Desde que foi criado, em 2005, o grupo canadense de electro-rock Islands mudou muito. Nascida do rompimento dos
Unicorns, a banda acaba de lançar seu terceiro álbum,
Vapours, com os dois membros originais reunidos. Jaime Thompson esteve afastado da produção do segundo disco, o bom
Arm's Way (2008), mas agora volta a fazer dupla com Nicholas Thorburn. Ainda que soe à procura de uma identidade,
Vapours deve agradar a quem goste de sonoridades leves e confortáveis.
Ficou para trás a grandiosidade de faixas como "The Arm", lançada em
Arm's Way. Em seu novo trabalho, não há mais crescendos de violinos ou coros exagerados. Thorburn e Thompson voltaram ao simples. Seus arranjos estão próximos aos de bandas nova-iorquinas como o
MGMT, com uma doce mistura de guitarras e teclados sintetizadores. O vocal manso de Nicholas acompanha o conjunto de um jeito preguiçoso, encantando mais pelo jeito com que ele coloca sua voz que pelos seus timbres (que são meio esquisitos, pra falar a verdade).

Os momentos mais agradáveis são aqueles em que a banda assume seu lado solar - caso da faixa-título, que capricha nos metais. Ao ouvir a música, não demoram a saltar palmeiras frondosas na imaginação, sacudidas por uma leve e refrescante lufada de vapores marinhos. Boa para ser ouvida com sandálias de borracha. Graças aos teclados etéreos e à bateria desacelerada, "On Foreigner" poderia musicar uma tarde em que o mormaço já deixou seu corpo todo mole, vítima de uma vagarosa insolação.
"Disarming the Car Bomb" é outro desses trechos. O riff de guitarra levemente distorcido, combinado com teclas de piano e assovios, cria uma atmosfera de sossego plácido. Chega a ser boba, por isso é melhor ouvi-la sem muita pressa. O mesmo vale para "EOL", com seus uivos sussurrados bem pertinho do microfone. Se há um bom sentimento/sensação para descrever todas essas músicas, seria o de letargia.
Essa ausência de impacto pode tornar as audições de
Vapours um pouco tediosas. As canções não chegam a empolgar, emocionar ou inspirar viagens transcendentais. São mornas por convicção, como se ouve desde "Switched On", que abre o álbum. Os teclados vêm embalados por uma profunda malemolência, junto a estalos que parecem ser de dedos tamborilando sobre uma caixa de fósforos. Ainda assim, há alguma diversão preguiçosa em ouvir "No You Don't" deitado, olhando para o ar. E talvez seja essa a melhor posição para encarar o álbum, do começo ao fim.
num mundo onde a tecnologia superou a criatividade, o easylistening soa como música de verdade enquanto a chatisse das pistas soa como err... masturbação tecnológica sem alma alguma proporcionando uma ressaca jamais vista em relação a timbres exageradamente sintéticos.
apesar de tbm soar como algo que já ouvimos antes (ou se inspirar no antigo) o islands vai na contra-mão do óbvio e agrada sem afetação ou frivolidades estéticas que hoje parecem dizer mais que a música.
parabéns ivi.