Riqueza de detalhes e participações especiais fazem álbum rico, ainda que difícil.
Para quem está acostumado ao
Flaming Lips de
Yoshimi Battles the Pink Robots e
At War With the Mystics,
Embryonic, o 12º deles, pode ser uma audição difícil.
Mais experimental e cheio de barulhos e efeitos - coisa que a banda só tinha feito em alguns álbuns de carreira, como
Hit to Death In the Future Head e
Zaireeka - o novo álbum tem músicas menos melódicas e ainda mais "espaciais", fazendo a banda passear por mais estilos do que o normal. Mas se tem uma coisa que a banda de Wayne Coyne provou fazer com maestria em seus 26 anos de carreira, é aproximação de gêneros e sons daquela sonoridade característica que faz você não ter nenhuma dúvida: é Flaming Lips.
Desde
Soft Bulletin parecia haver uma grande preocupação em criar álbuns coesos, com melodias agradáveis aos ouvidos - ótimos e comerciais. Mas talvez a banda sentisse falta de alguma coisa, talvez tenha passado tanto tempo se preocupando com álbuns que fizessem sentido que deixaram de lado uma das características fundamentais do começo da carreira: as grandes doses de experimentalismo desenfreado, viagens, pirações. É bom dizer isso logo de cara,não ficar tentando entender o álbum, porque ele vai te assombrar e te intrigar por muito, muito tempo.
Embryonic é o álbum menos acessível da banda desde
Zaireeka. É o primeiro duplo da banda, segundo Coyne, um jeito de resolver um dos seus maiores dilemas: ter que escolher o que entra e o que fica de fora em cada álbum. "Alguns dos meus discos favoritos, como o
White Album dos Beatles, o
Physical Graffiti do Led Zeppelin e mesmo algumas coisas mais longas que o Clash fez, parte da razão para gostar deles é que não são focados, eles são livres", disse numa
entrevista à Billboard. E
Embryonic é assim: livre. Parece que alguém tirou os Flaming Lips da coleira de vez.
Esqueça a expressão "caos organizado". Quando falamos de
Embryonic nada é organizado. É catártico. Vai das distorções, gemidos, grunhidos e riffs de guitarra que pendem ao krautrock de "Convinced of the Hex" à calmaria de "Gemini Syringes", que tem frases quase sussuradas pelo matemático Thorsten Wormann, até o vocoder de "The Impulse". Essa mistura de influências, a abundância de barulhos e detalhes diferentes de cada música, as sonoridades exploradas: tudo isso hipnotiza do começo da primeira faixa ao final da 18ª.
Flash Content
Flaming Lips - Convonced of the Hex (mp3)
Flash Content
Flaming Lips - The Impulse (mp3)
Outra parte bacana de
Embryonic são as participações especiais, como a da musa indie Karen O em "I Can Be a Frog", fazendo barulhos bem divertidos imitando animais como sapos, ursos, gatos, leões, lobos e macacos, ou cantando em "Watchin the Planets".
"Worm Mountain" tem participação especial do
MGMT, que consegue acrescenta ainda mais psicodelia ao álbum. É uma música barulhenta, mas ao mesmo tempo é das mais cantaroláveis do disco.
Flash Content
Flaming Lips - Worm Mountain (Feat MGMT) (mp3)
Embryonic tem dessas. As músicas são completamente diferentes, mas nunca menos que puro Flaming Lips. Não é propriamente um álbum conceito, mas poderia ser. E parece que eles gostaram da brincadeira de álbuns conceitos, pois anunciaram na última semana que pretendem lançar
um álbum cover de Dark Side of the Moon do Pink Floyd,
obra-prima do rock progressivo. Coyne tinha razão quando explicou a ideia geral do álbum à Billboard. Não é que o Flaming Lips tenha recriado um
White Album, um
Physical Graffiti, um
Dark Side of the Moon, mas a liberdade retomada foi muito produtiva para a banda e é exatamente esse aproveitamento de influências que fez o álbum extremamente rico, embora menos polido. Pode ser difícil para algumas pessoas, mas vale o esforço.