Major Lazer - Guns Don't Kill People... Lazers Do
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ficha técnica
Nota: 3.9 / 5
Ano: 2009
Selo: Downtown / Mad Decent
Estilos: Dancehall, electro, autotune
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Major Lazer - Guns Don't Kill People... Lazers Do
Diplo e Switch caem na levada roots do dancehall, com humor e vontade pop
14.08.09 08:50
Dá para ter uma dezena de interpretações sobre o álbum do projeto-"persona" Major Lazer, lançado em junho pela dupla de DJs-produtores Diplo e Switch. Dancehall for hipsters (or dummies?), apropriação culpada da música mais negra possível feita por dois branquelos , pop autotune bagaceiro disfarçado de pretensão étnica caribenha, e por aí vai. Mas o comandante jamaicano, que perdeu braços na Guerra dos Zumbis (!), e que ganhou armas experimentais no lugar dos braços, nada mais é que a figura que faltava numa turma que vai da fidget house ao funk carioca (Bonde e afins), passando pelo sucesso de M.I.A. e Santigold.

Major, renegado, foge para Trinidad e se disfarça como proprietário de um clube noturno, lugar em que conheceu o inglês Switch e o americano Diplo, os convidando para produzir seu primeiro disco. O álbum, intitulado Guns Don't Kill People, Lazers Do, é aquela massaroca jamaicana que mistura dancehall primordialmente, mas traz aos insiders influências de ska, rocksteady, dub, ska e pop a la Black Eyed Peas - esta qualquer outsider vai sacar.

Sim, já que, por mais que este projeto seja uma tentativa coerenta da dupla de rumar às raizes de suas influências - a Jamaica é a raiz de 90% da música negra hoje -, o projeto disfarça uma pretensão pop siamesa à de will.i.am. Muito mais divertida e, criativa, claro, já que o BEP se leva a sério o suficiente para falar em nome de uma geração "online" que usa e abusa de autotunes e samples de Justice (leia a resenha).

Major, Switch e Diplo
Major, Switch e Diplo


A similaridade entre o capitão jamaicano e o grupo de Los Angeles se dá ao máximo na faixa "Keep It Goin' Louder" - se o DJ Shuffle soltar aleatoriamente no seu ouvido, você não sabe dizer quem é quem. O autotune lamenta numa batida sacolejante, junto com o canto rimadinho de Nina Sky falando sobre DJs e festa - "girl i wanna party with you", daí pra baixo. A música é safada e infame, tão rasa que conquistaria até o gosto das crianças. É divertida, mas há limite para o sarcasmo nessa vida - fico a pensar como o editor do Pitchfork Media chamou esta de uma das 'melhores canções pop do ano'.

Mas é um estranho no ninho do disco, que tem seu mérito por misturar o pancadão pélvico da música jamaicana com estéticas de produção atual, certo ar electro e mash-ups com a música "muderna". O single de estreia é "Hold the Line", tem Santigold, interações telefônicas divertidas (jabá da Nokia?), e, hm, bem como o Black Eyed Peas já fez em "Pump It", sample da música tema de Pulp Fiction. No clipe, dá para ver o Major Lazer em ação, destruindo zumbis, ouvidos e cinturas.


HOLD THE LINE

Em sua mistureba freestyle, o disco soa como continuação natural da mixtape de raggadance Top Ranking, que Diplo lançou ano passado com a ainda Santogold (leia a resenha). E soa também como o cume das parcerias, do humor e das possibilidades internacionais de uma galera que já soltou ao mundo os dois ótimos álbuns de M.I.A., a Mad Decent e a pedra fundamental da cena fidget.

Tudo agora converge para a caverna dancehall de Major Lazer no caribe. "Can't Stop Now", Camilo rocha frisou bem, tem potencial para estar nas mais diferentes coletâneas - é o tipo de som que inglês ama; fanfarronices como "Mary Jane" e "Pon de Floor" são mais electro do que Jamaica. E há uma aura The Bug constante, pela quantidade de convidados e por certo bancadão grime disforme ("Jump Up" e "What U Like").

E há o ponto alto do disco, em que a autoironia (tão comum no mundo hipster) chega ao mundo do autotune, carregando de patuá jamaicano. É "Baby", interlúdio de pouco mais de um minuto que Diplo e Switch tiveram a moral de transformar o choro de um bebê num autotune - "stopa dat mekanichal crying..", que vira loop de efeito para um dancehall quebradinho e um falatório desenfreado.

Flash Content
Major Lazer - Baby feat. Prince Zimboo (mp3)

Guns Don't Kill People, Lazers Do, por sua cadência rítmica e barulheira, voa num instante em seus pouco mais de 40 minutos. Em alguns momentos confunde, em outros irrita, em outro faz dançar e rir. É um bom trabalho autoral e de produção, dada o mash-up desenfreado que é a alma dessa nova Jamaica, e também pela chuva de convidados. E a ironia e o autoxoxo sempre valem, mesmo que por trás esteja uma vontade tremenda de ser pop escondida dentro do armário.
MP3
Flash Content
Major Lazer - Cash Flow feat. Jah Dan (mp3)

Flash Content
Major Lazer - Mary Jane feat. Mr. Evil & Mapei (mp3)

Flash Content
Major Lazer - Keep It Goin' Louder feat. Nina Sky & Ricky Blaze (mp3)

Flash Content
Major Lazer - Jump Up feat. Leftside & Supahype (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
7 comentários
Lucas D'Aloia
Lucas D'Aloia(26.08.09)
2AprovadoQueima
não vai estar na minha lista dos melhores do ano....mas até que é bem bacana
Thiago Augusto
Thiago Augusto(18.08.09)
1AprovadoQueima
prefiro aquele mix deles.
Thiago Freitas
Thiago Freitas(18.08.09)
daria no máximo nota 2
kaks
kaks(17.08.09)
1AprovadoQueima
hypes a parte, switch e diplo apresentaram sets "fiasco" quando vieram pro tim festival...
FredFX
FredFX(15.08.09)
1AprovadoQueima
Cara, valeu pela dica do disco, agora essa sonoridade "digital" com auto-tune escancarado, ja existe na jamaica a alguns anos! Foi a jamaica que influenciou o black eyed peas e o kanye west, e agora o major lazer, e nao ao contrário...