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ficha técnica

Ano: 2009
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Banksy, do anonimato ao museu
Na Inglaterra, exposição "Banksy vs Bristol Museum" mostra a evolução do famoso (e misterioso) artista de street art de protesto
27.07.09 13:20
Ao se deparar com o desafio da sua primeira exposição individual, Banksy simplesmente poderia ter escolhido o caminho mais fácil - seriam necessárias apenas uma dúzia de paredes grafitadas para conquistar publico e crítica. Todo mundo ficaria satisfeito, afinal somente ele consegue ser uma persona sem rosto, sem identidade e, deste modo, o mais respeitado artista underground do mundo. Afinal, todo mundo ia gostar.

A amostra Banksy vs Bristol Museum, inaugurada mês passado na cidade de Bristol, Inglaterra (infos), mostra que ele optou pelo caminho mais louvável: o de um artista que deseja evoluir. Esta evolução não diz respeito apenas a um grafiteiro que se escondia para não ser capturado pela polícia e que, agora, ocupa dois andares de um dos mais respeitados museus do Reino Unido. Banksy convida as pessoas a repensar os seus conceitos sobre arte através do estêncil. E como ele faz isso? Confrontando o caos, a transgressão e poluição visual das grandes cidades com o formalismo e a sobriedade dos museus.



Uma das coisas que mais irrita Banksy é a sociedade de consumo. Assim como muito artistas, ele utiliza o incômodo como fonte de inspiração, então no meio da década de noventa começaram a surgir nos muros de Bristol e Londres desenhos que quebravam a hipnose de preocupações tão comum em moradores das cidades grandes: Mickey Mouse e Ronald Mcdonald andavam de mão dadas com a famosa menina queimada por napalm; colegiais louvavam bolsas de supermercado, e por aí vai.

Os hábitos capitalistas sempre foram vítimas das suas grafitadas, e além disso havia a temática non sense, de policias dançando ciranda, uma turma de crianças alegremente abraçada a mísseis, ratos vestindo a camiseta "I Love NYC" - um destes muros foi leiloado no E-Bay por mais de 400 mil libras.

Aos poucos seu trabalho começou a ser notado não apenas pela policia inglesa, mas pelo mainstream em 2003, com o convite do Blur para ilustrar a capa e o encarte do álbum Think That. Dizem que a parte gráfica do álbum teve mais êxito do que a música em si. No entanto, o grande golpe de mestre foi em 2005, quando Banksy viajou por conta própria ate à Cisjordânia, e realizou uma série de desenhos no recém erguido Muro da Segregação (que divide fisicamente a Palestina de Israel). O desenho mais impressionante é o de uma menina ganhando vôo graças a balões de gás, maneira sutil e poética que Banksy encontrou para tratar de um assunto tão delicado e que ganhou as páginas de jornais do mundo inteiro. Na foto abaixo.



REINTERPRETAÇÃO OU SUBVERSÃO?
Agora estamos em 2009, e a sutileza foi totalmente deixada de lado ao adentrar-se no hall do Bristol Museum. Lá o visitante depara com um policial da tropa de choque cavalgando em um pônei de brinquedo, atrás dele um enorme um enorme caminhão de sorvete pichado. As instalações - algo recente na sua carreira - são uma constante à medida que avança-se pelas salas, desorganizadas e provocativas, onde aparecem animais aprisionados que sonham com a liberdade - sobrou até para o simpático Piu Piu, que aparece triste e enrugado dentro da sua jaula. "Reinterpretações" seria uma expressão muito polida para se referir o que Banksy fez com algumas das mais famosas expressões das artes visuais: David, de Michelangelo, com explosivos presos ao corpo; a deusa da justiça sem a sua tradicional venda, usando agora óculos assinado e no lugar da balança bolsas de compras; quadros pixados ou alterados pela publicidade - algo realmente forte e chamativo, que à primeira impressão pode ser interpretado com uma maneira agressiva e gratuita de chamar a atenção.

O que não pode ser esquecido é que esta exposição propõem às pessoas repensarem a arte e, principalmente o local ande ela acontece: os museus. Pois trata-se de um espaço que em outros tempos tinha o objetivo de analisar a sociedade através de obras, e que agora muitas vezes não passa de um local de transações comercias, divididas em dois níveis: o primeiro é um circulo social fechado formado por curadores, críticos, colecionadores e artistas que realizam ali os suas transações. O segundo nível (ou sub-nível) é formado pelo grande público, que paga o valor da entrada para ver obras famosas de artistas famosos, para depois, na loja de souvenirs, ter a ótima oportunidade de adquirir o cinzeiro do Pablo Picasso, o porta lápis do Van Gogh, entre outros mimos.




MITO. PRESERVAÇÃO
Em momento algum Banksy foge do seu tempo, artista urbano que usa a internet para promover seu trabalho, sendo o Twitter um dos seus canais favoritos. Mas é impossível não relacionar Banksy com outro artista que reformulou os conceitos da sua época - Andy Warol -, mesmo que um gostasse muito de aparecer e o outro simplesmente não aparece; mesmo que ambos tenham surgido de escolas diferentes e usassem técnicas diferentes, eles se assemelham pelo simples fato que pouco usaram uma linguagem tão acessível às pessoas de sua geração, tendo o cotidiano como obraprima e as figuras do mundo capitalista como objeto de estudo - claro que aqui, Banksy representa o lado negro da força.

A grande pergunta é por que alguém que consegue realizar algo diferente em um mundo onde praticamente já criado de tudo, prefere permancer no anonimato - apesar dos inúmeros boatos que surgem na web?. O óbvio seria dizer que ele quer reforçar o mito entorno de sua não-imagem, mas talvez ele prefira ficar na espreita, pois sem um rosto como alvo, fica difícil elaborar criticas dirigidas. Deve ser muito desagradável e de certo modo é pouco relevante ouvir que a cada ano sua obra fica cada vez mais efêmera, ou que durante a sua última vernissage o lambrusco foi servido na temperatura errada.

SERVIÇO
Banksy Versus Bristol Museum
13/jun - 31/ago
EXPOSIÇÃO GRATUITA

Bristol's City Museum and Art Gallery
Queen's Road - Bristol (BS8 1RL)
Inglaterra
Diariamente, das 10h às 17h

Bernardo Costa
Bernardo Costa
Pannis Et Circens
comentários
13 comentários
FunGu
FunGu(30.07.09)
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Ótima matéria desse artista incrível , under e atual! Já conhecia um pouco do seu 'trabalho' , mas me sinto muito mais enriquecido com esse texto. Adoro arte e grafite , aliás , gostaria de ver mais textos relacionado a esses temas.

Legal também o post da Carol , adicionando infos. Queria ter visto essa expo ein , haha. Bem que o Banzky podia fazer uma paródia com o rato mais famoso do Beatport , Deadmau5 , pff.
Soraia!
Soraia!(30.07.09)
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Este é artista mesmo !
A sua arte é uma representação incrível e crítica dos dias atuais!!
Cirilo
Cirilo(29.07.09)
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Banksy eh o cara !
carol zancani
carol zancani(28.07.09)
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mto legal ... mas essa não sera a 1ª exposição individual do Banksy. em 2005 uma galeria em Westbourne Grove fez uma exposição 100% dele que foi inclusive interditada nos 1os dias pois haviam ratos soltos pelo espaço ... depois quando foi liberada, todos os interessados em entrar na exposição deviam assinar um termo de responsabilidade falando que se pegassem qualquer doença ou fossem mordidos pelos ratos a responsabilidade não era nem do autor nem da galeria. nesse link tem algumas fotos do evento: http://dev.null.org/gallery/events/CrudeOils ... achava impagavel passar por um tunel sombrio e me deparar com um ratinho do Banksy ouvindo radinho de pilha .... ou com um anjo sentado na sarjeta tomando coca-cola, fumando um cigarrinho e vestindo allstar ... love him!!!
João Anzolin
João Anzolin(28.07.09)
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Esse cara é FODA!

Parabéns pela matéria.