Quando você pensa em Iggy Pop, pensa em catarse no palco, Stooges, "Lust for Life", calça jeans justa e torso nu e magro aos 60 anos. Bem, talvez ele queira mudar isso.
Pelo menos é a impressão que fica ao ouvir "
How Insensitive" (sim,
a versão em inglês para o clássico da bossa-nova "Insensatez"), onde Iggy, junto com cordas, canta com uma tristeza sem fim a história de um coração partido. Se não foi suficiente, tente "
Les Feuilles Mortes", clássico da canção francesa que Iggy interpreta com seu carregado sotaque norte-americano.
Seu primeiro álbum solo desde 2003
Skull Ring traz uma mistura de jazz francês e spoken word, sempre com viés entre o macabro e o irônico (veja a capa) e esbarrando em temas como morte, envelhecimento e, claro, o amor. É uma coleção curta (36 minutos) de canções originais e covers
É um Iggy Pop totalmente diferente mas, porque não, igualmente apaixonante. Em comum com o avô do punk rock que conhecemos e amamos estão aqui a intensidade, o cinismo, o gosto pela decadência. Mas, principalmente, a paixão. Pense em um Serge Gainsbourg que sobreviveu a anos de farra em cidades como Berlim e Nova Iorque.
Préliminaires é baseado no romance
The Possibility of an Island do escritor francês
Michel Houellebecq. Ao lidar com temas como turismo sexual, deuvidas religiosas e clonagem, foi preso e afastado. O álbum foi composto como trilha sonora para
o filme baseado no livro e, entre outras pequenas surpresas, não tem interrupção se tocado no modo "repeat" - se você for capaz de se deixar levar nem percebe que acabou e começou de novo.
A quem vai
ver o senhor Iggy no show do Festival Planeta Terra, em novembro próximo, fica o aviso: o show é com os Stooges e eles pretendem tocar apenas canções do clássico álbum
Raw Power de 1973. Não é dessa vez que veremos Iggy, o crooner, cantando sozinho em um piano à meia-luz com uma garrafa de vinho tinto vazia do lado.