Modeselektor e Apparat se juntam para criar contemporaneidades eletrônicas baseada em techno, dubstep e glitch music
Apparat e Modeselektor juntos é um feito e tanto, uma aposta a ser levada a séria. O resultado das 11 faixas do primeiro álbum da fusão que gerou o Moderat é uma harmonia tensa: não há a predominância de um estilo - nem a quebradeira glitch do MDSLKTR, nem a melancolia pop e techno de Sascha "Apparat Ring". Moderat é um som que ebule orgânico e imprevisível entre a harmonia de um e a rispidez de outro, fazendo jus ao ditado de que opostos se atraem.
Mas o disco tem uma falta de coesão fruto dessa harmonia forçada, que leva à necessidade de repetidas audições. Impera um clima de dubstep no álbum, mas longe da similaridade em 3º grau com o d'n'b. O álbum está mais próximo da tristeza epiléptica do
Telefon Tel Aviv do que coisas como Caspa e Chase & Status. A aura dubstep é fruto dos tempos, já que em 2002 o trio lançou um EP pelo projeto intitulado
Auf Kosten Der Gesundheit ("custou a saúde"), já que o período no estúdio foi relatado pelos produtores como um parto doloroso e quase irremediável. Nessa época, bem antes da consolidação da identidade sonora de cada projeto, vieram à luz algumas composições distorcidas e barulhentas, um Autechre alpino e sem ginga negra (
ouça aqui).
Oito anos depois, o tratamento é VIP. A expectativa em torno do álbum já vinha de 2008, e as gravações aconteceram nos estúdios
Hansa em Berlim, mesmo local onde Bowie gravou, os dois álbuns da sua chamada Trilogia de Berlim que de fato eram alemães (
Low e
Heroes). Consoles sonoros antigos foram adquiridos ao redor do mundo para a produção, e até um engenheiro de software para criar algoritmos de reverb especiais ao disco, que está sendo divulgado como um som para se ouvir em estéreo - ao que parece, promos e provavelmente discos vazados não captam todas as possibilidades de amplitude sonora do Moderat, o que nos leva à uma boa curiosidade sobre as apresentações ao vivo, em caixas potentes. Tal estética de peso sonoro fazem jus à capa do disco, uma paródia do famoso cartaz feminista-bélico "
We Can Do It". Um bom resumo do que realmente importa em tempos de bass culture: porrada!
Sebastian Szary, Sascha "Apparat" Ring e Gernot Bronsert: custou a saúde

Moderat começa com "A New Error", onde dá para sentir bem as características distintas de cada um, num tech-trance estranho, linear e sisudo, que tem uns arpejos defeituosos do Apparat ao fundo e volta e meia é rasgada por algum synth afiado. Descrevendo soa como um Frankenstein, mas ao fone de ouvido o som é de uma melancolia confortante que nos leva a de cara achar que o álbum é mais um acerto do que um novo erro, como aquele irrelevante primeiro EP dos rapazes.
Sascha Ring canta em apenas duas canções, o derradeiro 2-step "Out of Sight", que mistura atmosfera opiácea e cadência matemática. Fãs de
Walls (2007) vão adorar "Rusty Nails", nervosa e esfumaçada como
Orchestra of Bubbles em seus versos breacos. A estética dub é valorizada em "Nasty Silence" e "Slow Match", em que
Paul St. Hilaire e é louvado novamente por essa geração criada na eletrônica e que entende a proximidade entre Berlim e o Caribe. Mas o rapper
Eased, figura do cast grime-dancehall do
selo Downbeat, é mais energético que o velho St. Hilaire, faz o apelo ser maior. Talvez seja culpa do electro borbulhante e espacial que o trio criou por cima.
MODERNARTAs sensações neste álbum são muitas. É acid, industrial, 2, 3 até 4-step, e mesmo pós-punk nas faixas "Porc" #1 e #2. Para o dubstep, fica a síntese perfeita com o 4x4 em "No. 22", em que a quebradeira cabeçuda, viciante e complexa do gênero é fatiada por loops de tech-trance. Na verdade, muito do novo techno alemão pós-minimal 2000s guarda algum ranço de techno, tanto para o bem quanto para o mal. Mas o que importa é que tão diversas fusões criadas por Sascha, Gernot e Sebastian provam que seus dotes como músicos só melhoram com o passar do tempo. É como no jazz: a contemporaneidade vem da habilidade de criar num ambiente (instrumentos, ferramentas, computador) sonoridades tão distintas, mas tão compatíveis -
so far, so close, a música espontânea e sem regras, orgânica. Sempre vários aromas dentro de uma base, como um bom vinho emanando odores. Não à toa Thom Yorke, músico similar em termos de quilate, é fã e parceiro de composições do pessoal do Bpitch Control.
A versão de 11 faixas de
Moderat é só o começo. O álbum a ser lançado por completo entre abril e maio trará no mínimo seis faixas extras, com novas parcerias. Voltaremos ao assunto em breve.
*Alguns dos MP3s foram retirados a pedido da assessoria de imprensa do selo Bpitch Control. Confira o áudio do MySpace do projeto.
preciso escutar mais, mas a primeira impressão é mto boa.
bom d++