Diálogos afiados, histórias paralelas e violência desenfreada continuam como elementos marcantes do diretor
Esqueça os documentários que você viu no History Channel ou as super produções que Hollywood fez sobre o tema.
Inglourious Basterds (no Brasil, onde estréia em outubro, chamará
Bastardos Inglórios) não é um filme de Segunda Grande Guerra feito por
Quentin Tarantino. É um filme sobre COMO SERIA A GUERRA se o diretor norte-americano estivesse no comando dela. E com todos os toques de requinte e crueldade que ele consegue criar.
Está tudo lá: diálogos afiados, histórias paralelas que se encontram, personagens bizarros, violência desenfrada, ótimos e não tão conhecidos atores. Destaque para o austríaco
Christoph Waltz, no papel do Coronel Hans Landa, que transita entre momentos de pura comédia e assustador suspense. Isso sem sabermos bem qual é um e qual é outro.
A trama é um prato feito para Tarantino: um grupo de soldados é recrutado para espalhar o terror entre os soldados alemães na França ocupada. Sem nenhum tipo de conduta militar ou compaixão. Na liderança desse time nada ortodoxo está um engraçadíssimo
Brad Pitt, na pele do Tenente Aldo.
Mas apesar dos bons e frequentes momentos de humor,
Inglourious Basterds é marcante por causa das suas longas e quase sufocantes cenas de suspense. Nazistas ficam frente à frente com suas vítimas e inimigos em diversas passagens do filme, causando um desconforto nos personagens que transborda para quem está sentado no cinema. Esses inacreditáveis encontros, recheados de situações limítrofes, lembram o tempo todo que estamos diante de mais uma obra do criador de
Cães de Aluguel e
Pulp Fiction.
E se a preocupação com a precisão dos fatos ou a composição dos personagens históricos é propositalmente descompromissada - vide a afetação exarcebada de Hitler - a boa direção de arte lembra a todo momento que se trata de um filme passado nos anos 40 em meio a uma guerra mundial. Ponto para uma boa execução aliada à inteligência do roteiro.
No fim, fica a sensação de um filme que é pura diversão, com um mínimo de história. Motivo, inclusive, de repreensão por parte de comunidades judaicas nos EUA. A quem quiser um retrato fiel sobre um dos maiores eventos da humanidade, recomendo esquecer o irônico Quentin Tarantino. Pra isso existem os
7 DVDs da série The War do diretor Ken Burn. Esse eu também recomendo.
Inglourious Basterds estréia no Brasil em outubro. Quentin Tarantino virá ao país para o lançamento e
tem presença confirmada no Festival de Cinema do Rio de Janeiro.
O filme do Tarantino é assim o tempo todo. Claro, com uns exageros aqui e ali e um roteiro que só poderia sair da cabeça dele. Só no final é que descobrimos que ele está bem longe disso.
Mas a forma como o filme está sendo divulgado é como uma visão do Tarantino sobre a guerra. Assim como o Spike Lee fez a dele em "Milagre em Sta Ana" (decepcionante, por sinal).
A minha resenha foi simplesmente pra avisar as pessoas sobre isso. Já que muita gente que gosta do assunto II Guerra vai esperando respeito pela reconstituição histórica sim. Como eu, que fui, supreendido, positivamente, com o contrário.
Sessão da Tarde inteligente.