Washed Out - High Times
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ficha técnica
Nota: 4.6 / 5
Ano: 2009
Selo: ---------
Estilos: Pop, eletrônica, ambient, breaks
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Washed Out - High Times
Projeto "caseiro" de produtor americano lança mini-álbum com tiragem de apenas 200 cópias
26.10.09 12:00
Vivemos mergulhados numa paisagem de músicas perfeitamente produzidas. É o tedioso universo radiofônico da compressão controlada; dos vocais pasteurizados por efeitos; dos baixos esféricos. Talvez isso explique porque as músicas do projeto americano Washed Out soem tão joviais e refrescantes logo à primeira audição.

High Times foi lançado em uma edição limitada a 200 cópias em fita cassete, mas está amplamente disponível para download em versão digital. As faixas são assinadas pelo produtor de quarto Ernst Greene, com quem o Rraurl bateu um papo recentemente. E a sonoridade delas reflete a inaptidão técnica de Greene. São abafadas; seus instrumentos se sobrepõem de uma maneira estranha e os samples parecem gravados em MP3 de baixíssima qualidade. Quase dá para ouvir o estalo dos cabos mal conectados do computador.



Mas quem precisa de técnica quando se tem frases de teclado tão boas quanto a de "Olivia"? A música se desenrola sobre um loop de sintetizador brilhante. Distante desta época, ela soa como um hit romântico resgatado de uma caixa esverdeada pelo bolor. Quem não se apaixonar deve, ao menos, sair com o coração amolecido - é o estado da arte em pop eletrônico.

Flash Content
Washed Out - Olivia (mp3)

Outro acerto é "Belong", que reforça a verdade inconveniente a qualquer rato de estúdio: uma música não precisa ser perfeitamente produzida para tocar um ouvinte. Os vocais de Greene vacilam, desafinam, somem no arranjo - mas junto aos teclados, que vêm num ritmo jamaicano, a conquista é imediata. As colagens assumidamente precárias de "Good Luck"; a maneira brusca com que as faixas terminam - tudo contribui para essa aura deliciosamente relaxada do Washed Out.

Flash Content
Washed Out - Belong (mp3)

Flash Content
Washed Out - Luck (mp3)

O afeto pelas miudezas cotidianas aparece nos nomes de algumas canções: "Phone Call" é uma das mais felizes, com coro de vozes e um emaranhado de bateria e teclado. "It's Kate Birthday" tem samples de sirenes, saxofones e um grave sintético saído de um brinquedo made in China. Seus loops repetitivos, que não levam a lugar algum e terminam sem aviso, afrontam os tabus da métrica. E é essa aversão ao complexo que torna High Times uma terapia de desintoxicação musical.

Mesmo que Greene não sobreviva ao hype, suas músicas já serviram como inspiração a quem gosta de produzir música em casa. Numa época em que softwares gratuitos proliferam, este álbum demonstra que qualquer computador pode se tornar uma magnífica usina de criatividade. Que surjam mais novidades caseiras - e talentosas! (E não se esqueçam de me endereçar uma cópia.)

Marcus Vinícius Brasil
Marcus Vinícius Brasil
twitter.com/marcvs
comentários
11 comentários
fofo
 Markan
Markan (30.10.09)
2AprovadoQueima
É viciante porque é muito bom.*
 Markan
Markan (30.10.09)
2AprovadoQueima
É viciante porque é bem muito bom.
Jade Augusto Gola
@Jarrier Modrow

Lembro do Chemical quando eles surgiram, o espanto sobre o bom uso de samples. É praticamente a mesma coisa. :)
Jarrier Modrow
Jarrier Modrow(29.10.09)
3AprovadoQueima
Fantástico o som desse figura, tempos que eu não escutava umas músicas ``em loop'', brilhante mesmo. Uma das melhores coisas de 2009 pra mim. HIGH TIMES. As minhas preferidas são a Belong, viciante esse som (me parece que sampleou a Carly Simon - Why), a Olivia, e a Phone Call. Eu tinha ficado mais impressionado por, de início, ter pensado que ele tinha realmente criado tudo sem samples, nota por nota, mas pelo contrário, é praticamente tudo sample, orquestrado no Reason + Cubase + plugins tipo o Izotope Vinyl. http://migre.me/acCM = http://migre.me/acCE (essa não tá no mini album). Mas por ser samples não tira o mérito da obra. Que venham mais e mais projetos nesse naipe, Neon Indian e etc, com essa estética sonora, priorizando os grooves, drum machines e sintetizadores empoeirados. É uma legítima transgressão contra o ESTABLISHMENT, da briga pelo som mais alto, comprimido e limpo, porém sem feeling.