O cantor/compositor
Beck é um cara que não fica cansado ao abraçar mil projetos. Assim como
Jack White, o músico segue inventando coisas diferentes para fazer. Nos últimos meses ele criou em seu site uma
seção de entrevistas , outra em que ele
ataca de DJ e outra
reserva ao projeto Record Club, em que ele convida outros músicos para regravar grandes álbuns, em um dia só. O resultado é publicado uma vez por semana, em vídeo. O primeiro disco escolhido é o clássico debut
The Velvet Underground & Nico, e a última faixa da versão do Record Club para o "disco da banana" foi liberada para o público em meados de agosto deste ano. Entre os colaboradores dessa etapa do projeto estão o produtor do Radiohead
Nigel Godrich, o
ator Giovanni Ribisi, o músico Chris Holmes e colaboradores frequentes do Beck, como
Joey Waronker e
Brian LeBarton.
Na primeira vez que ouvi falar do
Record Club, pensei que seria um desses projetos ambiciosos que com o tempo se mostram completamente fajutos. Mas, conforme as músicas foram sendo publicadas acabei entendendo a intenção, e gostei. O fato é que o
Record Club não se propõe a recriar os álbuns de uma maneira melhor, até porque isso não poderia ser feito em um dia, mas apenas mostrar uma releitura diversa, buscando outra sonoridade diferentes, às vezes, mais modernas, outras menos sujas e distorcidas. Ou como escreve o próprio Beck: "Não há intenção em 'somar' nada ao trabalho original ou tentar recriar o poder da gravação original. Somente tocar música e documentar o que acontece".
O original

Quem conhece um pouco da história do expoente da pop art
Andy Warhol e seu seu
envolvimento com o Velvet Underground, pode viajar no motivo pelo qual Beck escolheu esse disco como primeiro projeto do Record Club. Essa proposta não é ruim, mas essa impressão se manteve até a terceira música postada no site, a versão para "Femme Fatale". De uma maneira completamente diferente e não menos interessante, Beck e sua crew conseguiram recriar uma das faixas mais incríveis do disco original. Diferente porque essa entrega o jogo de cara, enquanto a original é super misteriosa, com sussurros e afins. A versão do Beck também começa com um
xilofone cativante. Eu diria que esse caso é empate técnico.
Flash Content
- (mp3)
Flash Content
Beck - Femme Fatale (mp3)
O melhor exemplo da diferença na sonoridade diferentes está em "Venus in Furs", onde Waronker aparece com uma flauta comprada na rua no Japão - a que eles se referem como "The Dying Goose" - em troca à
cítara da faixa de 1967. O resultado é bacana. A atualidade é alcançada em faixas como "Run Run Run", que ganhou ares eletrônicos e mais poder na voz, cantada em coro por Beck e Thorunn, mais simples e menos original do que na gravação do Velvet. Aliás, a voz feminina é um elemento importante nas faixas recriadas por Beck. Ela também aparece em "All Tomorrows Parties", com um sotaque impagável que dá todo o charme da música. Menos som "sujo", mais um xilofone aqui e ali, e a versão do
Record Club acaba bem interessante.
Flash Content
The Velvet Underground - Run Run Run (mp3)
Flash Content
Beck - Run, Run, Run (mp3)
O trabalho feito por Beck nesse disco não é ruim, a menos que você pegue faixas como "Heroin", que ficou mais acelerada e quase radioheadiana (lembra do Godrich?), ou "There She Goes Again", apenas um quase cover. Também não gostei da escolha de pegar as músicas mais
Dylanescas e transformá-las em country escarrado, como em "The Black Angel's Death Song".
Beck já embarcou em outro discoO escolhido atual do
Record Club é
Songs of Leonard Cohen, a estréia do mestre. De acordo com o que foi postado no site, esse disco foi sugerido por Andrew Vanwyngarden,
do MGMT, que é um dos colaboradores da empreitada, junto ao colega de banda Bem Goldwasser, Binki Shapiro, do
Little Joy e o músico
Devendra Banhart. Aliás, a parceria entre Beck e esse último parece ter dado tão certo que eles até colaboraram com uma música para o
novo filme de Todd Solondz,
Life During Wartime. Até agora foram postadas três das dez faixas de Songs.... Apesar de ser divertido ver tantos músicos bons reunidos em torno de um disco genuinamente interessante, a única faixa que recomendo - das que foram postadas até agora - é "Master Song", que ficou completamente descaracterizada e com uma sonoridade bem diferente, meio rap. "Winter Lady" também ficou interessante, com vocais divididos entre Beck e Binki. Agora, resta acompanhar o restante do disco ser postado. Mas parece que Beck não pretende parar por aí, já que um dos discos que haviam sido sugeridos era algum do
Ace of Base, que ele disse que vai manter na lista para uma próxima ocasião.