Poucos DJs conseguem imprimir uma marca autoral em seus sets como a dupla alemã Modeselektor. Quando estão mixando músicas alheias, a maneira com que eles fazem passagens, juntam e distorcem a velocidade das faixas não deixa dúvidas - Gernot Bronsert e Sebastian Szary estão nos toca-discos. Na oitava edição da série de coletâneas
Body Language, eles organizam uma mistura deliciosa de techno e breakbeat com trabalhos de artistas tão diferentes quanto o produtor alemão Siriusmo, a cantora americana Missy Elliot e o grupo de rock nova-iorquino Animal Collective.
Os cortes são rápidos. Então, aproveite os ligeiros pedaços de cada uma das músicas. Às vezes, elas se embolam em mashups improvisados, para em seguida dar espaço para a próxima da fila. Em outros momentos, simplesmente desaparecem ante algum sucesso obscuro das pistas de dança. "Zig-Zag", do produtor britânico Rustie, abre
Body Language Vol. 8. E o faz com velocidade e malícia. Suas batidas são quebradiças, e o ritmo dos teclados justifica o nome, com uma melodia que dispara de um lado para outro num ziguezague incansável.

Em meio a tantos nomes de nota - o britânico Boy 8-Bit e os americanos Osborne e Robert Hood participam com excelentes músicas -, destaca-se a sequência de "Pon de Floor" - do projeto Major Lazer, formado por Switch e Diplo -, "Nerve", do alemão Boys Noize, e "Nights Off", do berlinense Siriusmo. A trinca se reveza de maneira tão suave e sincopada que é preciso atenção para notar o momento em que uma começa e a outra termina.
De Siriusmo, também aparece (um pouco adiante) "Die Rockwurst", uma sequência imprevisível de pancadas que viaja pelo dubstep e pelo wonky-techno. Em outras palavras, um tipo chapado de música eletrônica. E é esse espírito bem-humorado e aventureiro do Modeselektor, que já havia feito o sucesso de seus dois álbuns autorais,
Hello Mom! (2005) e
Happy Birthday! (2007), a força harmônica desta compilação. Do contrário, nunca ouviríamos "My Girls", do Animal Collective, conectada com "Klinik", excelente house subaquática do britânico Scuba.
Este disco mostra que, mesmo em gêneros supostamente incomunicáveis, há semelhança. Vira-latas convictos, Bronsert e Szary destrincham uma verdade inconveniente - de que a música eletrônica é menos pura e menos carrancuda que muitos extremistas gostariam. E que encarar as coisas com muita seriedade faz mal.