Ator e MC, americano viaja o mundo com a ajuda de sua voz, beats perfeitos e passaportes musicais emitidos por Mr. Flash (Ed Banger) e Madlib
Dante Terrel Smith, o Mos Def, não precisa de factóides. Claro que ele pode portar uma mini-metralhadora giratória, este afro-americano muçulmano e descrente de que Bin Laden derrubarou o World Trade Center - desconfiando até que os americanos pisaram na lua (
assista). Mas esta não é a credencial empunhada, como o
Nas, que se vale de polêmicas raciais intermináveis para um beat, ahn, normal.
Vale lembrar que a busca pela batida perfeita é pilar indiscutível no hip hop, principalmente nós aqui de um site bate-estaca. E com Obama no poder a pauta pode ir um pouco além. Fora que o cara está longe de ser gangsta bling-bling, nem vamos entrar nessa questão.
Este MC do Brooklyn, do campo majoritário do hip hop "cabeça" (panteão de Madlib, Q-tib e J. Dilla) é também bom ator, e foi destaque há pouco tempo como protagonista de
Be Kind Rewind, filme de Michel Gondry que no Brasil virou "Uma Locadora Muito Louca". Como músico, explodiu ao mundo em 1999 com o absurdo
Black on Both Sides, picando samples e rimas sobre melodias e bumbos mais dançantes que raivosos; sempre esfumaçados e de groovera soul, funk e jazz. Negritude que foi transmutada por mais dois álbuns e agora alcança um novo
turning-point no recém-lançado
The Ecstatic, um puta disco de 16 faixas que cresce a cada audição.
Ao lado de Jack Black em "Be Kind Rewind" e como Chuck Berry em "Cadillac Records"

O melhor deste álbum é o beat. Quase perfeito, ele não disputa espaço com o discurso, pois há uma harmonia entre versos e ilustrações sonoras sobre o tema proposto, por vezes abstrato. Por isso o single inicial "Life in a Marvelous Time" tem letra esvaziada (leia no youtube), incrementada pelo escopo sonoro grandioso de um
crescendoll medieval a la Goblin-Justice, enxertado pelo Ed Banger
Mr. Flash, um dos produtores do disco ao lado de Madlib e Neptunes. O francês reprocessou uma base antiga, que já havia sido usada numa faixa com os franceses do TCC, "
Champions".
Flash Content
Mos Def - Life In Marvelous Times (mp3)
Mos Def cria sua própria aldeia global e sonora, com visões globais de música e de vivências (o disco abre com Malcom X falando da luta das raças contra a miséria
do mundo). Já que é um muçulmano, o destaque fica para o bom-humor do
folclore árabe, que dita a melhor faixa do disco, "The Embassy". Um vôo leva do Grand Canyon para Beirute o ouvinte em lah-lah-lahs funkeados por bandolins e castanholas bem resplandescentes - é Mr. Flash carimbando o passaporte de Mos Def. A viagem tem escala latinoamericana, com o malemolente spanglish de "No Hay Nada Mas" e uma escala na Guanabara com "Casa Bey", que encerra o disco sampleando "
Casa Forte", da banda Black Rio.
O rapper, aliás, esteve no Rio em 2006 para participar
ao lado de MV Bill do programa 4Real do National Geographic, em que artistas experimentam a vida de verdade nos grotões do mundo. Por essas bandas ele trocou impressões sobre o hip hop local e passeou pela perifa da Cidade de Deus. Por mais
artsy que os discos de Mos Def sejam (algo meio classe-média), é imprescindível para uma estrela do hip hop envolver-se em questões sociais - em
The Ecstatic a pauta apenas fica internacional. Mas, como dito, o discurso ainda é subvertido pela boa composição musical e a veia artística do MC, que sempre lança discos bem cotados, mas que não batem o
Black Eyed Peas nas paradas. Claro, ele não é uma unanimidade, muçulmano, com opiniões extremas e tantos fóruns de internet por aí.
@ Sasquatch Music Festival (2009)

O potencial pop é latente no disco, com sua voz tão boa quanto Kanye e as boas baladas, uma raridade no hip hop: vale o registro para a maravilhosa "Love", do primeiro disco, e aqui de "Worker's Comp." e "Revelations", esta última cantada em parceria com
Georgia Ann Muldrow, cantora que tem no gogó a sensualidade de Alicia Keys e o requinte de Jill Scott.
Neste disco, Mos Def equipara-se pela sutileza rapper a Erykah Baduh e até D'Angelo, e pela musicalidade a Gnarls Barkley e claro, A Tribe Called Quest. É de fato o artista perfeito para interpretar Chuck Berry no cinema: black na essência, tanto na pele como nas vicissitudes da militância e da música.
Achei o Toddla T bem ruim, exceto pela última música do CD. E o subtítulo do 'be kind rewind' aqui no BR foi 'Uma Locadora muito Louca"
Pô, já curti mais esse cara, tá meio enlatadão esse som. Sou mais ele da época do BlackStar, q ele fez junto com o Talib Kweli..."One, two, three, Mos Def and Talib Kweli, we came to rock it on to the tip-top, best alliance in hip-hop, y, o..."
Já ouviu Toddla T? tô curtindo demais! grime "skankiado", sabe como é? então procura o disco Skanky Skanky...vale até um radar aqui, ein!? Aliás os sons q tão virando no nosso inverno tem ares de verão...do hemisfério norte...como o Major Lazer, o Gorillaz do Diplo =]
Ele tb arrebentou em 16 Quadras...