Metade do icônico Basic Channel junta-se a Luomo e Max Loderbauer para criar quatro "padrões" de dub techno e eletrônica minimalista
A apropriação da música jamaicana é algo curioso. Se o reggae e o dub surge, numa cultura musical negra, rítmica e espontânea, sua influência espalhou-se mundo afora em diversas formas: música pop comercial, fusões com o rock e o punk e, claro, a música eletrônica. No outro extremo disto está o minimal techno, onde a cultura dubplate e a contemplação espacial do dub influenciaram pesadamente. Agora em 2009, uma nova leitura desta influência jamaicana pode ser observada no curioso álbum
Vertical Ascent, do Moritz Von Oswald Trio. Trata-se da junção de Mortiz Von Oswald, responsável por algumas das pedras fundamentais do 4x4 atual com seus projetos Basic Channel e Maurizio, além do finlandês Luomo (Sasu Ripatti, Vladislav Delay) e o produtor alemão Max Loderbauer.
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Moritz Von Oswald Trio - Pattern 1 (mp3)
O álbum reúne quatro estudos intitulados "Pattern" de 1 a 4 (
pattern = padrão, textura), que podem ser resumidos respectivamente em quatro estados: ambientação, tensão, percussão e dub(step)techno. Recomenda-se a audição com um bom fone - ou num sistema amplificado, já que
Vertical Ascent a leitura é uma dissecação plana da música eletrônica: a base é estirada (provavelmente pela letargia de Moritz Von Oswald), e vai surgindo uma evolução sutil, quase imperceptível, de efeitos e narrativas. Não é desconstrução, mas uma tentativa geométrica, bidimensional, de criar música com elementos tão simples.
Ao contrário da parceria entre Moritz e Carl Craig do fim de 2008 (época em que o alemão sofreu um infarto e se recuperou), onde a mão encorpada e melódica de Craig pesa mais (
ouça), este trio é uma leitura pós-Basic Channel não do techno, mas sim de diferentes ilustrações possíveis a partir de um pressuposto 4x4 e eletrônico. Enquanto "Pattern 1" é ritmada e remete os ouvidos ao minimal techno dos últimos anos, o suspense e a tensão instintiva de "Pattern 2" lembram as viagens urbanas de Massive Attack e Tricky.
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Moritz Von Oswald Trio - Pattern 2 (mp3)
Moritz Von Oswald, Luomo e Max Loderbauer ao vivo na Finlândia (2008; montagem)

São 45 minutos de música, com a faixa 2 batendo nos 13 (comparação paradoxal: o popíssimo Ting Tings cria 10 faixas rápidas e rasteiras no mesmo tempo), e percebe-se que há uma necessidade da audição do disco como um todo, como já dito, pela narrativa.
Verical Ascent serve para ouvir em momentos de desassossego, de ganja e de introspecção; mas também é uma boa chance para produtores, DJs e amantes da eletrônica entenderem uma forma diferente de inserção de efeitos e construção rítmica - Villalobos chamou o trabalho de "uma massagem de frequências". Dá para sentir Moritz e Luomo duelando (austeridade versus melodia), e Loderbauer eletrocuta rajadas, blips e blóins o tempo todo. É um pouco difícil imaginar, num live PA, este disco ser reproduzido
ipsis literis; a música é espontânea demais, clima de jam session.
Na metade final, "Pattern 3" deixa uma apreensão líquida do ritmo, com batucadas de metal dançando ao sabor de notas sintéticas - o ouvido acostumado à pista fica esperando que entre, heróica, a base de beats e loops que fazem dançar. Mas isso não acontece. E a quarta textura, a final, é um dub pleno, interessante para entender a diferença entre dubstep e dub de fato. Esta talvez é a faixa em que mais elementos se "desdobram": efeitos, base e ritmo evoluem, ascendentes, a algum acontecimento que na verdade não existe. É mera ilusão sonora, um olho mágico do techno que faz a música eletrônica estar além do bem e do mal do "orgânico/inorgânico". Em
Vertical Ascent, a sensação é extraterrestre, não à toa o foguete na capa: parte-se de Montego Bay, escala em Berlim, e destino final: Júpiter.
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Moritz Von Oswald Trio - Pattern 4 (mp3)
PARABÉNS, mais uma vez, Jade!
ps: ele podia voltar a compor como Maurizio...
:)