Tim Exile - Listening Tree
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 5.00/5
Nota: 5.0 (3 votos)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 4.6 / 5
Ano: 2009
Selo: Warp Records/Planet Mu
Estilos: Electro-pop, breaks, IDM, d'n'b
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Tim Exile - Listening Tree
Saiba o que acontece quando uma mente excêntrica do d'n'b/IDM produz electro-pop
27.05.09 13:55
Você pode conhecer Tim Shaw (foto), produtor britânico que atende pelo sobrenome (Tim) Exile, de várias formas. Remixando ao vivo o discurso inaugural de Obama, ou manipulando seu famoso pênis-joystick-controler ao vivo. Também pelos lançamentos de drum'n'bass frenético em selos como Moving Shadow e Beta Recording, fora os EPs de profunda quebradeira IDM que saíram pela Planet Mu. Mas este que vos escreve o conheceu em sua fase mais sabática, justo agora em 2009, ano em que Tim Exile desejou que sua música e mensagem fosse ouvida por mais pessoas e lançou um excelente álbum de, hummm, electro-pop.

Listening Tree tem temática literária quase esóterica, interpretando o mundo pela cabalística árvore sonora de seu criador, que canta grosso em 10 faixas de pegada espacial (lembra um pouco Kelley Polar) e com quebradeiras e intervenções eletrônicas despejadas pelas interfaces de aparelhos musicais que ele mesmo cria. Isto numa aura oitentista de electro-pop dark que lembra muito Depeche Mode, tendo a XLR8R posicionado tal referência entre o álbum Black Celebration e Thomas Dolby. "Há um vigor entre mim e meus medos, ansiedades e expectativas, e como tudo isso é reflexo da maneira que enxergo a sociedade", disse o sempre telúrico Exile à revista. "Acho que é o processo de envelhecer e querer fazer as coisas diferentes", completa, justificando suas novas escolhas e tentativas sonoras.

Flash Content
Tim Exile - Don't Think We're One (mp3)

Listening Tree começa pelo ápice, a faixa "Don't Think we Are One". Se a justiça musical fosse implementada nas Cortes, elas daria a Exile o direito à fama por causa desta canção. As notas da intro são bolhas eletrônicas sensuais e urbanas, em que seu sotaque de Dave Gahan (15 anos mais jovem) cantarola em versos, bridges e corretos refrões inseridos sobre camadas do compasso bem marcado, algo que o pop exige. Quando o refrão cai no requebrado mantra "Don't fool yourself / don't follow me", os dois pés já estão dançando.

As faixas são quase sempre unidas por fade out/fade ins de dramático clima fog londrino; e a partir da segunda faixa ("Family Galaxy"), começa a brotar o caos de beats quebrados e distorcidos de Exile. Mas não disparados à toa e sem contexto, como pode se apontar na sua produção IDM antiga, mas num beat crescendo ao lado do vocal épico e do synth a la Presets que rasga tudo ao fundo.

A MEDIDA DA IDENTIDADE POP
Exile deve saber que no pop nada se cria, tudo se copia. Então há a óbvia referência ao Depeche (e um pouco de Frankie Goes to Hollywood, também no vocal), as lembranças de um Presets mais religioso e até mesmo The Knife, pois a base nipônica e soturna de "Fortress" é a cara da dupla sueca, casando muito bem com o vocal grave e límpido de Exile. Quem se interessar mais pelo seu passado barulhento, "There's Nothing Left of Me but Her and This" parte de um fio condutor esquisofrênico até cair numa batida acinturada e rasgada por interferências radiofônicas.

Em seu primeiro álbum pop, este produtor esquisitão e genial acertou a mão entre o ponto de partida temático e a versatilidade. Ele entrega hora o know how ferozmente abstrato e IDM ("When Every Day's a Number é cria de Chris Cunningham), e hora apazigua os ânimos, como na faixa título. Há espaço ainda para humor irônico em "Pay Tomorrow", com sua base 4x4 assimilável apesar das interfências tão características no álbum todo. Fora o tom de profeta do metal melódico que ele adquirie no drum'n'bass de "Carouselle".



"Experimental" é uma alcunha que define certo renome cult na eletrônica, mas também é expressão que lima identidades, e que não significa muita coisa além do pressuposto de abstração. É só reparar no dubstep, que já faz tempo é o pressuposto mais de versatilidade do que um gênero por si só. Não à toa, faixas de Listening Tree já estão fazendo a alegria dos tracklists de sets e podcasts do pessoal dessa cena, principalmente pela sua catarse pop travestida de pancadão underground que agarra qualquer um pelo estômago. Um álbum sensacional, sem dúvida.
MP3
Flash Content
Tim Exile - Family Galaxy (mp3)

Flash Content
Tim Exile - Fortress (mp3)

Flash Content
Tim Exile - Pay Tomorrow (mp3)

Flash Content
Tim Exile - Carouselle (mp3)


Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
11 comentários
Para quem quiser saber mais peguem o DVD Electronic Beats, Slices 04/2008. Ele faz algumas demonstrações... O cara é muito foda!
Daniel Wakiyama
Daniel Wakiyama(02.06.09)
1AprovadoQueima
Interessante, não conhecia esse cara, bem diferente.
absurdo .. live do cara online .. http://3voor12.vpro.nl/speler/ondemand/41796601
Bruno Queiroz
Bruno Queiroz(01.06.09)
1AprovadoQueima
Eu conheci esse som ha alguns anos. ele tava fazendo um filme de propraganda das possivilidades do Reaktor para Native Instruments. o Live Set desse cara é realmente animal. e esse disco ta mto bom.
Rafffael Kniven
Rafffael Kniven(31.05.09)
1AprovadoQueima
Só perde pro 'Fever Ray' e pro 'Dance Mother'...DUCARALHO esse álbum! Thanks pela resenha Jade!