Quando lançou
Oi Oi Oi (2007), álbum de estreia do projeto Boys Noize, o produtor alemão Alex Ridha parecia embriagado pela sua capacidade de fazer barulho. Em faixas como "& Down" e "Lava Lava", ele tentou mostrar que não havia limites para o uso da distorção. Dois anos depois, Alex volta com
Power - mais maduro, o segundo álbum brilha por deixar melodia e groove emergirem por trás de sua barulheira característica.
O primeiro mérito de Ridha é o de não ter abandonado a assinatura que o tornou alguém na eletrônica. O segundo é ter conseguido fazê-la evoluir. Ele, que encontrou sucesso através de remixes para a cantora canadense Feist ("My Moon My Man", de
The Reminder) e o grupo inglês Bloc Party ("Banquet", de
Silent Alarm), compôs seu novo trabalho sem participações de outros músicos. O que se ouve é Alex Ridha e seus teclados irrequietos.

As composições estão mais ousadas, e em alguns momentos lembram o tipo de som imprevisível que consagrou a gravadora Warp nos anos 1990. Em "Jeffer", Ridha extrai música de um pulso descontrolado de sintetizador, subjugando-o sob a força de uma bateria imperiosa. É como se o maximal tivesse se encontrado com a eletrônica esquizofrênica do inglês
Squarepusher.
NARCO-MAXIMALMesmo quando
Power se aproxima de
Oi Oi Oi, como na ruidosa "Starter", o que se ouve não é barulho puro (ou burro). Desde a introdução maliciosa, com batidas quebradas, nota-se que houve uma escolha consciente de timbres (que mudam sem aviso e com agilidade) para compor o arranjo esmagador. A excelente "Drummer" segue pela mesma direção, numa sublime mostra de como é possível se destacar sem abrir mão de um estilo próprio.
Em "Kontact Me", "Nerve" e (na brilhante) "Rozz Box", o alemão mostra que também é versado em sonoridades acinzentadas, de ares entorpecentes - e que consegue passar por elas sem deixar de lado suas idiossincrasias. É essa combinação que deve fazer com que
Power seja lembrado como exemplar do melhor tipo de techno produzido nos anos 2000.
SMD e Boys Noize descendo a ladeira nos respectivos segundos álbuns. quero saber se depois da ressaca maximal haverá algum sobrevivente. será que Justice ainda vai dar no couro?
Wolfgang Gartner. Acho que o título de "melhor techno da década vai ficar para depois"