Show surpresa da banda lota pequeno club indie em sua cidade natal, às vésperas de tour internacional.
No fim de semana anterior ao lançamento de
Manners e a estréia de sua primeira turnê internacional, os meninos do
Passion Pit voltaram à sua cidade natal. Após morar temporariamente em Nova York trabalhando nas gravações de seu primeiro álbum, a banda resolveu recarregar as energias em Massachusetts e presentear os fãs locais com uma performance de última hora.
A festa
The Pill, no clube Great Scott em Boston, é conhecida por sua reputação indie, pelo espaço pequeno (o lugar comporta uma capacidade máxima de 240 pessoas) e pelos shows exclusivos de artistas como
Bat for Lashes,
Dirty Pretty Things e
Diplo. Quem esteve presente na edição da semana passada ouviu o DJ e fundador da noite, Michael Marotta, anunciar o show "secreto" e "quase ilegal" do dia 15. De acordo com ele, o Passion Pit - agendado pela super produtora Live Nation pra tocar em outro club bostoniano em junho - fez questão de tocar na casa noturna, mas levaria uma bela bronca da Frenchkiss Records caso alguma informação sobre a apresentação-surpresa no Great Scott fosse oficialmente reportada por qualquer meio de comunicação.
A banda quebrou o silêncio via
Twitter na quinta-feira, convidando Boston a assistir à sua performance na noite seguinte. A festa, que geralmente enche após a meia-noite, dessa vez lotou antes das 22hrs. A fila de espera na porta dava uma volta no quarteirão. Os fãs lá dentro, felizes, pagaram 5 dólares (!) pela entrada.
Michael Angelakos, Ayad Adhami e os outros membros da banda circulavam entre o público - o clube, pequeno, não possui uma área de backstage com bar para os artistas. Angelakos não pareceu muito à vontade com a abordagem e os olhares curiosos da turma presente. Por outro lado, Adhami e o baixista Jeff Apruzzese esbanjavam sorrisos. Num papo rápido antes do show, os dois me contaram que fizeram questão de tocar em seu bar favorito, onde a banda "cresceu". Checando os celulares o tempo todo, eles também assumiram ser viciados em Twitter e Facebook - segundo eles, a melhor forma de manter contato com a família e amigos desde 2008, quando suas vidas mudaram de rumo.
A banda subiu ao mini-palco às 23hrs. Empolgados, os meninos mantiveram contato com os presentes entre todas as músicas. Abrindo o show com "Better Things", eles pouparam os fãs de um previsível ataque de ansiedade. O púbico mais fiel fez questão de dançar grudado ao palco, e deu pra sentir o chão tremer com o pula-pula enlouquecido do Great Scott. Entre as músicas mais bem-recebidas pelos fãs, estão "The Reeling", "Moth's Wings" e a mais pedida, "Sleepyhead".
O Passion Pit ao vivo soa quase como o Passion Pit de
Chunk of Change e
Manners. A voz de Angelakos, porém, não segura a onda o tempo todo. Graças à energia de sua apresentação e presença de palco, fica difícil ser tão crítica na hora. Mas os vídeos do show não mentem, e mostram que até o cara com a voz mais aguda do indie-pop também tem seu ponto fraco. Pra compensar, o ritmo e consistência da banda como um todo é respeitável. Da bateria aos samples, o Passion Pit não desapontou, e entregou um show de tirar o fôlego. No caso da turma que imitou o coral das criancinhas nova-iorquinas em músicas como "Little Secrets" (veja abaixo) e "Let Your Love Grow Tall", o show do Passion Pit também foi responsável pela rouquidão do dia seguinte.
Na
resenha de Manners, comentei o fato de muitas das músicas da banda não serem necessariamente apropriadas para as pistas. Mas ao vivo, a banda provou o contrário. Com a exceção da semi-balada "Eyes as Candles", o Passion Pit fez seu público dançar durante uma hora e meia na sexta-feira à noite, sem parar. Nada mal para iniciantes.
Quero vê-los no Brasil!