Black Eyed Peas - The E.N.D.
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ficha técnica
Nota: 3.4 / 5
Ano: 2009
Selo: Interscope/Universal
Estilos: Hip hop, pop, electro hop, miscellaneous
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Black Eyed Peas - The E.N.D.
Coletivo de hip hop de Los Angeles bebe na eletrônica maximalista e em clichês futurísticos para buscar sua evolução
30.07.09 08:50
Michael Jackson morreu, e o posto de "rei da música pop" está aberto. Não que alguém vá conseguir substituir MJ, mas o fim da era "Thriller" é simbólica musical e mercadologicamente. Nesse contexto, vale lembrar que o retorno do astro vinha sendo rimado pelos beats de will.i.am, o produtor-rapper responsável pelo coletivo Black Eyed Peas, de Los Angeles. A cena narrada em que Michael ficava deitado no chão curtindo os batidões de will.i.am é emblemática, e ouvindo o novo disco do BEP, The E.N.D., dá para entender as afinidades entre os dois: Michael, apesar de criativo, sempre foi um pastiche bem feito da música negra dançante, característica que will tem intensificado nos últimos anos.

Porque enquanto em 1982 Quincy Jones pegou timbres da novata house music e funkeou em pop music autoral, will.i.am busca hoje a fonte de sua evolução no "underground" da Califórnia hipster, maximalista e eletrônica, com suas fusões pós-Kanye West neste macrocosmo oriundo da Europa ácida. O Black Eyed Peas, que chegou ao topo da música pop norte-americana com seu hip hop funkeado, cheio de brasilidade e bundismo ("My Hump"!), chega agora a seu quinto disco marcando esta transição:
"im so 2008; you're so 2000late..."
Justice feelings (!!), muito, MAS MUITO autotune, e uma mistureba de hip hop, dirty bass e pancadões mais de dance music e menos anais, que eles designaram como "electro-hop".

O hit de estreia é "Boom Boom Pow", que você já deve ter ouvido por aí, onde "boom boom" ainda é inegável referência à bunda de Fergie numa base bem Snoopy Dogg/Lil' Wayne. Aqui, os temas funk, tão comuns nos famosos discos anteriores (Elephunk, 2003; Monkey Business, 2005) dá lugar a metáforas como "drop the beat!", e "i'm so 2008; you're so two thousand-late". O clipe é futurístico em seus maiores clichês: vozes são metabolizadas em autotune com corpos digitalizados; símbolos radioativos, dançarinos humanóides; Fergie como uma gostosona de 2100 com unhas de Wolverine usando fones de ouvido sem sentido. Ela, mais do que nunca, é responsável por ditar o ritmo com seus berros que, apesar de estridentes, são sempre cristalinos.


Black Eyed Peas "Boom Boom Pow"

Mas para entender esta apropriação do imenso e rentável mainstream black dos EUA com música eletrônica "desconhecida" e "underground", vale ouvir "Rock that Body". É synth Justice-Daft Punk puro, com sample-referência a Rob Base & DJ E-Z Rock ("It Takes Two"). Tudo muito bacana até que entra will.i.am autotunado acompanhado de uma criança robótica que não é autotune, mas sim algum preset do ProTools que ganhou vida própria e virou fã de club rap. A referência aqui é Kanye West, mas o lado pop é tão explícito que beira o banal, diferindo da prepotência (também banal) de Kanye. Na letra, a dica: "she likes electro (...) hip hop, 2step (...) samba, and calypso". Só faltou o tiquinho de carimbó.

Mas a música é divertida. Dá para tocar no Glória, no Bar do Netão, ou até mesmo num mash-up endiabrado do 2Many DJs.

Flash Content
The Black Eyed Peas - Rock That Body (mp3)

Mas como o disco é uma baciada, The E.N.D. toma o cuidado de ter as suas obviedades de pop e hip hop: ou seja, mais da metade das 14 faixas são cantorias dos 4 MCs em bases descartáveis - chegando a momentos de coral ("One Tribe") e uma constrangedora referência ao 'mundo conectado' (facebook, google, wikipédia e etc) em "New Generation". Da poplândia do álbum destaco "Meet me Halfway", em que Fergie adquire tons de Cindy Lauper cantando 'borderline' pra cima e pra baixo - termo esse tão atrelado à Madonna dos anos 80. É gay, dramática, melosa e acessível tanto a clubber quanto crianças, um público sempre propenso a amar e admirar a música pop. É só lembrar da MTV.

Mas toda essa mistureba é, na verdade, o fraco do disco. Enquanto nos dois anteriores dava pra relevar "Don't Phunk with My Heart" e "Where's the Love" em uma sequência coerente, funkeada e bem produzida, The E.N.D. soa como um bicho de sete cabeças, em que algumas delas dançam bem, e outras apenas estão ali para ocupar espaço. O ápice desse exagero é o fato de que o álbum é vendido em "deluxe edition", com um outro CD cheio de novas versões de hits antigos e lados-B tão irrelevantes quanto "One Tribe" e "New Generation". will.i.am devia aprender que, se for celebrar a metalinguagem eletrônica e dançante do beat, do bass e da base calibrada, não é preciso falar em nome das gerações com babaquices pop. Fora o autotune que o BEP não teve vergonha de usar e abusar.

Taboo, will.i.am, Fergie e apl.de.ap: rumo ao futuro
Taboo, will.i.am, Fergie e apl.de.ap: rumo ao futuro


É PRECISO ABSTRAIR
Mas The E.N.D. merece crédito por algumas músicas boas, como sempre bem produzidas (lembre-se que Michael queria will.i.am criando as bases de seu retorno), e que vão pegar. Porque Lady Gaga é legal, é curiosa, mas sua música nada mais é do que um edit de merda de tudo que a Christina Aguilera já fez de pior.

Deixei então a melhor música do disco agora para o final: "Imma Be", que será single, tem a mesma caída booty bass de "Drop it Like it's Hot" com Fergie bancando a MC, até que a música acelera para a deliciosa house music sintética, bem geração Daft Punk. E fechando as usurpações do underground tem "Electric City", em que Fergie banca a Santogold, mas sem patuá suficiente para fazer frente a Major Lazer. A base é eletrocutada, o refrão não diz nada mas é grudento no seu batuque e versos rimados. Simples, efetivo e como o título propõe, eletrônico.

Na sua evolução futurística e eletrônica, o Black Eyed Peas exagera no pastiche mas não demonstra tanta pretensão, já que o clima é de diversão simples (tem uma música "Party all the Time", em que Fergie fica falando que está bêbada). Quem não é um iniciado acéfalo na música pop logo percebe as apropriações e as desmistifica. Afinal de contas, assumir a busca pela evolução é confessar o aprendizado rumo a alguma coisa, e isso é sempre louvável, ainda mais quando faz a bunda mexer.
MP3
Flash Content
The Black Eyed Peas - Meet Me Halfway (mp3)

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The Black Eyed Peas - Imma Be (mp3)

Flash Content
The Black Eyed Peas - Electric City (mp3)

Flash Content
The Black Eyed Peas - Rockin To Beat (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
15 comentários
Julio DeLuxe
Julio DeLuxe(22.08.09)
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Segura meu cabelo que eu vou vomitar...
powerpill
powerpill(05.08.09)
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acabo de ver um clipe fluor deles com "nitida inspiracao" "desconhecida" e "underground".
bizarro
cara, will.i.am é a mosca que se alimenta da merda do cavalo do bandido. ciara + justin timberlake = rules
Denis Hadler
Denis Hadler(03.08.09)
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Na minha opinião, Black Eyed Peas é ma merda sem tamanho, desde o primeiro disco. O sucesso deles comprova a teoria de que, o mundo é povoado em grande maioria por idiotas completos. Auto tune então é nojento!
Benjamin Ferreira
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quer saber? dos últimos dessa laia que eu ouvi atualmente, só uma faixa me convenceu:

ciara feat. justin timberlake ''love sex magic''
http://www.youtube.com/watch?v=zTYT-SiZeFo

isso sim vale a pena.