Originários da cidade norte-americana Olympia, o
Gossip completa uma década de atividades esse ano. Mas foi no já longínquo 2006 que o trio explodiu globalmente com "Standing in the Way of Control" e deixou o circuito de pequenas casas de shows para ser número 1 do top indie britânico. A vocalista Beth Ditto foi eleita pelo semanário inglês New Musical Express
a pessoa mais cool da música no mesmo ano e passou a centralizar atenções. Com o perdão do trocadilho, surgiram fofocas nos bastidores sobre a insatisfação dos outros integrantes com a superexposição da vocalista, como se fosse a banda de uma pessoa só. Talvez pensando nisso a capa do seu novo disco,
Music for Men, tem apenas a figura do rosto da baterista, Hanna Bilie (veja ao lado). O próximo seria com a estampa do guitarrista Brace Paine?
O sucesso trouxe um contrato com a
Columbia Records. O disco foi gravado na praia de Malibu, em plena Califórnia, e a produção ficou a cargo de ninguém menos do que o mago em orientar talentos
Rick Rubin (Bestie Boys, Metallica, Red Hot Chili Peppers) que soube dar ao Gossip o som mais claro e de estúdio que eles perseguiam, dosando entre o (menos) punk, o pop e o dançante. É explícita a influência de Rubin - também co-diretor da Columbia - no resultado final: as raízes indie seguem presentes, apenas deixadas pouco de lado, criando algo sólido e divertido. Levando-se em conta as origens do Gossip, é um caminho um tanto ousado.
O início é com a cativante e simples "Dimestore Diamond", que mostra que eles podem combinar grooves para ganhar efeito sem o menor problema. "8th Wonder" e "Spare Me From The Mold" são as faixas que agradarão facilmente aqueles velhos fãs: dinâmicas com guitarras agressivas e vocais acelerados. Em "2012" há uma versão do refrão de um hit do Kiss ("I Was Made For Lovin' You"). Já "Vertical Rhythm" é sem dúvida a mais pop. Já o primeiro single é o que mais se aproxima de "Standing in Way of control", tem pegada punk e bateria rápida:
Musica para Amor? "Men in Love" é um hit para a pista de dança e surge com força e refrão simples e irresistível ("Na, na, na/ Men in love/Na, na, na, na/With each other"). Uma introdução de piano anuncia a cativante "Love Long Distance". "Love and Let Love" e a típica música de discoteca declarando o clichê sobre a ambiguidade de sofrer e deixar de amar, sentimento é constante em quase todas as faixas. Há ainda uma quarta faixa de destaque paralelo: "Four Lettler Word". Nessa última, Beth combina sua voz com a eletrônica, mostrando toda a dor e a angústia de uma relação não correspondida.
"For Keeps", uma das mais belas, é dançante e misteriosa ao mesmo tempo. A interpretação de Ditto rivaliza com Karen O (em "Zero") no pódio de mais poderosas do ano. Se a escolha fosse minha, esse seria sem dúvida o próximo single. A guitarra de Paine varia entre o pesado e o elétrico, e a bateria de Blilie rufa com uma força compulsiva. Quanto aos vocais, Ditto mostra técnica impressionante, encarnando cada vez mais Aretha Franklyn ao se revezar entre gritos de raiva e urros de excitação. É um álbum sincero e, ainda que as vezes as letras o tornem um pouco monotônico, traz para o grupo um novo e visceral desempenho, aguardado pelos fãs, mesclando som pulsante e energia crua.
Com
Music for Men o Gossip soube aproveitar as possibilidades e oportunidades que uma grande gravadora e um renomado produtor podem dar. A banda não teve medo de errar ao atualizar sua sonoridade, mesmo sabendo que pode assustar um pouco aos fãs antigos pela clareza pop adquirida.
Apresentações na Europa e Estados Unidos já estão agendadas e fica o toque: seria interessante vê-los com ar de frescor no Brasil, principalmente depois do
cano que deram na edição do TIM Festival 2008.