Em sua estreia, rapper mostra que não é apenas uma colaboradora de discos alheios
Não é sexismo. Quando mulheres sobem ao palco, elas provocam um tipo de fascínio sobre a plateia que o gênero oposto não pode replicar. Espatifam o mito de fragilidade criado em torno delas, partilham segredos (vide Karin Dreijer ou Cat Power), e tornam os timbres adocicados de suas vozes infinitamente mais interessantes. Quando decidem falar sobre sexo e diversão (de maneira inteligente e bem sacada), são igualmente celebradas.
Todos esses temas aparecem em
I Love You, primeiro álbum de estúdio da rapper americana Amanda Blank (nascida Amanda Mallory, na Filadélfia). Vinda da mesma seara musical de artistas como os conterrâneos Spank Rock (com quem colaborou no álbum
YoYoYoYoYo, de 2006) e a dupla Yo Majesty, ela ainda dividiu créditos em músicas do francês Yuksek e do duo N.A.S.A. Não é à toa que entre os produtores deste disco estejam o americano Diplo e o inglês Switch - Blank tem boas conexões.
A influência dos dois produtores pode ser ouvida em faixas como as medianas "Something Bigger, Something Better" e "Gimme What You Got" - gatilhos (à moda de "Paper Planes", da anglo-cingalesa MIA) e sirenes estão entre os samples que aparecem no arranjo. Mas o disco vai além do uso pasteurizado da fórmula que emergiu dos guetos de Baltimore e brilha mais quando flerta com o electro-pop em "DJ" e na boa "Shame On Me".
CAPÍTULO DE UMA OBRA EM PROGRESSOEm alguns versos (que não passam do mediano), discorre sobre temas explícitos sem constrangimento. Nas letras de "Might Like You Better", ela pede com pressa para que seu par a leve para casa, e não desperdice seu tempo, pois tem algo doce para mostrar - e, caso suas súplicas sejam atendidas, promete "gemer como uma gata no cio". Todo o palavrório é embalado por notas encrespadas de sintetizador e truques com vocoders aplicados aos vocais maliciosos de Amanda.
Há espaço também para baladas românticas, caso de "Leave You Behid", que conta com os backing vocals da sueca Lykke Li (que não parece fazer outra coisa nos últimos tempos). Mas, no conjunto,
I Love You submerge ao carisma de Amanda Blank, e sua sonoridade não interessa mais que a figura forte da rapper. As músicas deste trabalho devem ser esquecidas já nos próximos meses, mas marcam a metamorfose da colaboradora de discos alheios em artista com identidade própria - a ser lapidada daqui em diante.
O cd tá bacana, principalmente Shame On Me.
É, não é meu estilo, mais daria um bom remix a primeira faixa.
do q mais gostei foi a capa do disco dela...