Quatro ingleses misturam influências e desaceleram o rock em excelente álbum de estreia
O quarteto inglês
The xx (com x minúsculos mesmo) é uma banda peculiar na Inglaterra. Isso porque eles não soam nem um pouco ingleses. Não que as influências britânicas de bandas como
My Bloody Valentine e
Jesus and Mary Chain não esteja salpicada entre as estruturas das guitarras, mas o minimalismo melódico das onze faixas da estréia os afasta de grandes comparações locais.
No entanto, uma comparação imediata, e assumida pela banda, é com a dupla americana
The Kills. Um casal de cantores, Romy Madley Croft e Oliver Sim, se dividem entre os vocais, enquanto baixo, guitarra, teclado, samples e bateria eletrônica são revezados entre eles e os outros dois integrantes. Só que apesar de semelhança, o Kills soa muito mais agressivo e roqueiro que o The xx. Isso porque no caldeirão de misturas também se encontram bandas etéreas como
CocoRosie e
Chromatics.

E essa mistura toda é notada já de início, na faixa de abertura do álbum. Pequenos acordes de guitarras espalhados numa superfície pacífica de sintetizadores climáticos atordoados por um baixo extremamente pesado e batidas de impressionar Timbaland. No entanto, a dupla de vocais só aparece, tímida, reforçando o clima estéreo no final da faixa.
"VCR" começa com um barulho frágil e uma guitarra arrastada, que finalmente apresenta os vocais da banda. Suaves, sensuais e de letras simples, sempre dentro de uma estética pop de menos de três minutos.
E se é de pop que você precisa, a melodia de "Crystalised" é a mais assoviável e associável de todo o álbum. A faixa, maior single do quarteto até agora, é a mais Kills de todo o álbum. Talvez efeito da guitarra presente em toda a duração da música e pela divisão de vocais. "Islands" diminui o número de guitarras, mas segue a mesma estrutura de "Crystalised" soando como uma faixa irmã. Apesar da semelhança, "Islands" possuiu um refrão independente, belo e forte.
"Heart Skipped A Beat" retorna com as batidas hip hop da "Intro", mas dessa vez bem mais simplórias e sintéticas. Já "Fantasy" estréia a segunda parte do álbum, trazendo um clima denso, gótico, assustador e, aos poucos, grave, que encerra por volta de dois minutos e meio. "Shelter" nasce minimalista após a pesada "Fantasy". E vai adquirindo força até alcançar o melhor refrão de todo o álbum, este que se repete até o final da mesma.
O segundo single lançado pela banda, "Basic Space", possui batidas criativas em percussão minimalista. A faixa falsamente indica um momento de adição de novos instrumentos, mas que se mostram quase tão "vazios" quanto o início da mesma.
"Infinity" é um grunge polido que finaliza o segundo grande momento do álbum. Por ser a faixa mais longa do álbum, ela não se apressa para acontecer fazendo com os seus mais de cinco minutos de duração seja uma jornada prazerosa. "Night Time" inicia a desaceleração que tem ápice em na bela "Stars", encerrando o álbum.
O grande feito do quarteto é atingir rapidamente sensações que a maioria dos outros artistas contemporâneos demora algumas audições para ganhar. Isso porque é difícil não se envolver com o som simples e bonito, ao mesmo tempo em que qualquer aversão ao hype criado ao redor da banda é justificado. Uma estreia minimalista causadora de sentimentos exagerados. Facilmente um dos destaques do ano.
"... vocais sonolentos, arranhões de palheta nas seis cordas, bateria eletrônica de bolso e letras sobre o universo em desencanto das relações adolescentes. Tudo isso embalado num pacotão indie lo-fi, pretensamente de som simples e atitude blasé, mas que parece ter cada movimento estudado à exaustão pra captar a audiência e a atenção de quem conhece o mundo sem Jesus & Mary Chain."
Abrass.
Minimalista total, apesar do nome xx (excess).
Eles usam poucos elementos, mas a não linearidade e os contrastes nas músicas dão o tom.
Pra eles realmente "Menos é Mais". Isso sim é que é minimal!(rs). Genial!