De Neil Young a The Pains of Being Pure at Heart, gerações do rock no festival espanhol
Ainda nem é exatamente verão, mas os festivais já começam a aparecer aqui na Europa. O
Primavera Sound rolou nos dias 30/31 de maio em Barcelona e é um dos principais eventos desta temporada.
Como em 2008, o rraurl.com esteve lá.
O festival aconteceu no Forum em Barcelona, espaço para eventos na beira do mar, na área mais moderna da cidade. Bem espaçoso, a céu aberto, nenhuma fiscalização ou repressão de segurança, sem tumultos ou confusões, tudo fluindo muito bem. Horários dos shows intercalados, dando tempo pra ver tudo. Qualidade de som excelente e o melhor, sem o familiar overbranding. Rolou coisas durante a tarde e em outros lugares, como previas nos clubes da cidade e ainda brunch no parque com Telefunken no domingão. A maioria dos festivais deste verão são bem mais pop e com poucas novidades. Será um ano sem hit de verão?
O Primavera é bem mais rock. Principalmente indie rock e bandas alternativas dos anos 90:
Sonic Youth,
My Bloody Valentine,
The Vaselines,
Yo la Tengo,
Spiritualized,
The Jesus Lizard... assim molecada pode ver uma coisa mais "madura". Como o vovô desses todos ai,
Neil Young, que tocou na arena principal, lotou a pista e todos os gramados ao redor e ao fundo do palco, uma massa de pessoas vendo o tiozinho dizer:
"Still Looking for a heart of gold, and Im getting old...."Jarvis Cocker também estava lá representando uma época. O ex-vocalista do
Pulp mostra que ainda existe inteligência e elegância no rock. Um show especial e imperdível (que eu perdi) foi o do compositor
Michael Nyman, responsável pelas melhores trilhas sonoras da atualidade. Festival bom traz umas surpresas assim.
De gente mais novinha, que cresceu escutando esses todos ai, rolou os filhos do barulho
Magik Markers e
The Pains Of Being Pure At Heart. E bandas como o
Phoenix (que sempre são ótimos ao vivo),
Bat for Lashes,
The Horrors e
Bloc Party, que fez um show enérgico, animado, com hits bem tocados e todo mundo pulando e cantando junto. Também rolou bandas mais alternativas e mais novas ainda como
Deerhunter e
Plants and Animals, mostrando que sabem tocar ao vivo e manter aquele jeito fofo e melancólico de ser.
O eletrônico ficou em tendas menores e com nomes não tão conhecidos - as tendas estavam vazias na real.
Saint Etienne fez um show bem pouco emocionante para um publico que estava ali passando o tempo. Também teve
Squarepusher (mais um dos 90) e o minimal, que segue forte, com Michael Mayer fechando a noite de sexta.
No sábado rolou live do
Simian Mobile Disco, a dupla tocando em uma torre de aparelhagem, pulando de um lado pro outro e fazendo todo mundo pular junto, tocaram seus hits e outras coisas interessantes, dançante e pesado na medida certa. O festival fechou com
DJ Mehdi tocando para os fritos restantes, logo depois do
A-track, ambos com um set bem animado. Medhi tocou o óbvio, mas encerrou o festival com Beach Boys, bem coisa de espertinho.
E o barulho? Era muito! Logo no primeiro dia, quando vc ia pegar seu ingresso já ganhava um tampão de ouvido. Mesmo as bandas teoricamente mais lentinhas, como o Yo La Tengo, fizeram muito barulho. Sonic Youth, nem se fala, estava lá pra isso. Mas o grande barulho vem do My Bloody Valentine. Eles já são barulhentos, ao vivo são muito, muito mais. E a maioria das outras bandas novas, conhecidas ou ainda não, seguiram essa linha de guitarras estridentes, solos desconexos, longos improvisos e vocal suave e depressivo. Shoegaze total!
E pra acabar: bermuda dobrada no joelho é o novo shorts.