Para entender a trajetória de um artista de grande porte da eletrônica, caso do Röyksopp, é necessário analisar a maturidade. Porque referências antes magnânimas - Chemical Brothers, Fatboy Slim, Prodigy e Moby - ficaram nos anos 90, uma vez que toda essa geração já deu cara à eletrônica pop dos anos 2000. O Röyksopp é um deles, e seu terceiro álbum,
Junior, apesar da irregularidade e de uma caretice propositalmente comercial, merece o crédito pela boa produção e pelo carisma, uma característica irrefutável para quem quer tocar multidões.
Desde seu surgimento em 2001 com o downtempo
housy de
Melody AM, celeiro de hits como "
Eple", "
Poor Leno" e "
Remind Me", a banda norueguesa tornou-se o
maior expoente de uma geração nórdica bem-sucedida, e agora em 2009 agrada bem tanto o underground quanto o lado mais dançante e comercial de uma BBC da vida.
Junior nasceu em clima de festa, com a banda comemorando 10 anos pela bobinha faixa "
Happy Up Here",
Röyksopp forever

com a promessa de um álbum primaveril, além de outro release ainda esse ano, intitulado
Senior, mais introspectivo. Torbjørn Brundtland e Svein Berge, com o respaldo da Wall of Sound/Astralwerks, agruparam nada menos que as três principais cantoras nórdicas atuais: as suecas
Robyn,
Lykke Li e Karin Andersson (The Knife/
Fever Ray).
O primeiro single é "The Girl and the Robot", electro-pop nervoso e acelerado, contraponto ao vocal autotune de Robyn. A faixa é prova da busca incansável do Röyksopp por um sucesso estrondoso como "What Else is There?", de 2006. Para tanto, a vocalista do The Knife e atual Fever Ray canta em duas músicas, mostrando como seu timbre neo-Cocteau Twins dos infernos está acima de qualquer camada de efeitos sonoros: "This Must Be It" não precisa nem ser
remixada pelo Trentemoller para conquistar pistas gigantescas, e "Tricky Tricky" é, para mim, a melhor faixa do disco, electro também acelerado, pulsante, sem pretensão de ser nada que a banda já tinha sido; clima retrô-robótico que levou a tão trabalhada voz de Karin a novos rumos - tarefa que depois de anos de The Knife e com o recente Fever Ray é bastante louvável.
Flash Content
Royksopp, Röyksopp - Tricky Tricky (mp3)
Dado o
contexto atual da promoção musical, este álbum é irregular pela dificuldade inicial em assimilar uma mistura tão heterogênea de electro, babas irrelevantes como "Miss It So Much" (tadinha da Lykke Li!) e "Vision One", e o downtempo adocicado, marca da dupla desde seu surgimento em 2001. A banda se enxerga como grande e desde
The Understanding (2005), se leva a sério como tal. Tanto é que
Junior traz uma faixa intitulada "Royksöpp Forever", ode a si mesmo após 10 anos de sucesso num clima space disco numa pegada trip hop. A faixa poderia ter 9 ou 10 minutos com seus incríveis violinos histéricos, inseridos numa áurea Krafwerk circa
Radioactivity, mas ela não chega nem aos seus cinco minutos, maculando assim todo um mundo de referências dos anos 70 e 80 para entregar música enxuta, disponível para o próximo comercial da Apple ou de alguma outra marca,
como já é de costume com eles.
Flash Content
Royksopp, Röyksopp - Royksopp Forever (mp3)
A crítica mercadológica pode soar como recalque, mas há de se ter um limite, algum bom senso. E a esperança é que estes momentos são audíveis no disco, a banda podia ter medido suas pretensões por eles. É o caso de "You Don't Have a Clue" e "It's What I Want", boas batidas melódicas, sem refrões bobinhos, comemorações exageradas com convidados pomposos - apenas o bom beat pop do Röyksopp em faixas que tocam e nos trazem de volta.
E depois de 10 anos e discos de sucesso, o Röyksopp realmente pode se dar o luxo de levar a idéia de pop a um exagero metalinguístico até. O paradoxo é que essa técnica cria bobeiras tão irrelevantes, babas tão sem nexo, mas ao mesmo tempo faz a dupla ser um emanador de hits, de excelentes músicas com potencial. Desde o princípio de sua discografia é fácil para os ouvintes lembrar de uma ou duas músicas inesquecíveis - ainda bem que isso é algo que não se perdeu em
Junior.
Sobre a maturidade comentada no começo do texto, é sobre o apuro de produção musical, sem dúvida, e sobre isso é possível fazer melhor análise com o anunciado lançamento de
Senior, álbum que promete atmosfera oposta à sua cria mais infantilóide. É esperar pra ver. Ou melhor, ouvir.
Brincadeiras a parte, esse album tem uma vibe incrível, diferente, moderna e ao mesmo tempo nostálgica. Irregularidades aqui soam mais como criatividade, achei digno!
A música ésuper legal, sim, mas eu acho que está a léguas de distância do remix do Trentemöller no quesito "arrasa-quarteirão".