Atendendo a um pedido dos representantes legais do artista, retiramos as 3 faixas que gostaríamos que o leitor escutasse enquanto lê a resenha abaixo. As faixas que você pode ouvir estão disponíveis para venda no iTunes e no site oficial, bem como a versão completa de "Feel It In My Bones" no myspace e alguns previews no Pitchfork Media. Agradecemos a sua compreensão.
Queimadas na Floresta Amazônica, saldo bancário de deputados, a economia chinesa: o que eles têm em comum? Todos evoluem com tamanha velocidade que mal nos damos conta de seu crescimento. De repente notamos que muita coisa mudou. O universo da música com certeza entra nesse contexto.
Sempre houve uma grande barreira - e me parece que ainda teremos de esperar muito tempo para que ela se dissolva - entre o "indie" e o "mainstream" mas a cada dia que passa alguma surpresa diminui a altura desse muro. A última bomba arremessada contra essa divisão veio da inusitada Holanda, num ataque do neo-terrorista Tiësto a favor da mudança de paradigmas. Com uma idéia na cabeça, dinheiro no bolso e muita fama ao redor do mundo, o
DJ moldou uma lista de convidados para seu novo disco de dar inveja à uma penca de produtores: Bloc Party, Sigur Rós, Calvin Harris, Tegan and Sara e até Nelly Furtado foram intimados a se jogar na atmosfera das raves - o que, a principio, pareceu tanto instigante quanto inconcebível.
No entanto, o adjetivo que mais compete a
Kaleidoscope é "inovador". Não é a primeira vez que ouvimos artistas descolados trabalhando ao lado de outras castas (recentemente, essa idéia foi ilustrada pelas gravações de Ratatat e MGMT com Kid CuDi e pela apresentação de André Gonzales, do Móveis Coloniais de Acaju, no revival do Legião Urbana), mas nunca um núcleo tão heterogêneo e diversificado se saiu tão bem. Os sete minutos de "Kaleidoscope", que inicia e batiza o disco de Tiësto, formam um hino que, através de Jónsi, transporta a suavidade do post-punk do Sigur Rós para uma melodia repleta de palmas, sintetizadores e drumbeats, dando a impressão de que o vocalista islandês, na verdade, foi para os estúdios com o MGMT.
Mais pra frente, "It's Not The Things You Say" sugere um preview do próximo disco do Bloc Party tendo em vista a remasterização da essência de
Intimacy e, principalmente, a presença dos vocais poderosos e inconfundíveis de Kele Okereke. Sem sair desse barco, é difícil acreditar que alguém com um indie rock tão tradicional feito o Cary Brothers pode ter tido tanto êxito ao gravar música eletrônica, quanto mais num house feito o de "Here on Earth". É a house music que marca
Kaleidoscope a ferro e fogo, mostrando suas credenciais em "I Will Be Here", "Always New" e "Who Wants to be Alone", que conta com a voz assombrosa de Nelly Furtado e só não supera a chatice de "You Are My Diamonds". O placar continua positivo.
O ponto forte do disco, além da genuinamente melancólica participação de Jónsi, vem em forma de tripé: De um lado, a cativante voz de Calvin Harris em "Century" somada ao pedido-clichê "put your hands in the air"; Do outro, a quebra do lo-fi com a balada de "Feel It In My Bones" que, graças a participação de
Tegan & Sara, não parou de tocar no meu iTunes desde que caiu na web; e, sustentando tudo isso, a intensa e dançante "Knock You Out" na voz de Emily Haines, líder do Metric, que resgata um Madonna feeling.
Kaleidoscope é, sem possibilidade de questionamentos, um belo e surpreendente pedaço de arte. A pergunta que fica é: será que Tiësto me fará ouvir seu próximo disco com tanto ânimo quanto dessa vez? 2011 nos aguarda.
Atitude cafona como o disco...
A musica com o jonsi era a única q parecia interessante até o minuto 5:00, em que o Tiesto começa a nos brindar com toda sua cafonice tranceira, fmzeira, bate-cabelozeira, etc..., e assim prossegue até a última faixa, nem o kele salva, coitado...
FA-RO-FA, como de costume, aliás... Ouvir esse disco é de doer... Enfim, com uma capa "ricky vallen feelings" dessa, não era de se esperar outra coisa
Alex, aqui mesmo no rraurl tem pencas de exemplos de música pop e BOA de verdade...
Não precisamos dessa "arte" vulgar, essa barreira entre mainstream e underground já foi derrubada com louvor. Ainda bem.
agora, Jonsi + Kaleidoscope + um After Hour + um drink....
Fuck!
ficou do caralho