Em segundo álbum de inéditas, grupo californiano coloca melodia e barulho na balança
Buscando equilíbrio entre melodia e ruído, o quarteto californiano Health lança
Get Color, seu segundo pacote de inéditas. De novidade vinda de Los Angeles, onde se apresentava gratuitamente em pequenas casas de espetáculo, a trupe liderada por Jacob Duzsik se tornou continuadora do rock psicodélico americano.
Mas ao invés de replicar o som de grupos como o conterrâneo Animal Collective - uma de suas inspirações confessas -, o Health se dispôs a fazer mais. Ao levar sintetizadores capengas e equipamentos recauchutados ao estúdio (como um cruzamento de microfone com pedaleira), eles sustentam uma atmosfera frenética em suas canções. Não basta sobrepor instrumentos (como se ouve em
Merriweather Post Pavillion) - é preciso que eles soem toscos; cruentos.

É desse coquetel sônico que surgem faixas como "Die Slow" e "In Heat" - tão violenta que não poderia durar mais que seu breve 1,47 minuto. Os teclados ao fundo se desdobram numa ressaca de timbres disformes, gritando como se fosse sua única chance de fazer barulho. A bateria repetitiva que aparece aqui dará o tom nas outras faixas, como se toda a pancadaria não fosse suficiente.
BANDA DE GARAGEMApesar de terem migrado para a gravação analógica, os integrantes do Health ainda parecem atraídos pela sonoridade defeituosa de computadores em transe. É assim em "Death +", construída sobre um loop cambaleante de pura interferência digital. Os vocais de Duzsik conectam arestas e rebarbas com tonalidades fantasmagóricas, para acabar mesclados entre as camadas de música. O mesmo acontece em "In Violet", cujos teclados sucumbem a uma distorção crescente, até que os murmúrios do vocalista se tornem um espectro pálido, desaparecendo antes que nossos ouvidos se deem conta.
Há um sentimento otimista em
Get Color de que o "faça você mesmo" ainda é possível. De que, mesmo passados os ares da novidade, não é preciso soar pasteurizado para manter seguidores interessados em uma sonoridade diferente. E talvez seja a sinceridade com que o Health faz sua música que torne este disco algo além de pura masturbação intelectual.