A 16ª edição do Panorama Percurssivo Mundial segue como um dos mais interessantes festivais brasileiros ao misturar músicos de 8 países diferentes, criando um cardápio rico e variado. Em 2009 muitos artistas trouxeram tecnologia associada ao trabalho, modificando e reinventando o jeito de fazer música. De microfones e amplificadores a samplers, laptops e controles de videogame, tudo é somado a udes (instrumento antepassado do violão), pandeiros, ukeleles e afins, em apresentações de extrema habilidade e, principalmente, sensibilidade. Destaque para a performance dos japoneses do Oki Dub Ainu Band na primeira noite e da dupla francesa Cyril Hernadez e Cyrille Brissot na segunda. Costurando os shows, os brasileiros do Trio 3-63 do percussionista Marco Suzano (diretor artístico do festival e mestre de cerimônias) com a flautista Andrea Ernest e o pianista Paulo Braga desfilaram belas peças de Tom Jobim, Guerra Peixe, Moacir Santos e Joaquim Callado. A mistura de atrações garimpadas nos festivais especializados internacionais com uma atração mais pop trouxe grande visibilidade e elevou o PercPan a um outro nível junto ao grande público. Iniciativa fundamental, o festival já tem planos para sua décima sétima edição em 2010. Vamos esperar ansiosamente.
Corrida por ingressos esgotados em uma semana. Petição para um show extra no Circo Voador correndo a internet... Confirmado e "desconfirmado" seguidamente em edições passadas do TIM Festival. Essa era a expectativa que cercava o primeiro show da banda Beirut no Rio.
Os americanos tocaram na última quarta-feira (09.09.09!) no Teatro Oi Casagrande, fechando a segunda noite da 16ª edição do festival PercPan. A presença da banda mudou bastante a cara do público freqüentador do evento: desde as primeiras atrações da noite os "sintomas indie" já podiam ser vistos pelas franjas e óculos imensos, passando por
airdrums discretos nos primeiros shows até a imensa fila no bar que secou a cerveja da casa muito antes da atração principal.
A banda de Zach Condon subiu ao palco pouco depois das 22h30 ao som de muitos aplausos do pessoal ainda bem domado pela segurança do teatro no esquema de "cada um no seu lugar". Assim que soou o último acorde de "Nante", acompanhado pelo coro da platéia, Zach mandou um "podem ficar em pé" e pronto. Todo o lotado andar de baixo se levanta e começa a descer as escadas em direção ao palco. Virou show. Ninguém mais sentado, braços pra cima, palmas, e meia dúzia de seguranças perdidos sem saber o que fazer. Melhor assim.
A banda seguiu com suas belas harmonias que misturam folk, músicas do leste Europeu, solos mariachis e mais tantas influências presentes nos 4 EPs e 2 álbuns:
Gulag Orkestar (2006) e
The Flying Club Cup (2007). As pessoas demoraram a se soltar no show e não interagiram muito, mesmo quando solicitadas palmas e afins. Mas nada disso abalou a simpatia de Zach e companhia, que a cada música bebericava seus whiskys e cervejas. O vocalista foi
mais comportado do que em Salvador e a certa altura passou a beber uma água gelada.
o setlist

Entre música e outra, Condon fez piadinha brasileira com um "toca Raul", arrancando risadas da platéia e cantou um trecho de "Leãozinho" - versão famosa na internet - a pedidos e meio que envergonhado... Não ouve catarse, é verdade. Mas foi um bom show. E fofo. O encerramento contou com o maior coro da uma hora e vinte de apresentação, em "Sunday Smile" - isso mesmo, ganhou fácil de "Elephant Gun"!
Cena da banda saindo. Cena do público gritando. Beirut volta e ataca "Aquarela do Brasil' com letra em inglês, mas com Zach num clima de total freestyle. Ao final do bis os setlist personalizados com desenhos em giz de cera foram disputados a tapa pela turma do gargarejo. No final, uma banda sorridente e feliz da vida com promessas de um retorno breve para um público agradecido e satisfeito com a noite de boa música e som impecável.
Beirut em São PauloAbertura: banda Manacá
Via Funchal11 de setembro de 2009, 20h (shows às 22h)