em seu estúdio, às voltas com a lapidação das primeiras ideias que renderiam seu debute em
full lenght, depois de anos na estrada. Até então Cohen, sem dúvida um dos nomes mais reconhecidos do techno nacional, só havia feito música para DJ, pensando no que funcionava na pista. Caso de "
Pontapé" (2002), seu mais do que disseminado hit.
"No álbum eu estou tentando fazer algo meio a meio", disse ele naquela ocasião, "metade para DJ, que funcionasse bem na pista, e metade para ouvir". Espirituosamente nomeado
Sixteen Billion Drum Kicks, o aguardado trabalho saiu, sem muitas delongas e primorosamente talhado. Agrada aos afeitos pelo bate-staca simplão, tanto quanto os amantes das bases melodiosas e das mudanças de climas.
ROL DE CONVIDADOSO conjunto das faixas soma repertório que, sobre ritmos que flutuam entre o techno e a house tradicionais, adiciona arranjos muito grooveados, batidas quebradas e influências diretamente vindas do samba de raiz, do jazz, da disco music e do funk. E as participações especiais, escolhidas a dedo, só vêm dar ainda mais graça à produção de Cohen. Marku Ribas trouxe o fino do samba rock setentista a "Cosmic Man", que começa numa marcação bem Detroit para depois evoluir com incrementos black.

Para a já lendária "Pontapé", uma versão jazz foi concebida com colaboração do trombonista Bocato, e virou mesmo uma sensível releitura, com todos os adereços típicos de um jazz das antigas. Boa parte do disco foi finalizada por Cohen ao lado do Technasia, então é devido à química entre os dois o bom resultado de faixas como a lancinante "Acida", a bombada "Jaxx" e "Samba Who", que também tem contribuição de Igor Willcox, com seu andamento mais galopante e elíptico.
Sixteen Billion... revela um Renato Cohen severamente interessado em explorar sonoridades, rompendo com o protocolo feijão com arroz que às vezes consome alguns artistas da cena techno. E, por mais que ele mesmo afirmasse naquela entrevista que está "interessado nessa música que não seja necessariamente pra pista", há muitas faixas aqui que conseguem ao mesmo tempo fugir do senso comum e fazer dançar.
Se o objetivo era aprimorar essa coisa de fazer o som funcionar tanto na pista quanto no
stereo de casa, não parece exagero afirmar que esta primeira incursão em formato álbum de Renato Cohen alça sua carreira para novos e longínquos patamares.
Gaia, me chama pra escrever aqui! ;P
Preciso é atualizar meu blog...
Corazon e Cultura em constante movimento são minhas preferidas.
=)
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