Dupla italiana se entrega à fórmula do barulho fácil em disco sem brilho
10.08.09 06:40
Na semana passada, falamos sobre saturação (e reinvenção) de fórmula quando o assunto é techno regionalista. Voltamos ao assunto com o álbum de estreia da dupla italiana The Bloody Beetroots, Romborama. Mas o alvo desta vez é o maximal. Lançado neste mês, o nome do álbum sugere inovação e pioneirismo (ao fazer referência a uma das invenções de Luigi Russolo, gênio da Itália futurista que escreveu The Art of Noises, em 1913), mas o trabalho da dupla de DJs se limita a replicar equações conhecidas no gênero.
Neste trabalho, os dois produtores - famosos por suas máscaras de Homem Aranha - não abrem mão de bumbos pesados e baixos distorcidos. O problema é que o resultado dessa combinação soa muito similar ao que outros produtores vêm lançando desde 2006. Não há nenhuma marca autoral - um teste cego dificilmente indicaria que essas são faixas do The Bloody Beetroots. Pior: fica a impressão de que eles querem ser o Justice.
"Storm" é quase um plágio de "Stress", da dupla francesa. Os momentos de tensão anteriores à entrada da linha de baixo, os samples disparados em direções imprevisíveis: não há nenhuma novidade aqui e eles não convencem ao oferecer um trabalho de qualidade superior. A similaridade exagerada continua com "Cornelius". Mas desta vez é o clipe que chama atenção. Os italianos aparecem numa orgia alcoólicas, entre multidões fora de controle e garotas chapadas. Tudo muito parecido a A Cross the Universe, documentário sobre a turnê incendiária do Justice. Em outros momentos, as imagens que saltam à lembrança vêm do vídeo de "Stress".
Há momentos mais felizes em Romborama, como as rimas dos Cool Kids sobre a base maliciosa de "Awesome". Ou o break houseiro de "Talking in My Sleep" (em que os dois DJs parecem se lembrar de que o silêncio pode ser uma ótima ferramenta para se criar um arranjo). Mas logo aparece alguma peça como "Second Streets Have No Name", com violinos, linhas de baixo poderosas e... o déjà vu traz à mente o bigodão de Gaspard Augé.
É inquestionável o talento dos Bloody Beetroots no estúdio, vista a qualidade técnica de todas as faixas do álbum. Também não há dúvidas sobre seu arcabouço intelectual - já que têm Russolo como padroeiro confesso. O que falta, parece, é frequentar menos as rodas da moda e deixar fluir o gênio sufocado por tantas camadas de barulho e de fórmulas preconcebidas.
"The cover was designed by Tanino Liberatore who has been Sir Bob's idol since he was a little boy. "Tanino changed my way of looking at thing when I was a boy. He trashed my innocence when I was eight," says Rifo."
acredito que sim, a técnica é típica dele, não conheço ninguém tão bom pra imitar nesse nível, é italiano como a dupla, o que está sentado tá lendo Ranxerox e tem uma assinatura escrito Liberatore no canto direito da capa... se non e vero, e ben trovato!
"The cover was designed by Tanino Liberatore who has been Sir Bob's idol since he was a little boy. "Tanino changed my way of looking at thing when I was a boy. He trashed my innocence when I was eight," says Rifo."
acredito que sim, a técnica é típica dele, não conheço ninguém tão bom pra imitar nesse nível, é italiano como a dupla, o que está sentado tá lendo Ranxerox e tem uma assinatura escrito Liberatore no canto direito da capa... se non e vero, e ben trovato!