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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2009
Estilos: rock, indie, punk, pop
fotos
Coca-Cola PARC
08.06.09 20:55
Coca-Cola PARC
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Coca-Cola apresenta: Porto Alegre Rock City
Coca-Cola PARC traz shows internacionais a Porto Alegre
08.06.09 21:05
Em dias de crise mundial, quando as empresas fecham as torneiras que abastecem patrocínios culturais, causou surpresa a notícia de um grande festival de música em Porto Alegre. A demanda era antiga. Curiosamente a cidade tida como a mais roqueira do país ainda não tinha seu Abril Pro Rock, Planeta Terra ou equivalente. Com o esperto mote "Porto Alegre Rock City", o Coca-Cola PARC aconteceu entre os dias 5 e 7 de junho, em diversos pontos da capital gaúcha, e trouxe, pela primeira vez ao país, as bandas No Age, Matt & Kim, The View e The Teenagers. Clonagem tímida de festivais importantes como o The Great Espace e o SXSW, o evento teve direito a ronda noturna em circuito de bares, exibições de filmes, ciclo de debates, bazar de moda alternativa, festa, DJs sets e, claro, muitos shows. Quem pagou a conta foi a representante sulista da maior marca de refrigerantes do mundo. E não deve ter saído barato. A realização do evento envolvia um pool de agências publicitárias e produtoras de evento, além da colaboração de grande parte da cadeia produtiva da cena local, de músicos ao pessoal da imprensa especializada. Todo mundo teve seu cachezinho.

Até eu. O evento começou às cinco da tarde de sexta-feira, com um DJ set na sede do festival, um parque instalado próximo ao shopping Praia de Belas. No espaço estavam montados o Mercado Mundo Mix, uma sala de cinema (onde aconteceu a estréia local de Guidable, o documentário dos Ratos de Porão), um lounge com palco e um console do game Guitar Hero, um bar (só pra maiores), a área vip e o palco principal - o polêmico Underage Stage, que subvertia a lógica do "proibido para menores" e era exclusivo pra jovens dos 12 aos 18 anos. A tal da estratégia de marketing, embora alguns chamassem de idéia de jerico. Graças ao caráter, digamos, didático da coisa, foi sem medo que emendei um Was (Not Was) no TV On The Radio.

Pausinha pra pizza e teve início a ronda noturna do circuito Kidults, sem dúvida, o ponto alto do festival.

No Age no Cult Bar
No Age no Cult Bar
"Foi como quando você sai com uma garota e tenta ir com tudo já no primeiro beijo, faltaram as preliminares", essa foi a precisa definição do californiano Randy Randall sobre o show de sua banda, o No Age. Porto Alegre não estava preparada pro estupro hardcore experimental do No Age, às dez da noite de um sexta-feira, no improvável Cult Bar. Guitarra em punho, button do Black Flag na jaqueta, farta pedaleira no chão, Randy e seu pal Dean Spunt despejaram sobre aquelas poucas dezenas de gatos pingados uma tonelada de punk sujo e viajandão. Barulho a dar com pau. "Foi mais caótico que o normal", admitiu o guitarrista, "acho que foi por causa dos equipamentos, deveríamos ter trazido os nossos". Randy parecia brigar com os amplificadores enquanto ondas de reverberação danificavam permanentemente minha audição. A platéia permanecia em transe, paralisada de pânico. Dean cantava e batia na bateria mirando o vazio, chapado de alguma coisa nociva. Ou talvez fosse o cansaço da viagem. Parte do cast da mitológica Sub Pop, o No Age fazia sua primeira turnê Sul Americana. Na noite anterior a dupla havia se apresentado em Santiago e depois seguiria pra São Paulo e Buenos Aires. Qual droga você mais gosta? Perguntei pro baterista Dean depois do show. A resposta veio naquele típico humor niilista estilo Jack Ass: "Tranqüilizantes pra cavalo ou qualquer coisa que se põe na bunda. Também gosto de me bater". Durante o show, lembrei do conceito de entropia. Caos completo por apenas 30 reais.

Matt, da Kim
Matt, da Kim
Por 30 reais os criançadultos ainda poderiam assistir aos demais shows do circuito, incluindo o de outra dupla bacana, o Matt & Kim, que tocaria em seguida no Long Play, van incluída. E ninguém ficou pro show do Frank Jorge. O minúsculo Long Play estava abarrotado de gente, num clima totalmente oposto ao show do No Age. A platéia cantava e dançava sorrindo, Matt cantava e tocava sorrindo, Kim tocava e pulava sorrindo, alguma ordem afinal. No banheiro, os moleques do The View perguntavam por cocaína. Matt agradeceu a platéia e contou o quanto se sentia feliz por estar tão longe de casa, tocando sua música, aquele popzinho gostoso e minimalista de bateria e teclados. Kim subia o tempo todo no banquinho da bateria e até brincou de stage diving, com o público a conduzindo num passeio pela pista. Um amigo que veio do Rio só pra curtir o show me disse ao ouvido: "Noite Brooklyn em Porto Alegre". Com a diferença que no Brooklyn não teria foto do Teixeirinha na porta do banheiro masculino, pensei. Matt e Kim foram tão simpáticos que seria deselegante falar qualquer coisa negativa sobre o show. O clima era de festa, e "Daylight", hit do segundo álbum da banda (Grand, de 2009) encerrou a breve apresentação em alto astral. Eu ainda estava aturdido pela brutalidade caótica do No Age e toda aquela harmonia parecia não fazer sentido. Após o bis, Kim pediu ao Dj que tocasse alguma dirty shit pra que ela pudesse esfregar sua vagina até o chão. Imaginei que um pancadão bem sacana seria o mais apropriado. O Dj decepcionou mas mesmo assim ela foi dançar com o público, supercontente.

O Copacabana Club foi a atração seguinte. Musicalmente competentes, vocalista bonita e afinada, cortes de cabelo corretos, mas faltou alguma coisa. Originalidade, talvez. Até no nome a banda soava como produto tipo exportação. "É o Cansei De Ser Rolê", definiu um amigo. Alguns fãs cantavam as músicas, animadíssimos, a casa lotada mantendo o clima de festa que Matt & Kim haviam começado. "Pra curitibanos, até que são legais", ouvi alguém dizer. Com uma ótima recepção da crítica de seu EP de estréia, King of the Night, o Copacabana Club é a nova aposta de Curitiba para o mundo. A vocalista Cacá V me comentou mais tarde que a banda chegou a receber um atestado de honra ao mérito da prefeitura da cidade.

O Vanguart
O Vanguart
Antes do DJ set dos Teenagers, um pulo no Ox, onde o Vanguart se apresentava depois da Pública, uma das bandas de maior destaque na cena local. Diferente do primeiro show que fez em Porto Alegre, em 2007, o Vanguart tocou em casa cheia, pra uma platéia que conhecia seu repertório de cor. O grupo tem feito uma boa divulgação de seu trabalho e, na primeira fila, garotas cantavam as músicas com olhar apaixonado. A ovação deu o tom no final do show, mas eu já rumava pro Cabaret do Beco, pulando o Barbazul onde tocaram Pata de Elefante e Império da Lã.

O Cabaret do Beco, às 2h30 da manhã, era o "who is who" do festival. Todo mundo estava lá. O pessoal do Copacabana Club conversava com Pedro D'Eyrot e Rodrigo Gorky (a dupla fundadora do Bonde do Rolê estava na cidade pra mixagem de seu segundo álbum, co-produzido por Edu K e Chernobyl). Lúcio Ribeiro twitava depois de seu DJ set. Coy Freitas, da produtora Manifesta, responsável pela curadoria e conceito do evento, brincava, provocador: "Precisou um paulista vir até Porto Alegre pra fazer um festival de rock!". O DJ set dos Teenagers começou bem, com a nova do Hercules & Love Affair logo no início, mas depois descambou pra uma coisa quase piada, com muitos hits confirmados, oito mãos girando e apertando botões (a tecladista só ficava olhando). O auge foi no remix de "Kids", do MGMT, cantado em coro pelos clubbers. Edu K, em nova fase minimal, assumiu os cedejotas depois. Um set tecnicamente perfeito mas pouco empolgante. Os Teenagers ficaram perambulando pelo bar e voltaram à pista quando um dos Djs da casa, Schutz, tocou uma das músicas da banda. Microfone plugado, cantaram por cima do instrumental, num tipo de Live PA/karaokê improvisado.

Na tarde seguinte, o The View se apresentou num Underage Stage quase vazio. A pirralhada tinha ido ali ver Fresno e Cachorro Grande. "Eles são um Libertines da 2ª divisão", ouvi alguém dizer dos escoceses. De fato, nada de original no som dos meninos que, usando uma expressão bem porto-alegrense, não pararam de "chumbar" durante toda a estadia na cidade. O vocalista Kyle Falconer, de bermuda e camiseta, parecia zombar do frio de 10 graus, clima de verão pra quem vem da gélida Escócia. Na platéia semi-vazia, a criançada se divertia com beijos de 20 minutos, mas pouco sabia do repertório da banda.

TeenagersNo último dia do festival, a estratégia de marketing (ou idéia de jerico) foi revogada e dos alto-falantes do parque ouvia-se o convite pra que todos fossem assistir ao show dos Teenagers. Mesmo assim, o público ainda foi pequeno, umas 300 pessoas, se tanto. O vocalista Quentin Delafont, sempre sorrisos, soltava uns "Olá, Porto Alegre!" e isso era a única coisa que o público parecia compreender. A banda abriu com "Starlett Johansson" e, em 40 minutos, executou seu indie pop com sabor new wave de vocais declamados e refrões em uníssono. Lembrou os conterrâneos do Phoenix. Um show simpático, apenas. Nada excepcional. A audiência indie-mirim pouco reagia. Quase no final, em "Homecoming", garotas foram convidadas a subir no palco. Quentin, com uma camiseta da banda francesa Kokowa Poo, tirou uma câmera fotográfica da mochila e registrou a platéia. Foi com surpresa que a banda ouviu uma das meninas cantar direitinho a parte vocal feminina da música.

Voltando pra casa antes da headliner do festival, Pitty, subir ao palco, pensava comigo mesmo: o que é que a bahiana tem? A boataria dava conta de que o cachê da moça girava em torno de 80 mil reais. Ela, o ser supremo da santíssima trindade dos festivais juvenis na cidade. O que a pirralhada quer mesmo é Pitty, Fresno e Cachorro Grande.

Leo Felipe
Leo Felipe
I wanna go bang
comentários
3 comentários
ordeep
ordeep(12.06.09)
1AprovadoQueima
o dj set dos Teenagers no beco foi uma das coisas mais ridículas que já presenciei na minha vida. um deles tentava botar som, enquanto os outros 4 tomavam conta do mixer e aprendiam na hora a mexer nos efeitos estragando tudo o que tocava.
Fábio Petz
Fábio Petz(09.06.09)
1AprovadoQueima
estive lá basicamente para ver o shgow do Teenagers, que apesar de ser bem curto, e sem bis (a criançada não sabe pedir bis ainda) foi muito bom.

o Quentin foi muito interativo com o público. e todo mundo podia ficar ali bem perto do palco. é muito dificil ter a chance de ver algum artista interessante por 30 reais de perto e sem muvuca em sp, essa é a grande vantagem de descentralizar um pouco o palco dos festivais... assim os paulistas tb tem chance de viajar um pouco. a idéia d abrir na ultima hora p/ os maiores foi excelente, quem queria mesmo ver, viu!

Pode ser q a pirralhada queira mesmo ver Pitty, mas isso não muda muito em shows para adulto, o pop sempre chama mais gente... cabe à curadoria do festival introduzir bandas novas e interessantes ao seu público, o q é a principal função de um festival na minha opinião
Nessuno Dorme
Nessuno Dorme(09.06.09)
4AprovadoQueima
"No banheiro, os moleques do The View perguntavam por cocaína."

Sério, qual a relevância jornalística dessa informação?

O texto é uma resenha pra um site de música ou uma coluna de fofoca da National Enquirer?