Jeff Mills, Carl Craig, Ebony Bones e povo da Ed Banger fazem bonito nas pistas do festival catalão
Ainda sob um sol escaldante, a segunda tarde do Sónar começa bem ao som eclético do DJ espanhol
Txarly Brown e seu Achilifunk, com ritmos latinos mixados a funk e soul. Em seguida, o live do
DSL abre as sessões de artistas do selo francês
Ed Banger Rec com ragga, dubstep e grime.
Lembram que eu disse que era estranho escutar dubstep às quatro da tarde e embaixo de sol escaldante? Pois é, a esta altura do Sónar, isso já não parecia mais importar tanto.
Depois do
DSL, foi a vez dos também franceses do
Breakbot e
Outlines. Quebrando totalmente o ritmo, o
americano doido James Pants levantou o público com uma caótica colagem de hits a la
2 Many DJs que iam desde de "Immigrant Song" do Led Zeppelin à "Cannonball" das Breeders, passando por "White Rabbit" do Jefferson Airplane e indo até "Ain't No Mountain High Enough", super clássico da soul music. Divertido.
Já no palco Sonar Hall, a
excêntrica inglesa Ebony Bones mostrava seu som que era uma mistura de pós punk com Siouxsie Sioux, Yeah Yeah Yeahs e black music, empolgando por muitas vezes o público que lotava o local, mas também causando estranhamento em outras. Mais a noite,
Alva Noto representava bem
o techno experimental e suas vertentes. Classic.
Ebony Bones pode assustar!

O celebrado venezuelano
Cardopusher foi o responsável pelos
momentos dubstep trevas do palco Sonar Dôme, com um set onde predominavam as bases mais lentas, que funcionariam bem melhor num ambiente menos festeiro.
Fever Ray, anjo azul

ESQUISITOS E MESTRES DA ELETRÔNICAA última noite do Sónar começa com dois artistas dos mais cultuados atualmente - e também dos mais esquisitos. De um lado, a
psicodelia distorcida e doce do
Animal Collective e de outro a
xamã sueca de cabelos dourados Fever Ray.
A apresentação do AC parecia estar debaixo d'água. O clima atmosférico, quase etéreo faz o som do grupo parecer ainda mais gigante ao vivo, e realmente soa como se estivéssemos vendo baleias azuis nadando no meio da pista. Surreal. Já Fever Ray entra no palco com uma fantasia de deusa pagã, completamente no escuro - e assim permanece até o final do show, removendo a pesada vestimenta apenas na terceira faixa e ficando assim parada no centro do palco, iluminada somente pelo reflexo de alguns poucos lustres dispostos pelo cenário, envolta em muita, mas muita fumaça. Tudo muito estranho de um jeito positivo, um lado "
björk de ser". O hit "When I Grow Up" é claro, é cantado em côro por todos.
O mais engraçado de tudo era que, para ir do show do AC para o da FR (que rolavam ao mesmo tempo), precisávamos passar pelo palco Sonar Lab, onde o hard techno e os electro bangers comiam soltos. Belo e desconcertante contraste para os ouvidos.
Depois do AC, foi a vez do palco Sónar Club receber outro esquisitão: o produtor inglês
Beardyman, que simplesmente
produz electro e hard techno usando apenas samplers de sua própria voz mixados ao vivo. Carismático ao extremo, ele é como se fosse uma beatbox humana movida à ecstasy, realizando uma das mais criativas e empolgantes apresentações do festival. Anote o nome dele no seu caderninho.
Orbital: queremos também

Mas o melhor da noite ainda estava por vir. Por volta de uma da manhã, os mestres do
Orbital subiam ao palco para não deixar sobreviventes. Hits atrás de hits (sim, eles tocaram "Belfast", "Halcyon/On and On", "Chime", "Satan", etc), o Orbital fez de longe a melhor apresentação deste ano do Sónar, encerrando com chave de ouro com o já lendário remix do tema de "Doctor Who". A sensação de felicidade era estampada na cara de cada um dos presentes, a maioria deles com a certeza de terem visto um dos melhores shows de suas vidas. E fica a dica: tá na hora de alguém trazer a banda de volta ao Brasil,
urgente.
CRYSTAL CASTLES PAGA MICO... DE NOVOEnquanto o Orbital encantava, o
Crystal Castles pagava o maior mico do evento, fazendo uma péssima apresentação, que culminou com a vocalista Alice Glass saindo na porrada com um dos seguranças. Os contínuos problemas com o som foram virando uma verdadeira bola de neve, que explodiu com a fofa tentando um
stage diving na platéia muito mal sucedido. Dias depois, a equipe do Sónar publicou uma nota oficial dizendo que todos os problemas foram causados pela própria equipe da banda, que é famosa por suas apresentações catastróficas. Mas vai saber quem está com a verdade. O show não era grande coisa mesmo logo de início. No YouTube dá para ver um pouco da confusão.
Crystal Castles: a encrenca
Com os nervos mais calmos, tivemos a oportunidade de ver a excelente performance do
Moderat. Dispostos no palco exatamente como o Kraftwerk (enfileirados horizontalmente atras de mesas onde colocavam seus laptops e samplers, telão ao fundo), o trio mostrou um
techno lento, pesadão, que tocava fundo na alma. Foram aplaudidíssimos ao final. Outro
nome pra ficar bastante atento.
Pra terminar a maratona, o guerreiro mais invencível poderia decidir se queria conferir "apenas"
Jeff Mills seguido de
Carl Craig no Sonar Pub, ou o inglês
Sinden, seguido dos alemães
Shed e
Marcel Detterman no Sonar Lab - todos afiadíssimos. Fechando a programação do Sonar 2009, o live act
The Requesters tirou a última gota de sobrevivência de cada ser que estava presente por lá.
Moral da história? Sim, o Sónar é um daqueles festivais que todo mundo tem que ir pelo menos uma vez na vida. E quem vai, fica viciado. Que venha logo 2010!
GUIA RÁPIDO DE SOBREVIVÊNCIA SÓNAR
1) Compre os ingressos com antecedência, via Internet.
2) Para ir para o Sónar Night, o melhor é pegar o Sónar Bus, que sai de dez em dez minutos a partir das 20:30h da Plaça Drassanes, e que também te traz de volta quando você não estiver mais aguentando ficar em pé. O problema é que o ônibus - que eles dizem que é gratuíto - na verdade vai te custar dois euros por trajeto. E também nesta praça não há qualquer sinalização de onde é o ponto dele, portanto o negócio é ficar de olho aberto para qualquer ônibus azul que passar por perto. Mas de todo modo, isso é bem melhor, mais barato e seguro que pegar um taxi (os taxistas de lá são treinados pra se aproveitarem de turistas inocentes).
3) Ao chegar, corra pra um caixa e compre logo três ou quatro tickets para água. Durante a noite, este tempo que você ganhou ao comprá-los com antecedência vai ser valioso.
4) O troca-troca de drogas é rápido e nem sempre seguro. Muita gente vai te dizer "tenho anfetamina, troco por pó". Se você é daqueles chegados num colocón, duvide sempre, lembre você não sabe a procedência de nada.
5) Use roupas confortáveis e leves, mesmo se tiver friozinho - eles tem um grande chapelaria por lá. Novamente, beba muita água. Leve um dinheirinho extra pra comprar algum merchandising - você vai querer pelo menos uma das cobiçadas mochilas do festival. E divirta-se!
Sem falar no Moderat, que a julgar pela apresentação que vi do Apparat, deve ser mesmo incrível...
E o Crystal Castles não se emenda, hein? No Cream fields BS As. foi a mesma presepada. Chega a ser triste q os caras, sendo tão interessantes, se auto-sabotem dessa maneira...