Kitsuné Maison Compilation 7 e A Bugged Out Mix By Hot Chip: um scan completo no tracklist das coletâneas mais bacanas do momento
Abusando de fusões e versatilidade, analisamos agora duas resenhas bastante comentadas nas últimas semanas: a festa Bugged Out (e In) que o Hot Chip fez para a conhecida
label musical inglesa, e também a sétima edição da Kitsuné Maison Compilation, que entre aromas fashionistas, desconfianças hypes e descobertas de boas novidades, é sempre uma compilação bem esperada.
Enquanto o Hot Chip parte do techno para rumar até a soul music e pop retrô, a Kitsuné faz sua melhor coletânea desde a quarta edição: bom humor, romance, algumas insistências frustradas e indietronica para animar festinhas. É o Cool Way of Music fazendo a alegria clubber, e também irritando os ouvidos quando vira Cú Way of Music.
Enjoy.
A Bugged Out Mix By Hot ChipNEW STATE RECORDINGS
Nota: 4.2Depois de Klaxons, Boys Noize, Simian Mobile Disco e outros, é mais que natural a escalação do Hot Chip para a série Bugged Out. Porque depois do insosso pop
Made in the Dark, os melhores rumos que o Hot Chip têm tomado são em direção ao techno. E depois de participar do
álbum de Jesse Rose, esta coletânea é uma surpresa eletrônica que traz o charmoso quinteto inglês de volta aos corações clubbers.
São dois CDs, o primeiro mais pista e mixado pro Felix Martin, Joe Goddard (o gordão) e Al Doyle; já o segundo mistura house e afins com calypso, soul music, pop 80s romântico e modernidades atuais contou com a escalação do vocalista Alexis Taylor. É a típica oportunidade do Hot Chip surpreender almas musicais, barganhar novos fãs e treinar ao público suas idéias.
ATO 1 - UM ESTUDO TECHNOBoa banda, boas canções, ótima manipulação de sintetizadores - e bons DJs. O primeiro CD deste
Bugged Out chega a estranhar de tão 4x4, com seu techno gordo, encorpado e que já começa com Theo Parrish e Extrawelt. Multihomens, Felix, Goddard e Al Doyle trabalharam em seis mãos no repertório e na boa técnica de mixagem (precisas, seguras, imprevisíveis), e com a curiosidade pop vão animar festinhas e iPod mundo afora, além de despertar uma vontade séria de ver a banda num DJ set.
Não há fidget house, cena mais próxima deles do que o techno podia imaginar, e o foco aqui vai do 4x4 amplo, esbarrando no minimal. Começo pelo fim, com o encerramento deste primeiro ato techno com a long version de "I",
Max Cooper. Ela chega sublime depois de um house nervoso do International Pony, em rajadas e nuvens espaciais num mundo Wall-E, matemático e computadorizado, em que máquinas gigantes parecem habitar ferragens e chips abandonados. A narrativa tem começo, meio e fim; tambores e raios jogados ao léu são ouvidos numa confusão metálica e sensorial
post mortem que nos fazem entender a sutileza do techno em retratar o inexistente. Assim mesmo, uma viagem.
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Max Cooper - I (Long Version) (mp3)
Esremida entre o dubstep de Peverelist, a cócega de sinos de Cosmic Sandwich e o suingue tech-house de One2One, está a inédita da banda: "Take it In". Ela chega moída num synth agudo e em outro que finge ser guitarra, até despencar no grave redondo do techno e dos vocais. O vocal é doce, como não podia deixar de ser, cantado em coro numa comunhão com o beat que dá novo sentido à idéia de techno-pop - dá para usar em propaganda de carro, e também tocar em afterhours.
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Hot Chip - Take It In (mp3)
E de onde veio essa versão Afro Acid de "
Yeke Yeke", clássico indiscutível de Mory Kante. É um bate-cabelo techno feito de madeira, rápido e sacudido que faz o pitch dos versos pularem no ritmo das suas pernas. É a típica carta na manga de um DJ, que no caso desse mix de três pessoas eu aposto meus fones que foi uma unânimidade celebrada. E para destilar rapidamente alguns nomes, este trunfo vem entre Kollektiv Turmstrasse, Marc Romboy remixado por Oxia, Dominik Eulberg versus Gabriel Ananda e Ican.
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Mory Kante - Yeke Yeke (Afro Acid Mix) (mp3)
ATO 2 - MISCELÂNEASNa última parte desse megamix de 44 faixas, o Hot Chip não esquece do 4x4, mas se permite um momento de contemplação pop, de ilustração de seus novos gostos e antigas referências, bem aos moldes de seu
DJ-Kicks de 2007. O lindo remix deles para "Winter Home Disco" (The Pictish Trail) abre o CD 2, mas é subitamente deslegitimada por um momento lúdico bem aos moldes de Fatboy Slim e seu
Late Night Tales. "Rum & Coca Cola" soa infantil, mas a sensualidade do trompete véio e a letra não tem nada de pueril - fora o tema, autoexplicativo. O techno volta poucas faixas depois (e não tem bem mixado como no CD 1), logo após Zongamin criar um synth de quermesse mexicana.
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Greco Roman - Party Rhythm (mp3)
Me pegou pelo ouvido o electrohouse suingado de "Party Rythman", de um tal
Greco Roman Soundsystem, que trata-se do coletivo que cria festas de mesmo nome em Londres e que volta e meia recebe Hot Chip, Jesse Rose, David E. Sugar e afins. A brincadeira segue em estilo randômico por Osborne, Fleetwood Mac (!), os românticos Doobie Brothers e um remix sensacional da banda para "House Jam", dos esquisitões
Gang Gang Dance, pasteurizando num synth morn a confusão percussiva e os riffs distorcidos conhecidos da banda.
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Gang Gang Dance - House Jam (Hot Chip Remix) (mp3)
Se no
DJ-Kicks o Hot Chip fez uma justíssima homenagem a Joe Jackson e sua "
Steppin' Out", aqui na
Bugged Out eles lembra da verve dançante de "
I Can't Go For That", da yuppie dupla Hall & Oates, que eu pensei que só seria lembrada em versões do Simply Red, cruzes!
O clima philly segue com Luther Vandross, Terence Trent D'Arby, Robert Palmer e acaba na deliciosa "Bring it on Home to Me", que em pegada orgânica e requebrada, com backing vocals e tema amoroso, exibe o mínimo divisor comum negro e americano entre o techno e a o blues e a soul music.
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Eddie Floyd - Bring It On Home To Me (mp3)
Kitsuné Maison Compilation 7KITSUNÉ MUSIC
Nota: 3.9A sétima edição da coletânea do conglomerado de moda e música francês Kitsuné está mais delicado, talvez medida necessária parar criar uma coletânea naturalmente despretensiosa, mas certeira em SUAS apostas. Não à toa, a tentativa de Justice que é o Autokratz, lá pelo meio do CD, é a parte completamente descartável dessa brincadeira toda. Fica o crédito para o indie charmoso de Phoenix e suas crias, logo do começo do disco, o pop com sotaque e divertido, além de alguns encontros da Kitsuné com a disco music - já era hora.
Prepare-se para ouvir sobre
Wolfgang Amadeus Phoenix, o auto-título que esta boa banda francesa se deu para o novo álbum, e que tem na faixa "Lisztomania" seu ponto álbum. O vocal hipster-yuppie apaixonado aqui é regulado em sintetizadores e low BPM na versão "Classixx". Bom para dançar com seu amor na pista, bom também para ouvir no rádio dirigindo no sul da França. Logo na abertura a novata banda segue o mesmo ritmo - com uma cara bem anos 90 - e diverte, otimista, na fofa "Something Good can Work".
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Phoenix - Lisztomania (Classixx Version) (mp3)
Lembra quando você descobriu o Crystal Castles pela Kitsuné? Tem um punhado de faixas curiosas, de projetos bizarros, que dão essa mesma sensação da "
Knights", a melhor faixa do CC para mim. Outro Crystal - o Crystal Fighters -, criou um prog-8bit em "Xtatic Truth (Xtra loud Mix)", com um sotaque do leste europeu no refrão que gruda na cabeça e faz você voltar algumas vezes à faixa. Nessa mesma pegada, tem a versão chiptunadão que o Lifelike fez para a "In for the Kill" da La Roux. Eu não sei se foi o autotune ou se só reparei agora, mas a voz desta garota-eterna-promessa-2009 é bastante irritante. Em termos do adocicado novo pop eletrônico, fico com "Make it Reverse", do Men, que tem alma Le Tigre e ao que parece, é um projeto antigo (
veja o Discogs).
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Men - Make It Reverse (mp3)
Deliciosa a listagem de coisas que o
Golden Filter adora em "Favourite Things". O vocal é atraente, a base disco é de fazer inveja ao Glass Candy e, de fato, Sidney, Londres, Paris, vodka, whisky e chocolate são coisas que todo mundo ama. Ainda na seara disco até Prins Thomas, veja só, aparece por aqui. Ele edita em violas e blips espaciais (e que não vão a lugar algum por sua simplicidade orgânica) a baladinha "This Sweet Love", de James Yuill, um tipo meio Erlend Oye de Londres, só que menos nerd e mais electro. E para os retrôs de plantão, tem a italo disco de "Beagle", do Charteau Marmont, que posta ao lado de tanto 8-bit e pop electro, mostra uma coerente semelhança entre visões eletrônicas espaciais de 2009 e 1983.
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The Golden Filter - Favourite Things (mp3)
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Tanlines - Bejan (mp3)
O encerramento vem com o electrohouse sintético e bate-cabelo de "Touring in NYC (is boring)" - ótimo título -, e com a linda "Bejan", do também novato Tanlines, que é um pouco new wave, um pouco disco, e pela marcação intensa do seu bumbo poderia ser facilmente creditada como alguma coisa do Hot Chip. Como já disse, Autokratz e seu electro machão, além da baladinha passa-recibo ao hype do Heartsrevolution, são as coisas mais descartáveis de uma coletânea que tem a melhor música nas suas faixas mais obscuras, nas suas apostas.
Fora que o clima amoroso e sentimental "lucky one" da coletânea casou muito bem com a abstração humana da neo-disco, e também com o pop-chicletinho 8bit. Cool e açucarado, uma delícia.
Jade, arrasou na resenha!
Vc sente a música e descreve com uma beleza absurda!
Kitsuné com algumas bem legais.