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ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2009
Estilos: Synth pop
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Tellier em SP: rápido e intenso
Show do francês passa como um flash, e sua figura (e os synths) impressionam os paulistas
18.09.09 09:10
Com uma pontualidade irritante, a choperia do SESC Pompéia recebeu ontem às 21h o rápido show do cantor, instrumentista e figura Sebastién Tellier, francês que se apresenta ainda no Rio e em Recife como parte dos eventos do ano da França no Brasil. Quando muitos ainda entravam no esfumaçado galpão, Tellier já soltava hits como "Divine" acompanhado de dois tecladistas nos synths e um batera - seu pomposo piano negro ali do lado, monolítico. Esta música aliás, foi escolhida como representante da França no Eurovision 2008, escalação que rendeu uma polêmica doméstica, pois reclamaram que a música era em inglês não em francês. Como era de se esperar, ele não ganhou o concurso.

Questões linguísticas também deram o tom na apresentação desta quinta. Enrolando-se no inglês (e numa garrafa de vinho), Tellier falou pouco: sobre a bissexualidade geral das pessoas, e sobre como nós, brasileiros não entenderíamos lhufas de francês - daí em diante tendo desembocado num falatório em sua língua pátria, que cessou e virou música, a linguagem universal (alguém conta o que ele disse?). O show é calcado no excelente álbum Sexuality, de 2008, um turning-point na carreira dessa cria synth-erotique de Serge Gainsboroug, que levou tanta personalidade francesa ser assimilida palcos mundo afora, do Coachella a São Paulo; virando um popstar "alt" que representa um país e tem canções no seriado Ugly Betty americano ("La Ritournelle", que caiu muito bem lá para o fim do show).

A voz de Tellier é tão cerrada quanto sua barba: trôpega, mas que é entregue como se espera, gemida e vacilante. "Fingers of Steel" angariou mais carisma entre artista e público, num tipo de som orgânico ao vivo, mas ainda sintético, bastante introspectivo e de atração contemplativa. O barbudo é cheio de trejeitos, ao contrário da sobriedade de Gainsboroug, Tellier é afetado: faz air guitar com as notas de sintetizador, ajoelha, canta para sua garrafa, anda para lá, pra cá, e canta cheio de emoção, parecendo que as canções são puramente suas expressões pessoais.



Nos synths, um bigodudo que parecia o David Carreta e outro moço de distinta camiseta colorida 80s, alternavam a temperatura do show, que na opinião desse que vos escreve teve seu ponto alto na mezzo-acústica, mezzo-viagem synth de "L'Amour e la Violence". O francês dedilhava o piano seguro e concentrado - com o perdão da comparação infame, como se acariciasse as pernas de uma mulher -, cantando as quatro linhas de verso repetidamente, até que os synths desenhados por um dos Daft Punks chegavam ao redor, crescentes, levando a canção e o público a um estado de nirvana astral, a paixão musicada.



Valeu pelo bis com "Sexual Sportswear", o que pode se chamar de "dançante". Tellier gemia sexualmente no microfone, mas deu vez como protagonista aos sintetizadores e à bateria (em especial os pratos, controladores da histeria e da progressão da faixa). Foi um show curto, que poderia ter se desenrolado em mais umas quatro músicas (senti falta de "Pomme" e "Une Heure"; me corrijam se elas foram tocadas); mas uma apresentação indispensável, prova da versatilidade de toda uma geração de artistas franceses hoje, que definitivamente não tem similar por aqui, por exemplo.

Seria ótimo se houvesse um cantor paulista, ou um bêbado carioca, que cantasse e gemesse suas amarguras entre pianos e sintetizadores, com alma pop e também eletrônica. De novo, o uso de outra expressão infame: ficou um gostinho de quero mais...

Fotos: Silvana Garzaro

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
13 comentários
graziela
graziela(30.09.09)
0AprovadoQueima
oi, gibran, voce tem ideia de como eu poderia conseguir o set list do show do rio?
obrigada, g.
infatuation
infatuation(22.09.09)
0AprovadoQueima
mas... tá faltando alguém assim no brasil??? não acho mesmo!
imagina alguém cantando da forma como vc descreveu, ao piano como se acariciasse uma mulher e com gemidos de conotação sexual... em portugues!?!
não rola. seria taxado de brega na hora e nem resenha aqui teria.
o que falta no brasil não é um sebastien e sim cultura musical e pessoas serem mais autocríticas com relação ao que ouvem. num país onde tem 89 novelas por dia e no fim de semana o circo dos horrores que é o eletrodoméstico "i'm the brainwasher" dos infernos, o que pode se esperar?
só mais uns 500 anos resolvem.
O show no Rio foi incrível. Emocionante, intenso e tals...
Pena q a galerinha tãaaaaaooo hype q tocou depois, com raras exceções, não sabia nem passar de uma música pra outra... Tá faltando dj no Rio?
FePa
FePa(21.09.09)
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Ótimo show! Rolou uma mistura de Serge Gainsboroug com Chromeo que eu gostei.
Agora, irritante mesmo são os shows que atrasam e muito para começar, como no StudioSP. Quanto mais eu vou à shows no SESC, menos tenho vontade de ir ao StudioSP.
lomeu
lomeu(18.09.09)
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qdo vi o panfleto na entrada com o repertorio fiquei intrigado, sera que ele seguiria exatamente a ordem? nao acompanhei com tanto afinco como o rods, mas parece que foi isso mesmo. a triade final La Ritournelle, L'amour et la Violence e Sexual Sportswear foi arrebatadora!

na la ritournelle o que estava nos sintetizadores foi a versao do mr oizo, nao?

os mais de sete minutos da sexual sporstwear cairam mto bem como musica pra pista

por fim estava esperando um show de uma hora e meia e sai de la achando que foi uma mistura de rapidinha com coito interrompido