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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2009
Estilos: vocal, pop
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Comportada, Lily Allen faz show competente na Via Funchal
Segura e no comando do show, a ovelha negra do pop britânico até se enrolou em bandeira do Brasil
17.09.09 12:25
Minhas impressões sobre o show de Lily Allen não eram das melhores. Da primeira vez que ela esteve em São Paulo, no festival Planeta Terra de 2007, fez uma apresentação desastrosa. Naquela época, ainda meio inexperiente e bêbada, a cantora errou várias letras. Mas, ingressos na mão, sucumbi ao convite de um amigo e fui. "Vamos ver qual é". Polêmica - e ultimamente, meio surtada - ela podia me proporcionar uma experiência divertida.

A noite era de uma festinha um pouco mais particular do que foi a última visita da moça a São Paulo, é verdade. "Eu estava completamente bêbada", disse Lily sobre a ocasião desastrosa. Dessa vez estava sóbria e visivelmente mais "comportada", mas ainda longe da imagem de boa moça de algumas cantoras pop. Com uma cerveja no pedestal do microfone, dava alguns goles sempre que podia, e, apesar da lei antifumo, deu um jeito de arrumar um cigarro eletrônico. "Acho que posso fumar esse aqui", disse. Errou, porque aqui o dispositivo é proibido pela Anvisa.

Lily rocksCom uns 10 minutos de atraso, as luzes se apagaram e a única coisa que se via eram suas sombras, em uma pose sexy, e a dos outros integrantes da banda, atrás de uma cortina branca - que logo caiu, revelando uma Lily Allen bem diferente do que eu me lembrava. Mais magra, com um tricot cinza sem sutiã, short curto jeans e salto alto. Chamava atenção a maquiagem no olho esquerdo, com as cores verde e amarelo - numa leve homenagem ao país.

Ela começou sem pretensão, cantando "Everyone's At It" e "I Could Say", ambas de seu segundo álbum It's Not Me, It's You, lançado nesse ano. Logo de cara Lily mostrou que aprendeu a usar um brinquedinho novo - um pedal de efeitos (?) -, que apareceu algumas outras vezes durante o show. Até aí, minha imagem sobre o show ainda era ruim. Apesar disso, gosto bastante do disco de estreia (Alright, Still, de 2006) do qual ela cantou apenas os hits "Everything's Just Wonderful", "LDN", "Littlest Things" e "Smile", e não acho (ou achava) o álbum novo interessante. Isso, claro, até um leve som de acordeão (?), provavelmente pré-gravado, anunciar a música "Never Gonna Happen". Nessa hora, o entreolhar com meu amigo dizia tudo. "Hum... Vamos ver onde isso vai dar".



Depois, Lily emendou sua versão para "Oh My God", do Kaiser Chiefs, gravada para o álbum Version de Mark Ronson (2007). Mais pesadinha ao vivo, a música também ganhou arranjos diferentes da (boa) banda que acompanha a cantora - no show, a maioria das faixas tem sua estrutura original alterada para algo mais pesado e "rock". O sotaque britânico da moça também dá um charme todo especial.

No palco, Lily dança, rodopia, faz poses e caretas sexy. Em certo momento do show ela até levantou a regata mostrando a barriga. Mas foi só isso. A moça anda mesmo mais comportada, claro, dentro dos limites do que isso quer dizer para ela. Nos últimos dois anos, Lily se transformou em uma espécie de "musa" pop. A voz também ficou melhor.

Nessa hora, alguém atirou uma bandeira do Brasil e Lily se empolgou dançando com ela enrolada em um dos ombros. "Sinceramente, fizemos três shows em festivais nesse verão e não chegaram nem perto disso". Estava visivelmente empolgada - tanto que postou no Twitter após o final do show: "São Paulo, best gig ever".

Com poucos momentos calminhos, como "He Wasn't There", que ela anunciou dizendo: "This song is about my daddy", o show se manteve bem animado e despretensioso. Só lá pro final ela começou a apostar nos hits mais conhecidos, como "Smile", que a catapultou para o sucesso, e "The Fear", também do novo álbum.



Bis

Após sair rapidamente do palco e voltar com outra blusa, dessa vez uma regata branca, ainda sem sutiã, Lily cantou "Womanizer", de Britney Spears. Girando de um lado para o outro no palco e dançando sem parar, a energia da moça contagiou quem estava bem perto do palco. Pra dar conta do recado, ela trocou discretamente os sapatos de salto por tênis confortáveis. Depois ficou descalça.

Antes de cantar "Fuck You", disse a primeira e única frase polêmica de seu show: "Essa música eu dedico a um cara que costumava ser presidente dos Estados Unidos. O nome dele é George W. Bush".



Para fechar o show, Lily perguntou para a platéia: "Do you like country music?", e já avisou que "Not Fair" seria a última música. Cansada, a plateia já não respondia tanto. Alguns até dançavam, mas era muito difícil, a menos que você estivesse sob efeito de algumas cervejas. No final da música, as luzes se acenderam e todo mundo dispersou rapidamente. Talvez por ser apenas uma quarta-feira, quase onze e meia da noite, talvez porque estivessem mesmo cansados de pular e dançar com a cantora. Foi divertido, de fato, mas por motivos bem melhores do que ver uma louca bêbada cantando e falando qualquer coisa.

Carol Nogueira
Carol Nogueira
twitter.com/carolnogueira
comentários
2 comentários
Mouse
Mouse(20.09.09)
1AprovadoQueima
no terra em 2007 foi escrota!
gui xavier
gui xavier(18.09.09)
2AprovadoQueima
Eu até gosto dela.

Acho quase autêntica, e isso é raríssimo hoje em dia...

;)