DJ T - The Inner Jukebox
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ficha técnica
Nota: 3 / 5
Ano: 2009
Selo: Get Physical
Estilos: house
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DJ T - The Inner Jukebox
A complicada equação do groove científico
03.09.09 07:40
Falar de Thomas Koch, o DJ T, é também um exercício de história. A personagem em questão foi residente de clubes que permearam a história da eletrônica como o Plastic e The Box; também é dono com alguns amigos do Monza Club e é um de seus atuantes promoters. Adicione ainda a criação da [revista alemã] Groove Magazine em 1989, da qual foi editor até 2004.E, não satisfeito, Koch é co-fundador (junto com o Booka Shade e o M.A.N.D.Y. de um dos mais influentes selos eletrônicos de hoje da atualidade, o Get Physical/Get Digital, baseado em Berlim.

Tudo isso é teoria. Na prática o seu conhecimento musical se estende pelo tempo em que está envolvido com noite, produção, música e pela sua extensa coleção de discos de vinil. Toda essa bagagem resultou em uma visão muito particular da house music, sua principal influência. No lançamento do primeiro álbum, Boogie Playground de 2005, as referências circularam em torno do funk dos anos 70 e da house dos 80 em seu caminhar mais ácido.
Quatro anos se passaram e o olhar do produtor avançou no tempo. The Inner Jukebox, produzido em conjunto com Thomas Schumacher, foi lançado em julho deste ano e é o casamento da house clássica dos anos 90 com o "cerebralismo" do minimal techno, ao que se acrescenta uma atmosfera mais profunda. Uma tentativa de Koch de "mostrar como a house music deveria soar" - como escrito na página da própria Get Physical. O resultado é cerebral e meticuloso, uma house sem muita alma, uma "clinical house music for the minimal kids" (house music clínica para minimalistas) como já foi descrito.

Suas 11 faixas dão quase uma hora de álbum, mas o que se escuta é uma certa linearidade nas batidas e alguma quantificação na construção das faixas, uma meticulosidade matemática que vai de encontro ao principal elemento da house, o groove. The InnerJukebox consegue arrancar alguns remelexos em sua fixação 4/4 e em alguns momentos alcança a intentada equação.

Nesse mesmo sentido enquadra-se o primeiro single do álbum "Dis." Os vocais entrecortados por meticulosos micro-samples, beats secos, bongôs étnicos, linha de baixo marcante ao fundo e aquela verve dancefloor justificam a faixa. Um outro destaque é "Shine On" homenagem à Detroit e ao house dos anos 90. O brilho da faixa é justificada por uma paradoxal espontaneidade no groove matemático.

Flash Content
DJ T. - Dis (mp3)

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DJ T. - Shine On (mp3)

Em outro extremo, onde equações cerebrais e frieza matemática tomam o espaço do groove, encontra-se "To The Drum", a última faixa do álbum. Com um bom bumbo e novamente vocais micro-sampleados, a faixa segue reta. Boa para fins de noite, quando já não se aguenta mais dançar.

Flash Content
DJ T. - To The Drum (mp3)

Outros dois bons momentos são "Mr. Piano Hands" e "Switch," ambas para pista e marcantes. A primeira é mais deep em comparação com a segunda, usa frases musicais em um piano Rhodes e faz contraponto com a linha de baixo e com ranhuras típicas de disco na vitrola, no afã de demonstrar uma influência toda jazzy. Já a segunda consegue unir mais uma vez os vocais micro-sampleados com um jazzinho e algum groove da house. O Rhodes surge aqui também, porém em samples tão mínimos que chegam a parecer buzinas.

Flash Content
DJ T. - Mr Piano Hands (mp3)

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DJ T. - Switch (mp3)

A guinada do segundo álbum

Apesar do furor causado pelo lançamento de The Inner Jukebox o álbum em questão promete mais do que cumpre. Talvez culpa da grande expectativa em torno do disco - afinal são cinco anos que o separam do elogiado Boogie Playground. Talvez ainda isso se deva pela reinvenção de suas referências, antes os anos 70 e 80, e agora os anos 90 e 2000. Ou, ainda, se deva pela mudança de direção no foco de suas produções que, em um primeiro momento, foram mais voltadas para as pistas de dança e agora estão mais deep.

Em recente entrevista, quando questionado se havia sido proposital esta guinada, Koch respondeu: "Bem, talvez Boogie Playground fosse pegajoso e talvez The Inner Jukebox seja mais descarado em termos de funcionalidade. O que está claro porém é que, sim, o álbum tem uma atmosfera mais profunda ainda que, por outro lado, os sons estejam mais volumosos".

Outro ponto que causa alguma comoção é o fato deste álbum ter sido produzido em conjunto por dois grandes produtores e lançado por um dos mais atuantes selos da eletrônica atual (Thomas Schumacher e Thomas Koch, Get Physical). Mas, qualquer que seja o motivo do furor/comoção este deve ser medido, por que o álbum têm alguns bons momentos e só. O que mais vale aqui talvez seja a potencialidade de inúmeras futuras parcerias que o disco abre.

Catarina Liarth
Catarina Liarth
A vida é feita de altos-e-baixos...
comentários
13 comentários
SanD-Zone
SanD-Zone(06.09.09)
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Está do meu gosto.
Cow Molester
Cow Molester(05.09.09)
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É, o Led groove em razão. Na outra resenha o disco foi considerado "uma série de punhetas travestidas de groove".
Led groove
Led groove(05.09.09)
-1AprovadoQueima
Esse disco já foi resenhado no rraurl, e bem xoxado, inclusive: http://rraurl.com/resenhas/6623/A_saga_do_album_autoral. É tendença-dobradinha, ou falha no editorial?
Roberto
Roberto(04.09.09)
2AprovadoQueima
a melhor !!! DJ T. - Shine On
sonzera!!!!!!!!!!!!!!!!!
Júlia Says
Júlia Says(04.09.09)
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Som massa!