Mais maduro do que álbum anterior, produtor mostra segurança em escolhas nem sempre óbvias
Dave Longstreth estreou em 2002 com o disco The Graceful Fallen Mango, que abriu a primeira porta para a formação do Dirty Projectors. No ano seguinte, saiu o primeiro disco assinado pela banda, produzido pelo próprio Longstreth. Hoje, com sete anos de carreira, o grupo tem no histórico shows com David Byrne e Björk, cinco álbuns lançados, contrato com a Domino e um disco que entrou pra história.
É clara a evolução de Dave Longstreth como produtor logo na primeira execução de
Bitte Orca. O músico parece mais maduro do que em Rise Above, de 2007, cedendo a maiores manifestações de música eletrônica e elaborando melhor os arranjos vocais, que soam mais harmoniosos e redondos, tirando proveito máximo da dupla de vocalistas que a banda ganhou.
Ao fazer rock de vanguarda como sexteto, o Dirty Projectors esbarra na complexidade de uma grande orquestra.
Bitte Orca é um mix do indie pop do
Of Montreal, de experimentalismo eletrônico garimpado do
Animal Collective e de rock com tempero de afro-beat, emprestado do
Vampire Weekend - não por coincidência
Ezra Koenig, vocalista do VW, já foi um dos Projectors. A mistura desce deslizando pelos tímpanos e, como uma boa banda do
Brooklyn, o Dirty não falha na tentativa de ferver a indiezada.
Os primeiros acordes do álbum são limpos, com o baixo chamando a atenção sobre as notas de guitarra. A música é "Cannibal Resource", um groove relaxante que tem o toque especial de uma percussão insistente, contínua, que não soa pesada - ingrediente mais precioso do disco. A sensação que fica é que, se Rei Leão virasse uma produção de
Jason Reitman (
Juno), essa música entraria direto como tema principal.
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Dirty Projectors - Cannibal Resource (mp3)
"Stillness In The Move" é o primeiro single que saiu do disco e, se for pego na rádio sem a devida apresentação, pode ser trocada por uma composição da mais nova banda de encomenda do Kanye West. As vocalistas Angel Deradoorian e Amber Coffman, por alguns minutos, se transformam em uma releitura cool de Beyoncé. Mas o vídeo vai por outro caminho:
Na seqüência, descobrimos a fundo quem são as cantoras que dão o clímax nos backing vocals em todas as faixas do disco. "Two Doves" é a única das nove músicas que não tem a voz de Longstreth em primeiro plano. Aqui, a presença masculina passa despercebida e o experimentalismo dançante é substituído por um set de cordas composto de violão, violino e violoncelo, que dão o tom para Angel soltar a voz nos versos mais bonitos do
Bitte ("Geranium kisser/Skin like silk and face like glass/Don't confront me with my failures/Kiss me with your mouth open").
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Dirty Projectors - Two Doves (mp3)
Quando chega "Fluorescent Half-Dommed", se percebe que a qualidade do primeiro par de faixas do álbum permanece inalterada: as batidas não ficam enjoativas, as vozes não fazem o ouvido doer e o experimentalismo não causa ânsias. O álbum termina mostrando uma uniformidade invejável - o que não significa que deixe de agradar de fãs do rock clássico do Led Zepellin a hipsters que causaram na pista do Dan Deacon no último TIM Festival.
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Dirty Projectors - Fluorescent Half Dome (mp3)
mandou bem na estréia, hein?!
boa recomendação, já tô procurando o disco aqui.
abraço!