Tam tam tam taaaaamm…E foi com a famosa
5ª Sinfonia de Beethoven que a Orquestra Bachiana Filarmônica, regida pelo festejado
João Carlos Martins, abriu o repertório em uma noite que prometia entrar para a história. Motivos não faltavam: Anderson Noise, DJ e velho conhecido deste site, atuaria como solista da filarmônica. O maestro havia voltado recentemente a se apresentar, já que como pianista não podia mais por questões de saúde - virou maestro. Estávamos na Sala São Paulo, uma das melhores salas para concerto da América Latina, que, além de lindíssima, também tem uma acústica de deixar qualquer um com ares de João Gilberto.
A orquestra é incrível. A atmosfera é mágica. A sala está praticamente lotada. Depois de 30 minutos de Beethoven, entra um breve intervalo. Figuras da noite se encontravam e brindavam ao lado de habituées da sala de concertos. Todos na expectativa de descobrir como seria a mistura das batidas techno com a melodia da orquestra.
De volta à sala, entram no palco maestro e DJ, ambos com fones de ouvido (o do maestro era sem fio), ambos de fraque (o do Noise era de jeans), ambos aplaudidos antes mesmo de começar a tocar juntos. O maestro comanda então a orquestra, que toca o
Intermezzo da Cavalaria Rusticana, de Mascagni, e podemos então ouvir "Aurora", primeira composição de Noise tocada na sala. O que primeiro momento parecia fora do lugar logo se encaixou - soava como um mashup erudito. Não era um remix, não era um reedit, não era uma nova composição. Como a original é bastante conhecida, a intervenção de Noise acrescentou uma nova camada à música. Durante os solos do DJ, o percussionista da orquestra mexia a cabeça, no ritmo, sorrindo - sinal de que estava tudo bem.
E assim foi: maestro, orquestra e DJ apresentaram "mashups" de peças populares da música clássica, como a
Sinfonia 40 em sol menor KV 550, de Mozart,
Trenzinho Caipira, de Villa-Lobos, a
Ária da Suíte 03 de Bach e
Portas de Kiev, de Mussorgsky, intercaladas por e/ou misturadas com curtas composições de Noise.
Impossível não recorrer a algumas referências. A primeira, é um disco dos anos 80 chamado
Hooked on Classics, que colocava batidas retas sob pout-porris de clássicos eruditos, dando um
ar mais festivo às músicas.
Nesses momentos, estas misturas parecem só servir para mostrar os dois gêneros musicais para novos públicos, o que por si já é louvável. Mas não é totalmente verdade, vide o encontro de
Carl Craig com a orquestra contemporânea francesa Les Siècles, já comentado aqui através do
blog da Claudia Assef, e que cria uma atmosfera futurista e encantadora na sala de concertos.
Os bleeps e clicks que Noise encaixava aos instrumentos da Bachiana pareciam realmente fazer parte da música original, e foi ali que DJ e maestro melhor conseguiram mostrar como introduzir um novo "instrumento" à apresentação de uma antiga música, como colocar o novo no eterno, como unir dois extremos musicais. O caminho já vem sendo trilhado por grandes nomes, como
Jeff Mills, por exemplo, ou por Matthew Herbert em uma versão mais moderna, com sua
Big Band.
Faltou sensibilidade na hora de equalizar volumes, já que as (muitas) variações da orquestra não foram acompanhadas pelas batidas sintéticas, e o que era para funcionar como um instrumento coadjuvante acabou encobrindo tudo o que os outros 30, 40 músicos estavam tocando. Nada que não se resolva com a experiência de mais algumas apresentações - e que já vêm sendo prometidas, inclusive para um público maior.
A certeza é que o encontro trouxe mais acertos do que erros, e o maior acerto de todos foi maestro e DJ terem tido coragem e dado as caras. Para quem achava que "DJ" era o nome de Anderson Noise, como o maestro contou ao fim da apresentação, e para quem "não conhecia uma única nota musical, mas possui uma incrível musicalidade", como o mesmo maestro revelou sobre Anderson, a combinação funcionou muito mais do que se podia imaginar. E, se depender da empolgação e alegria que ambos demonstravam, só vai melhorar.
Bravo!
FLOP TOTAL mesmo rsrssrsrr, pra mim pareceu totalmente descompassado.
Não sei como esse pessoal da orquestra se sujeitou a um papelão desses, uma vez que são, via de regra, super puristas, radicais etc e contrários à ME, dizendo ser um estilo "menor" de música, em comparação à música erudita, tida, de forma pretensiosa, como algo supostamente superior e tals.
Não sei se o trecho do video destacado acima foi infeliz... mas pra se arriscar a misturar água e óleo tem que ter mais que culhões: é necessário uma sensibilidade musical apurada.
Crítica vaga? Sigam o link do Carl Craig e comprove.
nao me levem a mal mas eu naum enxergo com bons olhos essas misturebas, e elogiar algo apenas pq o cara teve a coragem de fazer independente de ter ficado bom naum é comigo, e acho que já passamos do estagio de desenvolvimento da musica eletronica onde tudo ja valia a pena só pela intencao.
pra mim isso é marketing.