Chemical Music Festival 2009
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 4.00/5
Nota: 4.0 (4 votos)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2009
Estilos: rave, open air, eletrônica
fotos
Chemical Music Festival 2009
27.05.09 12:45
Chemical Music Festival 2009
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Chemical Music Festival 2009
Festival aposta em lineup com novos e grandes nomes brasileiros; Riocentro não poderá mais abrigar festas de eletrônica
27.05.09 13:15
Rio Centro, 01h AM. Chegar no local do evento foi uma pequena-aventura. A quinta edição do Chemical foi a mais propagandeada, teve "zelo" como mote e foi a que mais atraiu o público (ao que parece o terceiro lote de ingressos antecipados estava por um fio uma semana antes da festa). Dito isso, a primeira impressão foi de que tudo era gigante: o estacionamento, a distância entre ele o local do festival, o festival em si.

O estacionamento já dava uma idéia: carros parados com a mala aberta tocando de trance a minimal; pessoas dançando e bebendo ali mesmo. Após longa caminhada, finalmente a entrada, com revista acirradíssima: retirada de botas, possibilidade de revista íntima em caso de suspeita do porte de qualquer substância ilícita, proibição de entrada com qualquer objeto que tivesse o potencial de machucar alguém (espelhos, CDs, canetas). Depois disso, nova caminhada e novo portão, agora para o recebimento da pulseira e entrada. UFA!

Ali já se via um furgão da perícia criminal e uma cabine toda de vidro com imagens (contamos, 12 televisores de plasma com imagens de vários pontos da festa, com zoom, se necessário fosse). Policiais militares circulavam fardados entre o público, membros do CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), o BOPE da Polícia Civil, policiais à paisana, seguranças contratados e paramédicos eram facilmente encontrados. Segurança e repressão.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Na área VIP era possível o acesso ao palco principal ("Skol Beats 3D Stage"), ao próprio cercadinho VIP e ao backstage das tendas, com boa decoração e ambientação e lá sem muitas misturas sonoras. Nos toca-discos, a DJ Dri.K, que apesar do pouco tempo (apenas 3 anos como DJ) já estava tocando na pista de Gui Boratto. Um swingado minimal era o que rolava e uma pista VIP ainda vazia balançava gentilmente.

Dali, corremos para a tenda "New Trends", onde o Killer On The Dancefloor estava terminando seu set para o The Twelves começar. Nesse meio tempo passamos, esbaforidas, por uma lata de Skol Beats preta gigante e móvel, de onde vinha um som: era um trio elétrico, com set a 4 mãos dos DJs Bernardo Campos e Pedro Mezzonato, cariocas que estão dando primeiros passos no cenário eletrônico.

Killer on The Dance Floor


A área surpresa da festa foi o "Skol Beats Welcome Area" com novos talentos do Rio, muito embora o headliner fosse o DJ Halley Seidel (que já tem 20 anos de trabalho e foi membro da B.U.M, Brazilian Underground Movement, em meados dos 90). Não ficamos muito e corremos para a "New Trends", na qual encontramos um KOTD animando horrores o povo. Talvez por ser a tenda do MySpace, tinha um pessoal interado do som dos meninos, mas o bacana mesmo era ver o pessoal que nem conhecia o som se esbaldar de dançar e uma meia dúzia torcendo o nariz. Daí vem a passagem para o já hit, "Preste Atenção" dos TFAR (The Fire And Reason) remixado por eles, que caiu como um tapa de luva de pelica naqueles de nariz torcido. E foi ainda com riso estampado no rosto e repetindo o refrão grudento e engraçadinho: "Agora essa aqui é pros meus manos do Brasil, se você não ‘tá gostando vai pra PQP!" Saímos de lá com The Twelves no palco tocando e começando a dar aquela animada na galera. Os horários que já estavam apertados, começaram a atrasar a partir de então e tínhamos que correr: Dada Attack já estava tocando na tenda VIP.

Dada Attack


GUI BORATTO & FRIENDS
A área VIP neste momento começava a se movimentar e ficar um pouco com aquela cara besta de área VIP de grande festival. O atraso de 20 minutos para a entrada dos Twelves não atrapalhou a apreciação do set do Dada Attack, que são também para observar, muito além das mixagens precisas e de brincadeiras com loops e efeitos, são sempre bem construídos e se encaixam em qualquer situação que não seja só o dançar. Pena o público, que já começava a se avolumar para o vindouro set de Gui Boratto, não entender tão bem assim o som dele. Ele é daqueles DJ/produtores que fazem um som próprio e bem cabeçudo.

Gui Boratto


E assim começou, Gui Boratto com laptop a posto, cabeça para baixo, olhar concentrado na telinha e animação de sobra. Como que em um passe de mágica, no meio tempo em que fui ao banheiro a pista lotou! O tempo, que estava meio friozinho, ficou quente com a quantidade de pessoas e Gui, deu o que o público buscava: hits. E grande festival é difícil fazer um set intimista, como Boratto gosta e assim, foi hit seguido de hit, no espírito do do que ele disse no seu workshop no Rio Music Conference. Para o grande público os melhores momentos foram (como esperado), a passagem de "Take My Breath Away" para "No Turning Back", e a mexida que ele deu em "Beautiful Life", já no amanhecer, deixou a bonita ainda mais tocante.



Próximo ao final do set de Gui Boratto demos uma escapa para ouvir uma parte do set do D-Nox, então não vi o início do set de Babicz (LINK), porém cheguei em um momento em que fiquei abobada:



Um vocal sample da década de 90 fazia a vez do povo na pista. Robert Babicz animado e se deliciando com o set joga a cabeça para trás em meio as viradas em cima do palquinho. Babicz foi um showman: pediu pro povo pular, dançou muito, um gentleman com um set de hits e obscuridades muito bem pontuado.

O set do D-Nox, embora não tenha sido nenhuma surpresa, valia a pena pela animação do DJ. Ele pulava, dançava, batia palmas, sorria para o público, paquerava. Já passava das seis da manhã e o público dançava animadíssimo seu techno minimalista - os anos passam e a identidade de um bom DJ/produtor não se perde. O D-Nox não deixou a peteca cair, marcou presença com produções sem o danado conta-gotas minimal , com poderoso grave quase orgânico.

TENDA NEW TRENDS, DE NOVO

Kammy


Ao voltar para tenda "New Trends" após set do Babicz e da descansada no lounge, Wehbba estava terminando seu set, que reinou com produções e intervenções sonoras que alternavam entre a pura euforia, alguns hits para espantar o cansaço e pura contemplação. Em seguida veio a DJ Kammy, nomeada embaixatriz do festival (junto com a DJ Ana Paula e a DJ Flow), ela começou seu set com peso e fluidez. A pista deu uma guinada e, meio que levantando defuntos, o público começou a pular. Já era uma avançada manhã de domingo e nada mais divertido que ouvir hinos de Detroit e Chicago para se aquecer debaixo da tenda e do Sol, bem carioca, que estava tostando. Um dado momento, tocando "Vamp" do Outlander um moço se agarra à grade próxima ao palco e no auge da música grita: "techno!" Fazia um tempo não via essa reverência.

Já passava das nove da manhã e mais uma vez nos retiramos porque, dentro em pouco, Trentemøller começaria a tocar no gigantesco e distante palco principal....

A EPOPÉIA TRENTEMOLLER

trentemoller


Enquanto, Kammy tocava corri para o palco principal, querendo ouvir o set do dinarmaquês, talvez mais esperado que o "bom velhinho" da Lapônia, Trentemøller. Tinha algumas reservas, mas qual não foi minha surpresa? Fui, realmente agraciada, e gostei de pensar assim às dez da manhã. Logo no início do set, Trente - é mais fácil assim - me ganhou por tocar um remix do Pig & Dan para a faixa "Lullaby" do Cure, ponto pela surpresa. Mais tarde foi para frente do palco e incitando com palmas o público a fazer mesmo, Trentemøller, solta "What Else Is There" do Röyksopp e a casa veio abaixo. Daí, em diante foram só hits. Que a verdade seja dita, Trentemøller, é um grande DJ e, apesar das inúmeras produções e de sua verve pop, sua vontade de fazer as coisas acontecerem é o que melhor se percebe. Em um festival em que inúmeros tantos trocaram as cabeçadas das pick-ups, CDJ e mixers por softwares (apenas apontando um outro lado), Trentemøller, preferiu usar efeitos do mixer, do próprio CDJ e beat banks para interferências sonoras. "Dynamic mixing" foi o que se ouviu entre nove e pouco, onze horas da manhã - e se o público, que inicialmente não entendeu o som do cara, se rendeu. Mesmo com todas as reservas, fui conquistada pelas mixagens dinâmicas e precisas, por mais que o set tenha sido recheado de hits fáceis. A pena ficou por conta do grave, que estava estouradíssimo.

IMPRESSÕES FINAS
O Chemical Music Festival é um festival enorme, em um ano que, parece, isso não será tão comum no Brasil. Apesar do gigantismo, não notei overbranding. As ropagandas estavam lá: Skol Beats, MTV, MmySpace e outros, mas nunca à frente do nome do festivai e dos artistas. A organização foi bem estruturada, a segurança foi bem feita e mesmo o órgão repressor soube se portar. Não passamos por nenhuma dificuldade, como filas quilométricas para ir ao banheiro ou para comprar/pegar bebidas, nem presenciamos brigas.

Esta foi a edição com mais atrações/headliners nacionais, talvez pela nova lei que querem impor, mas eu acredito que é porque nossos produtores estão aparecendo cada vez mais na mídia mundial. Nesse ensejo, algumas pistas tiveram line-up muito bem estruturado. Menos a pista principal - uma mistura só. Acredito que que era a intenção, quem sabe numa tentativa de abarcar todos os gostos. O que importa é que o Chemical Music provou que tem fôlego para continuar mesmo tempos de vacas magras mundial, e é bacana que tente se manter uma festa open-air desse porte no Rio de Janeiro. E no mais, com o fim do TIM Festival, o Rio anda carente de festivais.

Festa open-air no Riocentro, não mais!
Apesar do festival ter ocorrido com algumas ressalvas, para a maioria do público não houve problema algum. O grande senão foi para a vizinhança do entorno que acabou por acionar a polícia e autoridades responsáveis por conta do "alto barulho." A vizinhança reclamou que o som "fazia as paredes e os móveis das casas tremerem." E ao que parece o 31º Batalhão, no Recreio, recebeu mais de 50 ligações com reclamações similares. Que não passaram despercebidas pela empresa administradora do Riocentro, a GL Events (é terceirizada pela Prefeitura que o administra desde 2006). De acordo com a nota divulgada pela própria, publicada pelo OGLOBO online:

"Com base nos acontecimentos registrados e relatados por moradores da região no entorno do Riocentro sobre último evento de sábado, a GL Events decidiu suspender a realização de festivais de música eletrônica no local, cancelando inclusive eventos do gênero que já estavam agendados para este ano no espaço. A GL Events entende que a importância da realização de eventos no Riocentro deve estar sempre em sintonia, alinhando os interesses das empresas organizadoras de shows e festivais, público do evento e região próxima." Porém, muito além de festas de música eletrônica, o Riocentro, recebe em suas edificações festas profissionais, feiras dos mais variados artigos, a Feira da Providência, Ciclos Literários e... micaretas! A caça às bruxas retornou ao Rio.

Catarina Liarth
Catarina Liarth
A vida é feita de altos-e-baixos...
comentários
16 comentários
Leo Janeiro
Leo Janeiro(03.06.09)
1AprovadoQueima
Galera blzzzz !
O Chemical este ano com certeza foi muito bacana ( minha 4 edição participando ), destaque para o Babicz que eu gostei bastante ( toquei depois dele com o meu dj set ) e o Killers on the dance floor .
O lance agora e fazermos algo pois querem proibir as festas de músicqa eletrônica no Rio Centro , isso é um realemente complicado . De alguma maneira e legal deixarmos claro a opinião das pesoas que curtem o espaço que isto e algo no minimo absurdo .
Kaks , só para acrescentar sobre os seus comentarios , nos temos um projeto chamado ASK 2 QUIT que trabalha com imagem e som simultaneos Eu , CIC e o VJ Vaglume ( gostos a parte ) , e algo mesmo para big room sem maiores pretensões ( tocamos house , tech , electro , deep , classicos ... até techno ) , bem diferentes dos sets individuais de cada um até por ser um projeto .

Catarina , se deveria ter passado la ehehe ...tava interessante !

bjs e abs
Catarina Liarth
Catarina Liarth(29.05.09)
2AprovadoQueima
@Motor Ai, ia ser bafo memso! Correria e sorrisos...Bjks.
Motor
Motor (28.05.09)
1AprovadoQueima
Váilaminhanossasinhora, Catarina que pique, queridOna! Queria EU estar ao teu lado acompanhando tudinho sorrindo e dançando!

BeijOn!
Michelle Fresteiro
2AprovadoQueima
Eh, o Babicz foi bapho!
Felipe Passarelli
2AprovadoQueima
Adorei, foi maravilhoso, o psy ta saindo de fininho graças a deus... E pode ser o sucessor do Skol Beats mesmo, melhor que qualquer festinha de branco com trance comercial chato, só o Robert Babicz já valeu a ida, que venham mais festas, o Rio precisa! :)