Por uma série de motivos, que não vou enumerar aqui, sempre fui suficientemente cético para desconfiar da suposta viagem à Lua realizada pelo homem em 1969. De qualquer forma, mesmo quarenta anos depois do "pequeno passo" de Neil Armstrong, as homenagens ao feito continuam e dessa vez no mundo da música - mais especificamente em forma de hip hop.
imagem do Kanye Gate

O autor do novo memorial é o rapper norte-americano
Kid Cudi que, assim como muitos de nós, ainda não estava vivo quando a descoberta lunar aconteceu. Debutando como um bom músico aos 25 anos em
Man On The Moon: The End of the Day, Cudi tenta repetir o sucesso de Kanye West no electro-hop de
808's & Heartbreak, do ano passado, e a todo o momento pode-se reparar que o garoto (quase) chega lá.
O rótulo de "emo" que Kanye grita na imagem acima é questionável e muito equivocado. O que rege as baladas de Scott, nome verdadeiro de Kid Cudi, é, na realidade, a mesma pegada eletrônica que vem quebrando a crueza do hip hop há anos. O próprio Kanye West, que assina a produção executiva do disco, ajuda o novo rapper no desafio de dar continuidade ao gênero em "Sky Might Fall", faixa produzida por ele. No entanto, não é a vibe espacial sozinha que conquista o ouvinte de
Man On The Moon.
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KiD CuDi - Sky Might Fall (Produced By Kanye West) (mp3)
Kanye reaparece - dessa vez cantando - em "Make Her Say", que também ganhou a participação de outro rapper:
Common. A salada afro-americana deixa a faixa com um sabor magnífico, que te dá vontade de repetir inúmeras vezes. Quem também é destacada na música é Lady Gaga, sampleada numa versão acústica de "Poker Face" que serve de background durante toda a canção.
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KiD CuDi - Make Her Say (Feat. Kanye West And Common) (mp3)
No histórico de singles, quem fez as honras da casa foi "Day'n'Nite". Lançada em primeira versão em fevereiro de 2008, a música ganhou uma versão mais dançante e menos clichê quando adaptada para o álbum. O clipe, porém, segue o regulamento universal dos rappers e é carregado de mulheres peitudas semi-nuas, tirando a oportunidade da música entrar pra história.
Também é uma pena ter de admitir que, antes de boas composições como as supracitadas aparecerem no tracklist, o ouvinte leva algumas chicotadas de Cudi. A começar pelas primeiras faixas do disco. É quase sufocante ouvir "Solo Dolo" e, principalmente, "In My Dreams (Cudder Anthem)", melosa demais para uma faixa introdutória. Acelerada, "Simple as..." quebra o gelo dessas, soando como se tivesse um toque de Speech Debelle e Hot Chip.
Mesmo assim, é difícil dizer que essa dupla falha sacrifica a arte de Man On The Moon, da mesma forma que taxar "Soundtrack 2 My Life", "My World", "Heart of a Lion", "Enter Galactic" e "CuDi Zone" (com o boom de seus violinos) como faixas medianas me parece incalculavelmente desonesto. Embora não acompanhem o nível das melhores músicas do trabalho, todas elas soam tão incríveis quanto a maior parte do Top 20 da Billboard. O que mais agrada não só nelas, mas em toda a essência de CuDi, é o clima psicodélico e espacial proposto pelo título do álbum, muito bem representado pelos produtores convidados.
São dois conjuntos de produtores inusitados e muito bem-vindos que trabalharam em três das melhores músicas que aparecem aqui. A primeira surpresa vem com o duo de electro-instrumental Ratatat em "Alive (Nightmare)", uma das músicas mais intensas do ano. A linha de instrumentos típica da dupla, que se consagrou por conseguir manter sintetizadores e diversos tipos de cordas numa harmonia constante e perfeita, continua em evidência na risonha e límpida "Pursuit of Happiness". Estonteante, o conjunto de guitarra, baixo e violinos que aparece nela ganha suporte dos backing vocals do MGMT no refrão, tornando-a uma das maiores preciosidades que ouvi nos últimos tempos.
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KiD CuDi - Alive (Feat. Ratatat) (mp3)
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KiD CuDi - Pusuit of Happiness (Feat. MGMT And Ratatat) (mp3)
Com um estilo de indie rock, Kid Cudi vai embora deixando saudades em "Up Up & Away", mas ainda bem que podemos voltar ao início do disco e ouvir tudo de novo - até porque, como ele mesmo diz no final da faixa, "the end is never the end".
o clipe é ótimo. a versão do crookers q até traz umas minas mas foge bastante do conceito gangsta de outros rappers...
Sou fã desse cara. só espero que ele não deixe o sucesso subir e se torne outro kanye. Caras com talento que não sabem lidar com a fama.
foi tudo armado pelo imperialismo e egocentria americana. para variar.