Enquanto o francês
Sebastien Tellier concentra atenções como principal artista da gravadora
Record Makers, um de seus colegas de selo e conterrâneos, o grupo de electro-rock
Turzi, lança seu terceiro disco com menos alarde. Sucessor de
Made Under Authority (2008),
B dá continuidade à série alfabética iniciada pela banda quando saiu sua estreia,
A, em 2007.
Agora, ao invés de batizar suas músicas com referências políticas, como "Afghanistan" e "Axis of Good", o quinteto liderado por Romain Turzi optou por uma via geográfica. Escolheu o nome de dez cidades cujos nomes começam com a segunda letra do alfabeto.
"Brasilia" - cujos sintetizadores se assemelham aos de "Idiot", do produtor inglês James Holden (
The Idiots Are Winning, 2006) -,
"Buenos Aires" - que ganhou um ótimo remix de Tellier no EP Buenos
Aires/Bombai - e
"Bogota" estão entre as escolhidas para intitular sua mistura de teclados hipnóticos e guitarras etéreas.

Quem gostava do rock visceral das músicas de
A terá uma nova e boa dose de pancadaria psíquica neste novo disco. Influenciados pelas paisagens bucólicas do interior francês, para onde a banda se retirou durante as gravações, os músicos se aprofundaram na técnica de mesclar instrumentos, alquimia eletrônica e voz numa única mancha sonora, com propriedades altamente transcendentais.
Enquanto "Buenos Aires" se deixa desenrolar sobre uma complexa trama de teclados,
"Bombai" explora uma sequência com berreiros de guitarras e bateria metaleira. Nesses momentos, a banda mostra que não tem receio de soar pesada - talvez influência de contemporâneos da
drone music, como o americano
Sun o))). Há ainda participações do cantor escocês Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream, em
"Baltimore" e da veterana cantora francesa Brigitte Fontaine na entorpecente
"Bamako".
Mais uma vez, o Turzi coloca em voga as propriedades alucinógenas da música eletrônica - a capacidade que os sintetizadores têm de despertar imagens de outros mundos, como já provavam pioneiros como o italiano Giorgio Moroder, em seu
From Here to Eternity, de 1977, e os hippies de Goa. Junto de seus comparsas da Record Makers, como o próprio Tellier faz pela via pop, os franceses lançam mais um trabalho que mantém aceso o brilho multicolorido dos estados alterados de consciência.